quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

20 - O NOVO DANCE MÓVEL

Depois de algum tempo e de ter viajado duas vezes para Jaguapitã e outras tantas para as praias do Paraná com o Dance Móvel Fusca, resolvi comprar outro carro maior e personalizá-lo no lugar deste. Dava para comprar um usado não muito caro com parte do dinheiro da venda do terreno e da casa dos meus pais, que compraram outro lote e construiram perto do meu se tornando meus vizinhos. Eles venderam para me ajudar a construir a minha casa e também minha mãe sugeriu porque assim eu fiquei sendo o braço direito deles. Já estavam na terceira idade, minha mãe doente, meu pai dependente de remédios e minha irmã deficiente mental para a vida toda. Além disso o único que sabe dirigir em casa sou eu. O fusquinha era bonito e antigo mas sem espaço, principalmente no porta-malas. E nas viagens de carro eu nunca vou sozinho, tem as malas de todos e inclusive estava levando a bicicleta, com sua caixa de som, bateria e anúncios. E fazia algum tempo que eu pensava que um dia era bom ter um carro normal e outro personalizado. Quando eu quisesse andar com roupas comuns ou de outro estilo usaria o carro comum e quando andasse como o Dance Boy usaria o carro estilizado. Não ando só de rosa e azul, se vocês pensaram isso se enganaram. Assim ninguém venha me dizer que as mulheres não me dão atenção porque se assustam com este traje. O problema pode estar em outro lugar e também com elas, mas não totalmente no meu estilo diferente ao contrário do que muitos ignorantes pensam.

Como não sou rico para ter um Cadillac ou mesmo um Chevrolet Impala, precisava de um automóvel dentro das minhas condições financeiras. O Ford Gálaxie 500 ou o Dodge Magnum eram grandes e imponentes. Sempre adorei estes carros e pensei nesta possibilidade. Com o preço alto da gasolina atualmente era necessário instalar um kit de gás natural (GNV). Até teria feito isso se não fosse os principais inconvenientes: não é toda cidade que possui postos GNV e nas estradas por onde mais transitava também não havia. Mesmo em Curitiba eram poucos postos se comparado ao tamanho da cidade. Não seria prático portanto. E me avisaram que poderia acontecer de eu empregar uns dois ou três mil reais com esta adaptação e depois o gás natural subir de preço como ocorreu com o álcool. É... não seria bom arriscar não acham? Então fui pensando num que tivesse porta-malas grande, confortável e ao mesmo tempo fosse econômico, pois quase só ando de carro para trabalhar (odeio esse suplício de ter que pegar ônibus lotados, não nasci para ser escravo). Gostava do Opala mas mesmo o de motor quatro cilindros era meio gastador. O Monza tinha uma traseira meio pequena para se acomodar a Dance Bike em cima, no suporte que vou bolar para ela. Caminhonete F-1000 cabine dupla era muito cara por ser a óleo diesel. O jeito era pegar de novo um dos carros que já tivemos e que havíamos desfrutado pouco: o Ford Del Rey série ouro ano 1984 com motor cht 1.6. Estiloso, confortável, luxuoso, econômico e que marcou época. Era um carro caro na época do seu lançamento. Seria também uma coisa única um carro desses nas cores externas rosa e azul turquesa. Fuscas cor de rosa existem mas Del Rey eu nunca vi. E foi o que fiz. O Fusca mandei repintar na cor orginal branca que era antes. Bom, agora confiram as fotos...

Eu no novo Dance Móvel à noite, com o anúncio luminoso em cima do carro aceso.



Quero instalar este globo giratório com luzes coloridas no Dance Móvel. Bem igual aqueles que me fascinam desde que pisei na Danceteria Alkatraz em Jaguapitã, norte do Paraná.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

19 - O OUTRO LADO DE CURITIBA QUE OS POLÍTICOS E A MÍDIA NÃO MOSTRAM

Curitiba, cidade onde nasci e moro até hoje, tem seus pontos positivos e negativos como qualquer outra.



Pontos positivos:

-É uma cidade bonita, com lindos parques, é relativamente bem arborizada, mais ou menos bem urbanizada (e a gente até sente falta disso em outras cidades), tem um sistema de tarifa integrada onde você pode andar por quase toda cidade e por outros pontos da sua região metropolitana pagando uma só passagem. Tem vários shoppings e quatro danceterias populares que funcionam nos domingos em horários mais cedo.


Mas como nada é perfeito, estes são seus pontos negativos que a tv não mostra e que acho que todos devem saber para pesarem os prós e os contras, e não ficarem se iludindo achando que aqui é a quinta maravilha do mundo:

-O clima é um dos piores que já conheci. Primeiro porque varia demais: no mesmo dia pode amanhecer com sol, nublar e chover de tarde e fazer frio de noite. Isso sem contar esse vento maldito e cortante que insiste em ficar no inverno e quando está aquele calor não aparece para refrescar. Recentemente um amigo meu me contou que é a segunda cidade do Brasil onde o sol menos aparece. De fato os que moram aqui devem saber bem que geralmente quando começa a chover isso significa no mínimo uns dois dias seguidos sem ver o sol. Já cheguei a constatar várias vezes que ficou uma semana ou quase com o céu nublado e cinzento (sempre com o maldito vento). Além disso chove demais por aqui. Além do frio que insiste em aparecer mesmo em outras estações. Isso é um fato, quer vocês concordem ou não…

-O transporte coletivo está longe de ser de primeiro mundo. Não tem metrô, não tem trem elétrico e nem ônibus elétricos que não poluem. Os coletivos vivem superlotados, principalmente em horários de pico devido à péssima administração dessa máfia chamada URBS que só visa os
seus próprios interesses. Se esses diretores não fossem um bando de exploradores e ladrões permitiriam as vans como em São Paulo. Aqui não existe isso, eles querem monopólio com um serviço precário e saturado e não admitem nenhuma concorrência. Vejam as fotos abaixo e saibam o que vão enfrentar quase todo dia se vierem morar aqui e tiverem a infelicidade de dependerem do "melhor sistema de transporte público do Brasil":












































Esta situação aqui eu faço questão de mostrar: a "boa educação" dos usuários do transporte público que têm tanta pressa ao entrar no ônibus e pegar um lugar para sentar que não sabem nem esperar quem está descendo dele. E notem que pelo jeito nem são pessoas idosas e cansadas. É outra situação bastante comum principalmente nas estações tubo, mesmo com a constante gravação dentro dos coletivos pedindo que aguardem sempre o desembarque ao embarcar. E o curitibano ainda quer se achar o tal e acreditar que tem o melhor transporte público do país (imaginem o pior então).







Essas estações tubo de ligeirinhos e biarticulados, típicas da capital paranaense, a primeira vista podem parecer bonitas. Mas vale lembrar que um treco desses custa vários milhares de reais e deixam o cobrador que fica nelas e não nos ônibus a mercê de assaltantes, principalmente em estações de periferia como a do Osternack. Provavelmente uma tática egoísta da URBS, pois se estivessem um cobrador em cada ônibus teriam que contratar mais funcionários. Além disso como vocês podem ver na foto em horários de pico não comportam tanta gente. Notem o tamanho da fila que se forma fora dela. Modelo de transporte público?
A logomarca símbolo da máfia do transporte coletivo, também conhecida como indústria de multas, caixa dois da prefeitura e outros adjetivos que lhe bem cabem. Uma das empresas mais odiadas de Curitiba.
-Acredite se quiser, mas aqui em Curitiba em muitos lugares você tem que pagar para estacionar o seu carro na rua, se não pode ser multado pelos guardinhas da Diretran que por sinal pertence à URBS. Detalhe: não fica ninguém cuidando do seu carro e se o furtarem ou danificarem garanto que eles não se responsabilizam. Dizem que é para fazer o rodízio de carros e não permitir que um único fique o dia inteiro no mesmo lugar. Para mim um oportunismo deles, mais uma maneira de roubarem o povo, no caso aqueles que boicotam o ineficiente sistema de ônibus e utilizam seus automóveis. Só que eu também não sou bôbo: coloco nossos carros em estacionamentos particulares onde realmente ficam bem guardados e não lhes dou um tostão sequer. Que todos façam o mesmo!








-A rede de ciclovias deixa a desejar, é incompleta e mal conservada. Não há estímulo da prefeitura para se usar este meio de transporte nem aluguel de bikes como na Europa. Sorocaba por exemplo dá de dez a zero em Curitiba quanto à ciclovias.

-É um povo mal educado no trânsito, egoísta que quase nunca colabora com os outros, apressadinho, mas que no entanto quando abre o sinal ficam “dormindo” e atrasando quem está atrás para depois andarem além do limite da rua para compensar. Isso sem contar que muitos viram e não ligam o pisca ou o ligam muito em cima da esquina e adoram buzinar para irritar os outros (eles não aprenderam pelo código de trânsito que o uso da buzina deve se restringir a um breve toque e apenas para alertar pedestres ou outros condutores).


Eis aqui outra foto que comprova bem a "educação européia" dos curitibanos.
















Foto tirada publicada pelo jornal Gazeta do Povo mostrando o trânsito no centro no dia mundial sem carro. Eh, eh, mas que dia mais sem carro heim? É uma situação comum em Curitiba em horários de pico principalmente: o trânsito está a caminho do caos simplesmente! Até parece uma São Paulo em miniatura. Mas pelo menos nisso não culpo o motorista curitibano: como que vamos deixar nossos carros em casa com estes ônibus saturados de gente? Nem sempre se pode usar a bicicleta: eu trabalho a quase 20 km de casa e no percurso tem várias subidas e descidas, isso sem contar as ruas mal conservadas e o clima que pode mudar e chover de repente. Quem tem o mínimo de condição não vai querer andar em pau de arara mesmo!


-Os curitibanos são fechados, desconfiados, fazem panelinhas, não são hospitaleiros e dispostos a fazer novas amizades como o nordestino e carioca por exemplo. Aqui é comum você morar anos em um mesmo lugar e o vizinho nem te cumprimentar de manhã. Te olham com desdém se você tem um estilo diferente. Aqui a aparência e o modo de se vestir pelo jeito contam. Claro que não são todos, tudo tem sua exceção.

-Para os homens tímidos e solteiros: a mulherada é devagar demais, sem iniciativa (depois querem direitos iguais), orgulhosas e que ficam se fazendo de difícil mesmo quando estão a fim do cara. Ou então tímidas. Salvo raras exceções.

Eu particularmente estou procurando conhecer outras cidades e capitais, ainda pretendo mudar de Curitiba. Nasci aqui e não me adapto.












18 - A MULHER TAMBÉM PODE TOMAR A INICIATIVA NA VIDA AMOROSA

Após anos de dificuldades e tentativas frustradas em conseguir me relacionar com garotas devido à minha timidez, comecei a refletir sobre as causas e também sobre os métodos a usar. Foi num desses momentos que me ocorreu um questionamento repentino: “afinal por que o homem é quem tem que se aproximar e iniciar a conversa com uma mulher? Ela também pode tomar iniciativas e há alguns anos luta para ter direitos iguais. E se o indivíduo é muito desajeitado, envergonhado ou tem qualquer outra dificuldade ou bloqueio? Por que só ele tem que lutar para superar isso se os direitos são iguais? Onde está a compreensão e sensibilidade feminina que tanta gente procurava incutir em nossa mente?” A partir disso busco analisar a situação.

Durante milênios a mulher foi considerada um ser inferior, frágil e que devia ser protegida pelo homem. A ela cabia as tarefas domésticas e criar os filhos. O homem se ocupava da caça, da guerra e de trazer o sustento para o lar. Houve uma divisão de trabalho, de papéis. Isso foi bom e prático? Se refletirmos um pouco poderemos concluir que em determinados momentos sim. Um exemplo disso, seria durante a gestação e amamentação, em que é mais proveitoso a mulher ficar em casa se ocupando de atividades mais leves. No entanto essa contínua separação de atividades entre os sexos provavelmente criou a dependência e submissão feminina. E também o preconceito entre serviços “masculinos” e “femininos”. Se por natureza elas são mais fracas fisicamente, com essa cultura ficaram ainda mais vulneráveis, pois não exercitaram seus músculos com serviços mais pesados, não aprenderam a manejar armas nem a defesa pessoal em grande parte das culturas. Alguns irão objetar dizendo que o corpo feminino não foi feito para isso. Ao que respondo que se elas exercessem essas atividades ao menos dentro de suas possibilidades, estariam em melhores condições do que não as praticando. Na China antiga houve uma monja de Shaolin que se destacou por criar um estilo de Kung Fu chamado posteriormente de Wing Chun, de aprendizado mais fácil e rápido e excelente como defesa pessoal. Diz a história que uma discípula sua derrotou um lutador masculino com um único soco. Na Europa houve o caso de Joana d’Arc, que lutou na guerra em defesa da França disfarçada de homem. Fatos como estes mostram que as mulheres não precisam ficar naquela condição de só saber fazer serviços domésticos.



Por outro lado, o homem seria mais versátil se soubesse cozinhar, lavar roupas, ajudasse a criar e educar os filhos e outras tarefas tidas como femininas. Entendo que tudo começou e prosseguiu errado desde o princípio dos tempos.


No Século XX as mulheres se emanciparam mais, conquistando o direito ao voto, a cursar uma faculdade e a atuar em profissões tradicionalmente masculinas como polícia, motorista de ônibus e caminhões, medicina, engenharia, detetive, cargos de chefia e outras. Há até as que praticam fisiculturismo ou musculação, que é ainda um grande alvo de preconceitos tanto de homens quanto de outras mulheres. E surgiram certas correntes de pensamento feministas. Algumas pessoas são exageradas, pensando que elas são mais sensíveis, mais compreensivas, mais caprichosas e superiores em certas coisas. Idéia que se for aplicada indiscriminadamente não corresponde à realidade, pois existem os românticos, sensíveis e compreensivos. E nem todas elas são assim.


Essas conquistas femininas são justas, no entanto há um ponto crucial onde ainda o velho machismo perdura: a moça que toma a iniciativa na conquista de um rapaz é muitas vezes tida como de vida fácil, não tem estima própria, é muito atirada, está desesperada, além de alguns adjetivos chulos por parte de ambos os sexos. A velha e antiquada educação nos ensinava que as meninas tinham que ser mais comportadas, mais reservadas e se manterem virgens e puras até o casamento. Já aos rapazes era bem mais aceitável que tivessem experiências sexuais antes do matrimônio. Embora houvesse o aspecto positivo da garota valorizar o seu corpo, a própria educação era discriminatória e preconceituosa. Quem nunca ouviu falar que menina brinca com boneca e menino brinca com carrinho? Que garoto que gosta de boneca é mariquinha? As gerações mais antigas sabem bem sobre isso. Outro exemplo desta contradição da sociedade é a idéia de que a cor rosa é para as garotas e o azul é para os garotos. Se eles usam roupas cor de rosa são taxados de gays, no entanto se elas usarem azul ninguém as chama de lésbicas. Difícil de entender, não?


Igualmente a esses velhos tabus, vem de tempos remotos esse ensinamento de que a função da mulher é apenas atrair e ao homem cabe a iniciativa de cortejá-la. Mas e quando o rapaz fosse tímido? Era ensinado a superar a timidez e advertido de que criasse coragem, como se fosse uma coisa tão fácil e simples de ser resolvida em todo e qualquer caso. Novamente uma educacação contraditória, pois se era incutido que a mulher é sensível e compreensiva então ela deveria levar em consideração as dificuldades do seu pretendente e também partir para o “ataque”. Injusta e discriminatória por só dar a vez a elas quando o tema é conquista amorosa. Por que só os homens têm que se empenhar nisso e elas ficarem de “braços cruzados”? Será que a moça que chega no seu pretendente é realmente uma pessoa que não se valoriza e tem vida fácil ou é o velho machismo que nos leva a fazer generalizações sem fundamentos como a das cores rosa e azul e do fato da garota ser romântica e o rapaz ser mais rude? Se pensarmos um pouco e deixarmos o preconceito de lado veremos que elas podem vir puxar conversa e até jogar uma cantada, sem no entanto, serem vulgares como muitos julgam. Comigo mesmo já aconteceu isso algumas vezes, embora sejam raros esses momentos maravilhosos. Óbvio é que elas tem que tomar as devidas precauções quanto ao tipo de pessoa que irão abordar.


Me impressionei muito quando ouvi falar que em certos países europeus como Inglaterra, certas mulheres tomam a iniciativa quando se interessam por um homem. Até mesmo para uma aventura amorosa de uma noite apenas elas convidam o indivíduo com a maior naturalidade ou conforme o dizer popular: “com a maior cara de pau”. Infelizmente, a maioria dos brasileiros ainda estão muito atrasados mesmo em pleno século XXI, por isso muitos estranhariam este comportamento. Principalmente na cidade onde vivo, Curitiba, onde as pessoas são em geral muito fechadas e conservadoras, sendo que coisas novas, estilos ou idéias não convencionais as deixam escandalizadas, sem nem ao menos haver uma análise e tentativa de entendimento por parte delas. Típico comportamento curitibano.


Mas, se hoje elas querem ter o direito de trabalhar fora de casa, estudarem, entrarem na política, liderarem uma empresa e terem salários iguais então por que não estão dispostas também aos deveres do homem? Tenho observado que várias delas evitam levantar e carregar caixas e outros objetos pesados, mesmo quando não é um peso tão grande que coloque em risco a integridade física. Outra ocasião é quando se trata de pagar uma conta numa lanchonete por exemplo. E, principalmente, quando se trata de tomar a iniciativa no namoro ou mesmo só para ficar aí a maioria delas acham que esse é o papel do homem. Então querem direitos iguais só quando é vantajoso ou mais fácil para elas? Vantagens de forma unilateral é direito igual? Os termos comodismo e egoísmo são mais coerentes às que tem esse pensamento. Não querem arregaçar as mangas e lutarem pelo que querem como os homens fazem? Realmente não consigo entender como em pleno século XXI, com todo esse liberalismo e sexualidade que se vê na televisão, na música, no carnaval e no comportamento dos jovens, ainda se conserve tanto um tabu típico de outras gerações! Mais uma vez a própria sociedade mostra ser a contradição dela mesma.


Obviamente existem exceções, onde foram elas que chegaram nos namorados ou ficantes. Eu próprio testemunhei isso acontecendo comigo mesmo. Percebo essa situação ocorrer com bem mais facilidade fora da região onde vivo. Algum tempo atrás fui a Joinville-SC, e uma garota atendente de uma lanchonete me disse não entender o porquê das curitibanas não se interessarem pela minha pessoa, pois eu era um rapaz bonito. Em janeiro de 2009 fui a Cornélio Procópio especificamente para conhecer uma danceteria da cidade e verificar a diferença entre as garotas de Curitiba e as do Norte do Paraná. E aconteceu algo que é extremamente difícil e raro acontecer comigo por aqui: uma garota de uns dezoito ou dezenove anos se sentou ao meu lado e puxou conversa. Logo antes uma amiga dela também tinha falado comigo. Ela até colocou o braço atrás dos meus ombros, apoiado no banco. Disse que estava a fim de ficar comigo. E tudo sem ser vulgar, nem nas palavras, nem nos gestos e nem nas suas roupas (estava de blusa de mangas compridas e calça se não me engano). Esse é um exemplo claro de que a mulher pode muito bem tomar a iniciativa sem ser apelativa nem se desvalorizar.


Isso sem contar as outras garotas que me jogaram cantadas na rua, em danceterias e em colégios algumas vezes, infelizmente raras. Meninas que superaram esse machismo.


Concluindo: infelizmente ainda são minoria as pessoas que ampliaram seus horizontes a ponto de entender isso. Alguns me colocaram que elas foram educadas dessa forma. Na verdade foram, concordo. Assim como também foram ensinadas por muito tempo a só servirem para serem mães e para o lar. Um dia tomaram novos rumos não é verdade? Na minha mente também tentaram colocar que cor de rosa é uma cor feminina, que o homem tem que ser mais rude, que só meninas podem brincar de casinha, que o homem é mais relaxado com a caligrafia e com a higiene pessoal, que são elas que demoram para se arrumar para sair e outros resquícios de uma sociedade atrasada. E nem por isso eu me conformei a viver dessa forma! Já está na hora das pessoas abandonarem essa visão obtusa da realidade. Estamos num novo milênio. Mulheres de iniciativa continuem assim sempre! Homens tímidos ou inconformados com esse sistema protestem e exijam que os direitos sejam realmente iguais! Sem, no entanto, exagerar achando que toda e qualquer garota tem a obrigação de chegar em vocês. Devemos entender que existem as tímidas que ainda precisam ou preferem que os homens as conquistem. O que não devemos admitir é o preconceito e a intolerância vigente até agora. O mundo sempre foi assim? Pode ter sido, assim como sempre houve injustiça, só que isso não significa que esteja correto. Já que começou e prosseguiu errado até agora, devemos então procurar corrigi-lo nem que seja paulatinamente e não sermos conformistas. O ideal seria uma sociedade mais unissex onde não houvesse essa absurda “guerra dos sexos”. Onde tanto homens quanto mulheres se respeitassem e cada um procurasse compreender as particularidades do outro. Onde a mulher tímida teria o extrovertido que tomasse a iniciativa e o homem tímido e sem jeito teria a pretendente realmente compreensiva, sensível e que tomasse toda a iniciativa possível. Só assim, haveria realmente igualdade de direitos.

terça-feira, 6 de julho de 2010

17 - TENTANDO ENTENDER O PORQUE DE EU AINDA ESTAR SOZINHO...

A PARTE DO PROBLEMA QUE ESTÁ COMIGO, EMBORA NÃO SEJA MINHA CULPA:

Primeiro: nasci tímido e não escolhi ser assim. Essa é a meu ver uma das primeiras injustiças que a vida me colocou. Fiz o possível para melhorar e melhorei bastante sim, se comparado aos meus tempos de criança. Antes não estaria nem escrevendo este blog. Jamais falava em público, nem com estranhos a não ser que puxassem conversa comigo primeiro. C
om garotas menos ainda. Não expunha minhas opiniões na maioria das vezes e também não me defendia de deboches ou críticas por parte de outras pessoas estúpidas. Engolia sapos e às vezes baixava a cabeça como se diz. Essa é uma das razões que me fizeram perder muitas e boas oportunidades desde criança. Ainda bem que isso mudou. E não foi por causa de psicólogas, que para mim não resolvem nada a não ser fazerem perguntas cretinas e dizerem que não existe uma receita para resolver nosso caso. Digam que são elas que não tem um método eficaz ou mesmo competência por parte de algumas, que aí eu acredito! Se tem dois profissionais em quem não confio são psicólogos e políticos. E a receita para mim foi fazer oficinas de teatro, interpretação para vídeo e tv, curso de manequim e modelo e estagiar onde eu trabalho, o que me fez ter contato e falar com turmas de escolas e colégios. Prefiro um amigo para desabafar meus problemas do que uma pessoa que não conheço e que em cinco anos de curso acha que pode desvendar a vida de uma pessoa, sendo que cada um é diferente. A experiência de vida e maior maturidade me ensinaram a nunca baixar a cabeça e bater o pé até o fim quando estou certo.

Segundo: como éramos até bem mais pobres do que hoje, meus pais só conseguiram comprar um imóvel bem na periferia de Curitiba, onde naquela ocasião haviam pouquíssimos vizinhos e quase nenhuma criança da minha idade para que eu me enturmasse. Não tive ambiente para que vivesse uma infância plena, meus pais eram mais caseiros e não viajavam para muitos lugares (também por falta de dinheiro mesmo). Tem lugares que hoje eu queria muito ter conhecido e que nem mais existem. Para vocês terem uma idéia: cinema só fui conhecer devido a escola que me levou. Praias só fui pisar em uma depois de adolescente devido a um primo meu e seus amigos. A minha mãe comentou que eu não entrei em jardim de infância por causa da nossa condição financeira e devido ao fato de não haver nenhum por perto.



Outra coisa que me prejudicou muito foi o fato da minha irmã ser deficiente mental permanente. O meu amigo Marcos Antônio foi quem observou que se ela fosse normal eu poderia conhecer outras garotas através dela, pois uma sempre tem amizade com outras. Até nisso levei azar.




Teve outro motivo que me fez demorar muito para conhecer danceterias, fazer teatro e tentar a sorte jogando na loteria também: a religião dos meus pais e da maioria da minha família! Pode até ter ensinamentos bons isso ninguém pode negar, mas é contra coisas que não tem mal nenhum. Uma parte dos meus parentes ainda são bitolados com as idéias de que dançar é ir para o mau caminho, de que ser ator não é coisa de cristão e de que é errado jogar na mega sena. Queriam que eu namorasse a casasse com alguém da nossa igreja, só que esse Deus deles nunca colocou uma mulher da igreja na minha vida que me agradasse como minha mãe disse que aconteceu na vida dela. De tanto orar, esperar e nunca dar certo aos poucos fui começando a questionar certos ensinamentos e me revoltei ao ver o entrave que causaram em minha vida. Hoje nem em religião eu acredito mais e para dizer bem a verdade tenho dúvidas se existe esse Deus ou não.
Não concordo com a idéia de que é pecado dançar: em que parte da Bíblia isso está escrito? Me mostrem! Nessa mesma Bíblia tem um versículo dizendo Louvai ao Senhor com Cânticos, com danças... Nessa mesma Bíblia é citado que o Rei David dançava. Então... me expliquem isso!
Acho que não tem muito a ver essa de que cristão não pode ser artista. Não pode por quê? Disseram que eles tem uma vida promíscua, que não param com uma só mulher ou com um só homem e tal e tal. E quem disse que eu preciso ter a vida igual a deles se sempre fui diferente da maioria das pessoas? Nunca gostei de Carnaval que eles tanto criticam, não gosto agora que não sigo religião nenhuma e não vou ir com certeza de conseguir seguir a carreira de ator.
Não concordo também que é errado jogar na loteria, desde que você não fique viciado nela e deixe das suas necessidades básicas para jogar. No meu caso eu nem jogo toda semana, mais quando estão acumuladas e faço apenas uma cartela para cada. Não vão dizer que não tenho autodomínio! Já sei que pode ser que alguns fanáticos estão pensando agora: "abençoado seja o dinheiro do nosso trabalho". Se o nosso trabalho nos pagasse um salário suficiente para todas as nossas necessidades aí eu até poderia lhes dar alguma razão. Ora, todos nós sabemos que neste país poucos ganham o suficiente. O salário mínimo está longe de ser aquele que a Constituição Brasileira prega. Azar de vocês por não aproveitarem esta oportunidade! Ah, tem outra coisa que quero dizer aos fanáticos religiosos: se o dinheiro não traz felicidade me dê o seu e viva feliz!
Uma das coisas que mais me prejudica é que nasci na pior ou numa das piores cidades para se ter uma vida social: Curitiba, a capital anti-social, que além de ter um clima ruim tem um povo fechado, que faz panelinhas, não cumprimenta nem os vizinhos apesar de morarem perto há anos e te olha com preconceito se você tiver um estilo diferente que choque o seu conservadorismo. Mulheres sem iniciativa, metidas ou recatadas demais onde o homem tem que ser muito cara de pau e insistente, pois muitas ainda ficam se fazendo de difícil mesmo se estiverem a fim dele. Como se tivessem o rei na barriga e fossem mais do que as outras brasileiras.
Sobre o meu local de trabalho: não me ajuda em nada, é um ambiente universitário e não é bem o tipo de mulher que procuro. Eles têm outra cabeça e não curtem as mesmas coisas que eu, principalmente as danceterias. E não têm aquele calor humano das pessoas mais simples (claro que tem suas excessões). Não entro em sintonia com esse tipo de gente de modo algum.
Voltei a estudar no Ensino Médio de noite mas hoje em dia é difícil um jovem que tenha a cabeça no lugar e um objetivo de vida mesmo. Não querem nada com nada os alunos da noite, mesmo dando algumas pessoas mais velhas. E de manhã não pude estudar por causa do meu trampo. Vamos ver se no curso de inglês ano que vem no Colégio Estadual do Paraná vou ter mais sorte.
Festas, barzinhos e baladas? Quase sempre vou sozinho, pois quase nunca meus amigos podem ir junto. Normalmente vêm aquela resposta de não terem dinheiro e alguns não curtem. E em Curitiba principalmente se você for tímido para iniciar conversa com um estranho você irá sozinho e voltará sozinho. Se você for como eu terá que ser apresentado por alguém do grupo para poder se enturmar. O curitibano não é aberto a novas amizades como cariocas, nordestinos e outros brasileiros lamentavelmente. Aliás até desanimei de bares e festas por aqui, só vou curtir um som na Apotheose, Planeta Ibiza ou de vez em quando na Millenium porque gosto do ambiente e de algumas músicas, mesmo quando não conheço ninguém. Me divirto mais quando pedalo a Dance Bike por aí nos finais de semana.
Viagens? Agora estou investindo mais em viajar para fora de Curitiba, geralmente para outros estados, sempre procurando conhecer casas noturnas onde nunca fui, uma outra galera. E dando preferência para viagens aéreas, a nova paixão que descobri, pois pode ser que eu cruze uma hora ou outra com alguém da mídia que pode expor o meu caso em rede nacional. Até quis fazer um curso de piloto privado mas infelizmente tenho o azar de ser míope e isso me barra outra vez. Vou quase sempre sozinho o que detesto, mas se esperar companhia nunca vou conhecer lugar nenhum. Nunca ninguém está disposto ou pode, nisso tenho todo o direito de reclamar da vida sim!

Finalmente uma coisa que sempre me acompanhou e que nisso eu tenho o direito de reclamar também: minha falta de sorte! E não adianta virem me dizer que não é. Quase sempre quando eu me interessava por uma garota ela não sentia o mesmo por mim. E quando uma demonstrava interesse ela não fazia o meu biotipo. Até hoje é assim infelizmente, não tenho a sorte de encontrar a mulher certa. E não sou o tipo que fica com qualquer uma , tenho que achá-la bonita, atraente e ao mesmo tempo legal, conversadeira, alegre e que tome a iniciativa de falar comigo. Também nunca tive sorte com jogos e sorteios e nas pouquíssimas vezes que ganhei algo não era uma coisa que me fosse útil, salvo o caso único de um relógio que ganhei numa rifa. Sabe aquilo que muitos homens contam que quando viajam uma mulher bonita foi sentada do lado deles no ônibus e trocaram idéias a maior parte da viagem? Pois comigo o que acontece é que ou a poltrona do meu lado vai sozinha ou é um homem que se senta do lado na maior parte das vezes. E quando é mulher é uma senhora casada ou com criança. Numa viagem do Norte do Paraná para Curitiba há vários anos uma garota bonita de cabelos longos e escuros se sentou do meu lado. Parecia simpática mas tinha uma aliança de noiva no dedo. Na minha última viagem de ônibus a Campinas-SP fui por um percurso mais longo que passava por Ponta Grossa-PR e em que o ônibus fez muitas paradas. Subiram e desceram tanta gente. Vi uma loira de cabelos lisos bonita mas acompanhada. As outras não se sentaram do meu lado. Somente homens. Um era até gente fina e foi conversando comigo. Legal mas eu preferia uma mulher! Na volta vim de avião a jato, um AirBus A 320 da TAM. Minha primeira viagem de avião. Sozinho de novo, veio pouca gente. Mas pelo menos teve as aeromoças (comissárias de bordo) que falaram comigo e prestaram a atenção nos anúncios do meu traje de Dance Boy. Viajei de novo de avião à Porto Alegre-RS num Boeing 737 da Webjet e um senhor foi sentado do meu lado. Na volta de avião também, só aí que aconteceu um fato inédito: eu na janela e uma loira de cabelos lisos e longos se senta do meu lado e me diz bom dia. Logo em seguida uma clara de cabelos castanho escuros se senta do lado da loira (as poltronas são em grupo de três. Só que as duas pegaram no sono, coisa que não consigo fazer em aviões. A loira não devia ser curitibana pensei, talvez uma gaúcha vindo a minha cidade, porque se fosse daqui nem cumprimentaria um estranho. Foi só esta vez que me lembro que uma loira vem do meu lado. É sempre assim, sempre, posso viajar o tanto que quiser!


A PARTE QUE ESTÁ COM OS OUTROS
Primeiro que as garotas não me valorizavam, acho que nunca foram com meu comportamento. Acredito que a maioria não gosta de homens tímidos ou reservados. Pode ser que não gostem das minhas idéias também, pois muitas são diferentes da maioria. Para os ignorantes que já vem querer me malhar dizendo que com um visual destes nunca uma vai se interessar por mim eu já vou fazer aqui a eles umas perguntinhas que não querem calar:
- Se fosse por causa dele então como que antes de ter este estilo eu também não tinha sorte com elas? E já usei tanto tênis como sapato, esporte fino, jeas, social, bermudão, roupas largas, todo de preto etc. Vários estilos. Me respondam essa!
- Se eu sou estranho com este traje então como que bandidos, presidiários, traficantes e outros caras que não valem a comida que comem têm mulheres até bonitas? Eu sou menos homem que eles então?
Pois é, o problema dessa gente é julgar as pessoas pelo seu estilo, visual, condição sócio-econômica e pela primeira impressão apenas. Mas analisar os outros a fundo antes, ver o seu caráter e os seus pontos positivos infelizmente não é uma qualidade para qualquer um. No meu caso elas que não sabem me valorizar. Tem uma ou outra mulher que diz que eu tenho aparência e não entende como nenhuma se interessa. Mas noto que só ouço isso de mulheres mais velhas que eu ou casadas. Queria ver uma loirinha de cabelos lisos ou castanha que seja e de danceterias falar isso, aí sim!
E segundo é aquilo de que já falei: a maioria delas é devagar, parada demais e não chega em mim para conversar. Dizem que querem direitos iguais (somente quando é cômodo para elas) mas no entanto ficam esperando o seu parceiro como que cair do céu. Principalmente a mulher curitibana, que vive pelo que o cara vai pensar dela e não tem uma personalidade própria e inabalável. Uma boa parte delas são tímidas, nisso não posso criticar por também ser um. Mas uma outra parte tem outro defeito também além da falta de iniciativa: são orgulhosas e ficam se fazendo de difícil mesmo quando estão a fim simplesmente. E eu detesto isso, não penso como os outros caras. Admiro a mulher firme, determinada, decidida e que sabe o que quer. A vida já tem tantos problemas, para que complicar as coisas? Vamos simplificar o que pudermos!
Sobre estes dois problemas, viver em Curitiba e o fato das mulheres quererem direitos iguais e no entanto não chegarem na gente, eu estou dedicando um capítulo para cada um onde exporei mais detalhadamente as duas situações e o que penso disso (com direito a fotos que comprovam e tudo o mais). Não deixem de ler os dois que se seguem....

domingo, 4 de julho de 2010

16 - AS DANCETERIAS DOS ANOS 90 ME DEIXARAM SAUDADES

Como já comentei atrás, curti a maioria das danceterias de Curitiba da década de noventa. Os bons tempos dessas casas noturnas foram justamente nos anos 80 e 90! Não falo nada dos 70 porque nunca pisei em nenhuma naquela década. Hoje em dia estou desanimado porque caiu bastante o nível em varios pontos:

- Não tocam mais Euro Disco, Ítalo Disco, Lentas românticas nem a Dance Music dos anos 1990. Vejam, não estou dizendo que não se deva tocar nenhum lançamento! Embora hoje nem todas as músicas sejam marcantes como antes (antes eram uns 90%), tem algumas muito massa que estão bombando nas paradas de sucesso. Mas infelizmente daqui a algum tempo os djs (pelo menos a maioria deles) não colocarão mais esses sucessos para a gente ouvir e curtir. É como eu sempre digo, só valorizam o que é novo. Daqui a um tempo o novo fica velho e ninguém toca mais. É lamentável!

- A iluminação deixa a desejar: antes como eram fascinantes aqueles globos giratórios com luzes coloridas (ou bolas malucas, não sei o nome direito), que mandavam aqueles fachos luminosos no chão e paredes, girando para todos os lados e aquele de lentas com pedaços de espelho colados que girava bem devagar e também projetava luzes no chão. No tempo dos conjuntos eletrônicos do norte do Paraná, tinha umas caixas com uma sequência de lâmpadas cada uma de uma cor e que iam acendendo e apagando uma após a outra. E também aquele tipo de strobo que piscava e dava a impressão de que você dançava em câmera lenta. Nunca me esqueço também do telão e dos fachos de laser do extinto Stúdio 1250 e também de outras danceterias de Curitiba e região em que ia. Nos telões passavam clipes do grupo de dance que estava cantando. Isso tudo dava um visual naquele ambiente de penumbra que encantava a muitos. Hoje vejo que tem danceterias com aqueles globos e que não os funcionam ou só ligam muito poucas vezes. Não entendo o porque de gastar com aquilo se não usam.

- Antes tinham festas e promoções que não fazem mais hoje em dia ou pelo menos fazem muito menos: festa do parafuso, festa do semáforo (essas eram boas para as garotas e os garotos se conhecerem), baile do horror (com túnel, monstros e tudo o mais), retrospectiva das músicas que marcaram época, conexão entre rádios e danceterias, filmes que passavam nos telões no começo (em algumas casas noturnas) e outros eventos que deixavam a gente com vontade de ir e saiam da rotina ao longo do ano.

- O nível da galera que frequenta baixou muito ultimamente: começaram a ir malacos que não sabem se divertir e só arrumam confusão. Isso colocou o nome de muitas casas noturnas no lixo! Acho que os administradores deveriam selecionar o pessoal. Felizmente tem algumas danceterias de Curitiba como a Apotheose e Sistema X Geração 2 proibem a entrada desse tipo de gente.


No último dia de funcionamento de uma danceteria em que fui bastante:


Dançando uma música daquela época:

15 - AS MÚSICAS DE DANCETERIA QUE MARCARAM A MINHA VIDA

Uma outra coisa que nunca entendi nesta sociedade nem muito menos consigo aceitar, é o fato da maioria só dar valor em uma música se ela for nova, atual. Quando é lançada, toca-se nas rádios até quase enjoarmos de tanto escutá-la. Só que após algum tempo quase não se ouve mais e muitos nem se lembram dela. Parece que o povão só valoriza o momento e o que está na moda. Se é atual não importa se tem qualidade ou não, se é bela ou não, pois afinal todo mundo ouve mesmo. Esta é uma das atitudes típicas da maioria do povo brasileiro, de mentalidade consumista e superficial, fruto desse capitalismo exagerado, que só visa o lucro sem dar importância à qualidade e ao consumidor. Os exploradores subsistem graças a este povinho medíocre que chega a dizer que quem gosta de passado é museu, é brega e outras babaquices mais. Não tem nostalgia, parece que passam pela vida e não se apegam a nada, nenhuma coisa lhes marca. Aliás, o sentimento hoje em dia infelizmente ficou deixado de lado. Comparem por exemplo, a programação da tevê atual com a de até a primeira metade dos anos oitenta para verem como baixou o nível.

Que saudades das sessões de lentas que havia nas danceterias da década de noventa! Até isso estão deixando de lado hoje. E poucas são as rádios que tocam as boas músicas de outrora. A maioria deixou de lado porque afinal são antigas não é mesmo? Só não entendo o porquê dessa galera comprar cds, se o que eles curtem hoje também vai ficar "velho e ultrapassado" amanhã. Aí terão que deixar de lado cada vez que aparecer outro som mais da moda. Essa sociedade de consumo não está com nada para falar bem a real podem crer!

É por isso
que mais uma vez prefiro ser diferente de quase todos. Para eu não importa se ela é lançamento ou se tem trezentos anos. Desde que seja massa e marque minha vida para mim será sempre atual! Não sou preso a modismos nem sou "Maria vai com as outras".

Quero aqui trazer de volta algumas "pérolas" que marcaram época (são tantas), e peço aos que me lêem para que se puderem me ajudem a encontrá-las. Um dos meus sonhos é ter todas em cds, numa coleção completa, assim como estou fazendo com meus filmes preferidos em dvd, com os livros, fotografias e outras coisas mais. Procuro também os seus clipes musicais em dvd. Mas elas não ficarão paradas: gravarei cds para tocar na Dance Bike e no Dance Móvel.


Revivendo a década de setenta, na época as danceterias eram chamadas de discotecas, embaladas pelo som da Disco Music...

1) THAT'S THE WAY (I LIKE IT) - KC AND SUNSHINE BAND
Esta música é um ícone desta década e agitava as pistas na época daqueles caras com calças bocas de sino, sapatos bicudos, camisetas xadrez e costeletas. Eu tenho um cd desse tempo que contém esse som arrebatador. Esta música aparece no filmme Starski & Hutch numa cena dentro de uma discoteca. Vejam que magnífica performance de dança!


2) PLEASE DON'T GO - KC AND SUNSHINE BAND
Esta é mais lenta e tocava muito nas rádios. Os que viveram nesse tempo devem se lembrar.

3) STAY'N ALIVE - BEE GEES
Tema do filme "Os Embalos de Sábado à Noite", lembram-se? Já assistiram a este filme de 1977, com o ator John Travolta? Eu o tenho em dvd.

4) GOTTA GO HOME - BONEY M
O inesquecível Boney M!

5) WUTHERING HEIGHTS - KATE BUSH


Trazendo de volta os anos oitenta... o tempo do som mágico da Euro Disco, da House Music, do Pop, do Technopop, de tantas lentas românticas e daqueles balanços inesquecíveis!

1) BIG IN JAPAN - ALPHAVILLE (1981)

2) SITUATION - YAZOO (1982)
É para mim um som arrebatador, que me dá um prazer único ao ouvir, como se fosse uma viagem a um mundo de sonhos...

3) THE SAFTY DANCE - MAN WITHOUT HATS (1982)
Quem aqui se lembra desta? Continuou fazendo sucesso na Moustache Sound & Dance até a década seguinte. Foi lançada uma nova versão com poucas modificações e igualmente boa!

4) GLORIA - DONA SUMMER (1983)
Uma das músicas da trilha sonora do filme "Flash Dance".

5) FOOT LOOSE - KENNY LOGINS (1984)
Tema do filme de mesmo nome (original). No Brasil se chamava Foot Loose - Ritmo Louco.

6) TARZAN BOY - BALTIMORA (1985 ou 86)
Acho que ficou famosa como a música de abertura do programa Perdidos na Noite, apresentado se não me engano, pela Rede Bandeirantes de Televisão. Alguém aqui se recorda?

7) BAD BOY - MIAMI SOUND MACHINE (1986)
Também tocava num programa de tarde, se não me engano era do Bolinha.

8) PASSION - (1982)
Maravilha de som, muito massa mesmo! Euro Disco de primeira!

9) ENERGY IS EUROBEAT - MAN TO MAN (1986)
Eh, Country Club de Jaguapitã! Como esse som animava a moçada! Bons tempos dos quais jamais me esquecerei! Cliquem aqui para ouví-la:

10)PUMP UP THE VOLUME - HOUSE MASTER BOYS (1987 se não me engano)
O gênero é House Music.

11) I LIKE CHOPIN - GAZEBO (não sei direito o ano)
Uma música lenta muito linda e romântica. Viajo nesse som!

12) GIVE ME YOUR NAME, GIVE ME YOUR NUMBER - LABAN
Tocava na Rádio Transamérica FM em 1988 e na Caiobá FM de Curitiba.

13) TOUCH BY TOUCH - JOY (em 1989 talvez tenha sido lançada)
É primeira ou uma das primeiras músicas que curti quando entrei pela primeira vez em uma danceteria. Chamava-se Alkatraz e ficava em Jaguapitã, no Norte do Paraná.

14) MOON DESTINATION (não sei o ano de lançamento)
Há mais de uma versão. A que me marcou foi a mais dançante, de ritmo mais acelerado. Não sei qual o grupo ou artista que canta, quero que alguém me dê uma força a achar a música também.

15) DOMINO DANCING - PET SHOP BOYS (1988 ou 1989)
Um technopop que marcou uma época.

16) BOYS - SABRINA

17) SHE DRIVES ME CRAZY - FINE YOUNG CANNIBALS

18) I BEG YOUR PARDON - KONKAN

19) MICHELLE (A WORLD WITHOUT YOU) - BAD BOYS BLUE
Quando a ouço as recordações dos meus primeiros tempos de discoteques vem em minha cabeça como um filme.

20) OH! LAMOUR - ERASURE
Tocava muito no Stúdio 1250 nos seus primeiros anos. Meu Deus, que saudades!

E AINDA LI UM DIA NA INTERNET QUE ALGUNS CRÍTICOS CONSIDERAVAM OS ANOS OITENTA COMO A DÉCADA QUE O BOM GOSTO ESQUECEU, PODE ISSO? O QUE ERA BOM PARA ELES AFINAL???


Anos noventa: a década do aparecimento no Brasil, da fantástica Dance Music, do aumento em número de danceterias e quantidade de frequentadores. Um verdadeiro fenômeno! Quem viveu sabe como foi bom e inesquecível! Quem me dera poder parar o tempo...

1) COCAINE - THE MAXX
Embora seja do final dos anos 80 fazia muito sucesso no começo da década seguinte. Tocava muito na Moustache Sound & Dance, recém inaugurada na Avenida Munhoz da Rocha, 1500!

2) RUSSIAN ROULETTE - ZINNO
Idem a anterior, tocava na mesma época e lugar que a outra. Era um show, uma emoção ouvir essas duas músicas junto daquele jogo de luzes da Moustache.

3) O, OH! - PLAZA
Muito tocada no Stúdio 1250. A galera se agitava com esse som. E eu sentia um tipo de êxtase nesses ambientes de danceterias.

4) PUMP UP THE JAM - TECHNOTRONIC
Foi o primeiro ou um dos primeiros grupos que inauguraram a dance music, o gênero de música dançante que conquistou o mundo! Marcou época no Stúdio 1250 nos idos de 1990 ou 1991.

5)
Uma lenta do 1250, emocionante, marcante e da qual nunca me esqueci!

6) THE HITMAN - AB LOGIC
Simplesmente eletrizante, uma música e um ritmo "hipnótico"!

7) THE TWILIGHT ZONE - 2 UNLIMITED
Um som do outro mundo, assim como o anterior acima!

8) RITMS A DANCER - SNAP! (1992)
Era até tema de uma novela.

9) I'M RAVING (O SI NENE) - L. A. STYLE (1993)
Uma dance que eu chamo de sentimental, um tanto melancólica. Mas uma jóia desse ano de 93.

10) IT'S MY LIFE - DR. ALBAN
Não era bem dance music, era um gênero chamado ragga.

11)
Fez muito sucesso em 1994 mais ou menos.

12) DO YOU WANT ME BABY - LEE MARROW
Que viagem aos bons tempos da dance music!

13)

14) COCO JUMBO - MR. PRESIDENT

15) - KEITH LITMANN
Eh Sistema X antiga! Que saudades! Essa era uma das que agitavam a moçada daquela danceteria.

16) QUEEN OF HEARTS - BAD BOYS BLUE

17) CAN'T GO BACK - FLETWOOD MAC
Embora seja provavelmente uma música dos anos oitenta, ainda era tocada muito na Sistema X em 1996.

18) DANCING WITH TEARS IN MY EYES - CABALLERO
Praticamente um hino da velha e boa Sistema X! Hoje infelizmente esquecido na nova.

19) DISCO ROUGE - DISCO ROUGE
Sucesso de 97 na Moustache Sound & Dance.

20) TAXI FANTASTIC - DRAGANA
Sucesso na antiga Danceteria 360 Graus e na Sistema.

21) GANGSTA'S PARADISE - COOLIO
Um hip hop americano se não me engano. Uma bela e envolvente melodia. As meninas do 1250 de 98 adoravam.

22) CONFUZIONE - DJ GROVY
Animava a pista da 360 no Boqueirão. O ano? Se não me engano foi em 98 ou 99.

23) MOUNTAIN SOUND - BINGO BOYS
Querida 360 graus, bons tempos!

24) SEXY - FRENCH AFFAIR

25) TWO TIMES - ANN LEE


E do ano 2000 em diante?

Infelizmente caiu muito o nível de qualidade, tanto das músicas quanto das casas noturnas e de seus frequentadores. Como comenta um outro site, hoje em dia ao fazer música se prioriza mais o dinheiro que se ganha e o modismo, deixando a qualidade e o bom gosto de lado. Lamentavelmente!

Entretanto tem algumas que se destacam e estão marcando época também (ou já marcaram). Vejam algumas:

1) IF YOU - MAGIC BOX

2) SEXY GIRL - BROTHERS

3) I'LL FLY WITH YOU - GIGI DAGOSTINO

4) - OZONE

5) A FESTA É AQUI - DM'BOYS

6) SHAKE IT - KASINO

quarta-feira, 30 de junho de 2010

14 - A “ERA” DO ORKUT

Acho que no meu diário talvez eu poderia dividir a minha vida em fases: o meu nascimento e a infância da qual não me lembro, a infância a partir da qual me lembro até entrar na escola, a entrada na escola até conhecer o primeiro amor da minha vida, a grande paixão e desgraça da minha vida e a fase das danceterias (que nunca se acabou até agora). Esta eu poderia dividir em outras fases menores como a que eu ia sozinho nas danceterias, depois a dos meus amigos de baladas que começou quando conheci o Fábio e sua família em conjunto com o começo da minha grande campanha para ser visto pelas mulheres. E finalmente o “surgimento” do Dance Boy com seu carro e bicicleta personalizados.

Mas tem outra da qual não posso deixar de falar e que sem dúvida está me ajudando muito. Logo depois de conhecer a minha amiga Andréia de São José dos Pinhais, ela me convidou para fazer parte do site de relacionamentos chamado Orkut. Já tinha ouvido falar dele mas não sabia direito como funcionava e era preciso ser convidado para poder participar. Logo aceitei o convite porque aí poderia divulgar minha imagem e as minhas idéias finalmente para muitas e muitas pessoas no país todo. Primeiro levei algum tempo para aprender a lidar com o sistema. Precisei digitalizar as fotografias e incluí-las e a descobrir comunidades para participar. Coloquei até a história da minha busca por uma garota e a minha jornada nas danceterias. Isso porque no perfil do usuário dá para colocar um link para a sua página da web. Eu coloquei um que traz o visitante para o blog que você está lendo agora.

Achei o Orkut uma poderosa ferramenta de propaganda e um meio de encontrar pessoas com gostos semelhantes aos nossos. Tanto que um cara chamado Fabiano, que estudou comigo na 6a série do ensino fundamental no tempo da Vanessa, me localizou depois de vários anos e dele ter se mudado para São Paulo. Outra coisa boa que me aconteceu foi descobrir que tinham sido feitas comunidades para me homenagear por causa da idéia do Dance Boy. Um pessoal do Rio de Janeiro também criou outra especialmente para me ajudar a ir no Programa do Jô.

Teve coisas das quais não gostei: criaram algumas para falar mal de mim, tive discussões acirradas em certas comunidades e desrespeito de pessoas sem caráter, que entravam na minha página de recados para me rebaixar (no Orkut não dá só gente confiável como se pretendia fazer). Mas a minha grande decepção mesmo foi que até agora em que estou postando esse capítulo, não consegui conhecer pessoalmente quase nenhum dos meus amigos virtuais. Os que eu conheço pessoalmente já os conhecia antes de um de nós começar a participar desse site.

Mas espero estar cara a cara com eles um dia. Pelo menos agora finalmente estou conseguindo ficar cada vez mais visto. E minhas imagens virtuais e tudo o que as acompanha podem ficar o tempo todo disponíveis para a galera ver, ininterruptamente. Uma coisa muito legal é que muitos podem me ver ao mesmo tempo e no país inteiro. Me dá um tipo de sensação de ser unipresente. Isso ampliou muito o meu “raio de ação”. Eu em pessoa não poderia ficar 24 horas por dia andando por aí nem estar em muitos lugares ao mesmo tempo. Desde que foi instalado o contador de acesso aos perfis dos orkutianos, o meu perfil foi acessado mais de trinta mil vezes! Nesse ponto posso dizer que levei sorte em viver na época da mídia, da internet e em especial do Orkut!

13 - COMEÇANDO A APARECER NA MÍDIA

1)UMA ENTREVISTA COMIGO PARA A INTERNET:

E aí galera? Recentemente fizeram uma entrevista comigo para colocar na internet. Gostei bastante porque o Alessandro Martins é bom nisso, fez as perguntas certas que me deram a deixa para falar muita coisa que estava entalada dentro de mim a muito tempo! Se quiserem dar uma olhada na matéria, o site é:


http://livroseafins.com/dance-boy-e-sua-tatica-exotica-para-conquistar-as-mulheres/a-tatica-exotica-para-conquistar-as-mulheres/


2)UMA ENTREVISTA COMIGO PARA O JORNAL GAZETA DO POVO: 


Eis aqui um dos meus sonhos realizados: sair na Gazeta do Povo, o jornal mais vendido de Curitiba e provavelmente do Paraná. Pena que as letras estão muito pequenas aqui. Já tinha sido matéria de outros jornais mas para mim este dia 12 de junho de 2007 foi uma conquista. Pena que não saí num domingo quando mais gente lê. Um dia quero ir em programas a nível nacional como o do Jô Soares. Só assim para aumentar minha chance de achar (ou ser achado) pelas garotas.
 

3) UM VÍDEO QUE UM PESSOAL DA UFPR FIZERAM SOBRE MINHA PESSOA:


















4) REPORTAGEM PARA O PROGRAMA BALANÇO GERAL DA RIC TV:



 


domingo, 20 de junho de 2010

12 - A DANCE BIKE

Foi então que resolvi criar também a Dance Bike, a minha bicicleta personalizada, o segundo meio de transporte do Dance Boy. Ela teria o mesmo anúncio luminoso do carro, conjunto de luzes e o som. Novamente foram muitos meses tentando superar as dificuldades técnicas para principalmente adaptar o conjunto de som nela. E achar um profissional que fizesse os vários tipos de serviços necessários. Que dificuldade gente! Mas depois de muita ansiedade, esquentação de cabeça e uma boa quantia de dinheiro gasta, finalmente a minha típica persistência de sempre venceu tudo. Agora a minha vida tinha se tornado assim: trabalhava de segunda à sexta das 08h30min às 17h30min, nas segundas e quartas ia com o Dance Móvel na entrada das aulas das escolas e colégios às 19 horas e depois rumava para a academia. Nas segundas e quartas praticava Musculação e nas terças e quintas Kung Fu. Na sexta se o tempo estivesse bom andava com a Dance Bike pelo bairro onde moro ou pelos bairros vizinhos. Se estivesse chuvoso e eu sem companhia ia a shopings. Às vezes podia contar com um amigo e então íamos a barzinhos ou lanchonetes muito freqüentados. Sempre em várias regiões da capital. Sábado à tarde era o meu grande dia de rodar com a minha bicicleta pelas ruas desta cidade e região, incluindo os parques, praças e locais bem freqüentados. Fazia questão de passar pelas vilas onde estavam garotas reunidas nas calçadas ou em frente de casa. Quando não dava para sair devido ao tempo chuvoso ia rodando a cidade de ônibus pelos terminais. E claro, no fim de tarde de domingo pegava o Dance Móvel e ia marcar presença e me divertir nas danceterias, os meus segundos lares no domingão, quase sempre em companhia do Fábio. Cada domingo ia a uma, variando sempre e fazendo toda a galera jovem saber da existência de Adial Júnior, o Dance Boy. Desta vez eu obrigava elas me verem. Eu fazia acontecer, ao contrário do que antes aconteceu comigo por acaso e nem sempre ao meu favor. Gostassem ou não eu passei a dedicar minha vida a este ideal. E não estava nem aí com o que os outros poderiam pensar. Sempre tive em mente que as pessoas que se assustassem com estas minhas atitudes eram as preconceituosas e atrasadas, as quais quero longe de mim. Poderia até não conseguir mulher, mas uma coisa conseguiria: ficar uma figura exótica famosa, assim como ficaram várias outras pessoas. E ir de encontro a esses tabus que tanto critico. Sou um excêntrico sim, e com muita satisfação e orgulho. Em primeiro lugar acho muito chato ser “normal” e levar aquela vida medíocre da maioria. Se aqueles personagens da vida real fossem iguais a todos não teriam chegado aonde chegaram. Seriam mais um na multidão. Para mim a vida sem um nobre objetivo não tem mérito nenhum. Além do mais “é o único jeito” de ser notado neste lugar. Antes era como que um homem invisível, ao qual nenhuma mulher dava valor. Por isso me identifico com aquele pensamento que se não me engano foi o cantor Raul Seixas quem disse: “Sou louco pelo simples fato de que o mundo não me deu nenhuma razão para eu ser normal”. Para quem achava que eu ia afastar mais as garotas, essa foi a fase em que consegui ficar com várias em danceterias. Às vezes o Fábio me ajudava, mas devo muito a um conhecido Dj e animador de uma danceteria em que vou, o fato de já ter ficado e dado uns bons beijos e abraços em umas oito gurias. Ele me chamava lá na cabine de som na presença de todos e alguma mulher que subisse lá e me beijasse. A mesma levaria cervejas de brinde pela participação. Isso me ajudou a ficar cada vez mais conhecido e a derrubar aquela idéia errada de muitas de que eu era sério demais, certinho, cdf ou coisa parecida. Depois ele me concedeu a oportunidade de participar de duas entrevistas na Rádio Comunitária do Boqueirão (RCB), onde trabalhava como locutor. Aí pude começar a dar uma idéia do drama pelo qual passo a todos da região. Conheci também na RCB outro radialista, o Adriano Bedin, um cara que considero muito e que começou a ler esta história no ar. Pena que ficou interrompida porque ele saiu da emissora. Através dele conheci outro amigo, o Júnior, que também curtia danceterias e me acompanha sempre que possível. Os últimos amigos que fiz foram o André e o Tatu de São José dos Pinhais através do mural de recados do site do Planeta Ibiza. Foi um achado encontrar gente que pensa igual a mim quanto a danceterias, músicas antigas e quanto a maneira de encarar a vida. Isso é muito difícil, como me disse o próprio André. Eles agora passaram a ir junto comigo nos domingos sempre que possível, e até quiseram conhecer lugares fora de Curitiba e do Estado do Paraná. Uma das últimas atitudes que tomei foi comprar um carro maior para personaliza-lo e ser o meu novo Dance Móvel, pois o fusca é muito pequeno para viajar com cinco pessoas e transportar suas bagagens e a minha bicicleta com seus acessórios. Decidi não me desfazer do carro mais pequeno, mas volta-lo na cor original que era. Assim poderia usar este quando quisesse andar como um cidadão comum e o outro todo personalizado quando andasse como o Dance Boy. Comprei um Del Rey Série Ouro ano 1984. Aproveitei um pouco do dinheiro da venda da casa e terreno dos meus pais, que se mudaram para morar perto de mim. Esse carro é confortável, econômico e tem um bom espaço, principalmente de porta-malas, além de ter sido um ícone dos anos oitenta. Serve também para ir de encontro ao preconceito que muitos tem quando dizem que é um carro de vovô. Para mim não existe isso, o que existe é o preconceito de umas mentes atrasadas contra certos carros. Se eu fosse rico o meu Dance Móvel seria um Cadillac 1957 ou 1958 "rabo de peixe". Ou pelo menos um Chevrolet Impala 1960. O meu negócio é carro antigo! Esses carros são muito mais bonitos que qualquer um desses modernos, chamam muito mais atenção, além de serem enormes, confortáveis, mais duráveis e terem marcado época. Mas voltando à mulherada: mesmo aventura é muito difícil de acontecer comigo em Curitiba e região. Não sei se por aqui existe a pessoa que procuro. O que não sossegarei enquanto não fazer é ir para fora do Paraná. Muitos me falaram que eu me daria bem em certas cidades de Santa Catarina. E recentemente descobri que em Joinville existe também uma danceteria para público jovem e adolescente, que funciona no domingo. Acho que me daria bem com as gaúchas, só que o Estado do Rio Grande do Sul é longe e lá não tenho nenhum conhecido. É, o jeito agora é tentar fora. Não boto fé neste povo de jeito nenhum. Acho que já tentei quase tudo. Como não rolou nada eu simplesmente desanimei das garotas deste lugar. Aqui faço a minha campanha mais para ficar conhecido. Talvez um dia possa trabalhar com propaganda de danceterias, já que tenho aparelhos de som no carro e na bicicleta. Quem sabe um dia posso sair num programa de televisão a nível nacional, para todas as mulheres brasileiras me verem. Resumindo em poucas palavras: o que quero é uma garota que faça o meu tipo físico, vá a danceterias no domingo, tenha a cabeça no lugar e que tome a iniciativa de chegar em mim!

Dance Boy com sua Dance Bike

Com a Dance Bike à noite. Só não dá para mostrar o pisca-pisca do strobo embaixo do quadro e obviamente o som. Esta foto foi tirada em São José dos Pinhais no dia 08 de março de 2008, sábado.

E agora o meu primeiro vídeo com a Dance Bike:

11 - O "SURGIMENTO" DO DANCE BOY COM SEU TRAJE PERSONALIZADO

Comecei também a pensar em um verdadeiro traje personalizado, oficial do Dance Boy. Tinha a camiseta rosa e blusa de moletom com o anúncio e o logotipo que lembrava o globo das danceterias, mas queria algo mais chamativo, com cores vibrantes e um tipo de jogo de luzes que lembrasse os das danceterias. A palavra de ordem do meu personagem seria sempre tudo extremamente chamativo e nada discreto! Só assim eu seria visto por todas as mulheres e isso ajudaria a fazê-las lembrar e comentar sobre a minha pessoa. Se eu não tivesse esse traje oficial seria notado só com o carro. Mas e quando estivesse sem ele? O carro ficaria conhecido e não eu, o que obviamente não faria sentido algum. Novamente tive bastante trabalho, tanto para planejar como para conseguir os panos no tipo e nas cores que escolhi. Minhas roupas seriam metade cor de rosa metade azul, que tem tudo a ver com o meu pensamento sobre os direitos iguais entre homens e mulheres e a minha crítica ao preconceito contra certas cores: com isso queria dizer que não tenho tabus com cores e uso tanto azul como rosa. Cores sempre vivas, vibrantes, para chamar sempre a atenção e chocar esse povo que quase só usa cores mortas. O azul seria turquesa, que é o meu tipo de azul predileto. Quanto ao cor de rosa seria a tonalidade dos brinquedos da barbie ou rosa grampola. Gosto de tonalidades vivas, isso parece que levanta o meu ânimo e me coloca em evidência. Quanto ao conjunto de luzes encomendei a um eletricista que fizesse um fio com uma seqüência de leds, pois esse tipo de lâmpada consumia muito pouca pilha. Uma caixinha com um circuito integrado e uma pilha de nove volts eu carregava num pequeno bolso, já planejado para isso, sendo um conjunto para cada perna. Paguei R$ 170,00 por este trabalho. No pescoço experimentei usar um objeto que vi à venda na praia de Ipanema, aqui no Paraná. Era um tipo de mamona de silicone com leds dentro, que emitia luzes coloridas e intensas. Lembrava o globo giratório dos tetos das danceterias. Comprei e passei a usar todo este conjunto, chamando bastante a atenção no ambiente escuro das danceterias. No entanto, infelizmente o do pescoço durava pouco (umas duas horas) ao contrário das luzes das pernas, onde só depois de semanas de uso eu tinha que trocar as pilhas. Novamente esta dificuldade não me fez desistir nem me contentar só com as luzes das pernas. Resolvi comprar um daqueles sinalizadores que se coloca atrás do banco das bicicletas, que também alguns tem leds de várias cores que acendem e apagam em seqüência, além de outras maneiras. Fiz furos atrás e adaptei em uma corrente para dependurá-lo em torno do pescoço. Durava semanas usando todo domingo nas danceterias e dentro do Dance Móvel na entrada das escolas e colégios. Criei um verdadeiro personagem exótico e único, tudo para ser visto pelas mulheres e pela mídia. Inspirei-me um pouco em algumas figuras conhecidas em Curitiba. Como elas eu tinha que causar impacto, além de andar divulgando o meu anúncio, slogan e crítica às mulheres pelas ruas, parques, praças, colégios e danceterias de Curitiba, principalmente onde tivesse a galera jovem. Mas tinha é claro, que divulgar o som eletrônico também, principalmente a dance music. O carro divulgava, mas tinha várias desvantagens e limitações: gasta gasolina, não entra em muitos lugares como um parque, por exemplo, e, além disso, encobre muito o meu corpo com suas luzes nas pernas e a maior parte das minhas roupas. Na verdade sou eu quem tem que ficar bem em evidência para todas as garotas verem. Se eu andasse a pé pela cidade com um walkman tocando gastaria muito tempo para percorrer todos os lugares. E eu só dispunha de sexta à noite, sábado a maior parte do dia e domingo só até a metade da tarde. E quando houvesse feriados.
Eu com meu amigo José David (ele ao lado com camiseta amarela) dentro da danceteria Estação Via Show

E abaixo um vídeo meu com minha divulgação na praia:

10 - AMIGOS PARA SAIR FINALMENTE. SURGE O DANCE MÓVEL

O Fábio se tornou o meu companheiro de todo o domingo para ir em sons. Freqüentador fiel desde 1994, o que fez me identificar com esse cara. Graças a ele finalmente consegui ficar com duas garotas, uma na 360 mesmo e outra na Millenium de Pinhais. Conheci depois a família dele, que era do Estado do Ceará. Peguei amizade com quase todos e passei a freqüentar aquela casa também. Ao mesmo tempo deixei de sair com ele quando estava com os seus camaradas de vila. Com eles eu não me acertei: a maioria só queria saber de encher a cara de tubão, muitos furavam tubo de biarticulado, criavam confusão e eram daqueles malacos de mente vazia que tem aquelas calças caídas deixando aparecer a cueca. Garanto que só fazem isso porque a maioria dos vileiros fazem. Só sabem fazer igual, não são nem um pouco criativos e acham que estão apavorando. E infelizmente são esses que a maioria dessas gurias de periferia querem. Antes as garotas de danceteria gostavam de caras com carro, o que já era babaquice. E agora é pior: querem malacos muitas vezes até sem higiene! Dizem que tem gosto para tudo neste mundo. Isso parece ser verdade, mas como não aparece uma que goste do Adial Júnior também? Esse é o mistério que um dia quero desvendar. Bom, conhecer a galera amiga do Fábio não me ajudou com garotas. Mas o meu temperamento rebelde, teimoso, persistente e indomável, não me deixaria desistir nunca. Foi aí que comecei a tomar umas atitudes super radicais, chocantes, estranhas e nada discretas; totalmente o oposto daquilo que a maioria quer que sigamos. E muito mais visíveis e polêmicas do que tudo que tinha feito até então. Vi muitos táxis com um tipo de prisma em cima, contendo anúncios de empresas, que à noite eram luminosos. Aí me ocorreu uma idéia: e se eu mandar fazer um com o meu anúncio da camiseta e incluir também a minha foto para todos verem? E corri para concretizar esse plano. Não foi muito fácil conseguir um profissional que confeccionasse um, mas após semanas consegui. Agora onde fosse faria a propaganda de mim às mulheres e ficaria cada vez mais conhecido, fosse em Curitiba ou fora dela. Usava muito o carro para ir ao trabalho e às danceterias. Além do meio de transporte seria um meio de propaganda da minha pessoa. Usei algum tempo, mas sofri mais outro acidente com o carro. Saí inteiro, mas além do prejuízo que tive que arcar injustamente por não ser o culpado, o meu fusca ficou meses parado para os reparos na lataria e pintura. E neste período um primo meu me deu outra idéia para tornar mais chamativa e chocante esta minha campanha: pintar o meu carro de cor-de-rosa, pois eu já adorava a cor e a minha camiseta já era assim. Eu achei excelente a sugestão, assim jamais passaria despercebido. Seria agora a palavra final segundo ele mesmo disse. O funileiro disse que como teria que trocar até a lateral do carro e não estava conseguindo acertar a tonalidade do branco que cobria a lata do carro, seria uma excelente oportunidade para trocar de cor. E foi o que mandei fazer. Quando o carro estava pronto, coloquei de volta o prisma em cima com os anúncios e na lataria mandei colocar vários adesivos contendo o meu logotipo, o nome do carro, que ficou sendo Dance Móvel, o meu slogan e nas portas a minha crítica a falta de iniciativa das mulheres. Tracei também todo um planejamento para a minha divulgação: sempre pegar caminhos diversos, abastecer em postos diferentes, fazer compras em vários supermercados, ir a praias, shoppings, pontos turísticos e nas danceterias como já fazia, lembrando sempre de estacionar bem perto da entrada ou onde tivesse mais movimento de gente. Uma coisa que decidi foi ir na entrada ou saída das aulas dos colégios públicos de Curitiba e municípios vizinhos. Em pouco tempo um jornal me contatou para fazer uma reportagem. Saí numa foto colorida com o Dance Móvel na primeira página e em destaque. Não gostei muito da foto: minha cara não saiu bem nítida e estava sem a minha camiseta com o anúncio. Também saí em duas emissoras de televisão, uma de rádio e mais outro jornal escrito, os quais guardei de lembrança. Nas matérias estavam o número de meu telefone celular e meu e-mail. Mensagens ou ligações de Curitiba e região eu recebi pouquíssimos, como já era de se esperar de um povo como esse. É pena que só saí em nível estadual.
Eu e o meu antigo Dance Móvel (agora é outro carro) na frente de uma das danceterias onde ia (hoje só vou de vez em quando). Nas laterais e no prisma luminoso os mesmos recados, crítica e o meu lema que trago nos meus panos. Além do meu logotipo (a bola maluca das danceterias).

Eis aqui um vídeo que um pessoal da UFPR produziu comigo e no qual aparece o primeiro Dance Móvel

9 - MINHA CAMPANHA PARA CONHECER GATINHAS E MAIS UMA PAIXÃO

No ano seguinte eu não estava estudando, mas me deram uma outra idéia para ajudar na minha interminável busca de uma companheira: e se eu escrevesse um anúncio em minha própria camiseta, com o número do meu celular? Falaram-me isso por brincadeira, mas não é que levei a sério mesmo? No começo usava camisetas brancas com letras pretas e para o inverno preparei um moletom branco também com o anúncio na frente e nas costas. Nas danceterias só ia com este anúncio. Assim fiquei um pouco mais notado pelas garotas. Na 360 graus (hoje Planeta Ibiza), umas garotas até brincaram comigo uma vez por causa desta idéia. E finalmente um dia aconteceu algo inesperado: um Dj me chamou e perguntou se isto era sério mesmo. Eu disse que era e ele disse que ia me dar uma força então. Chamou-me lá na cabine de som e avisou a mulherada solteira sobre mim. Pediu para uma subir lá e ficar comigo. Veio uma e nos beijamos algum tempo na frente de toda a galera lá presente. Uns pensaram que eu era um Dj e que aquilo fazia parte da programação da casa para descontrair o pessoal. Seja lá como for, aquele dia fui visto por muita gente! Continuei atravessando a cidade para ir de quando em quando na 360. Um dia notei uma garota loira acastanhada que ficava num tipo de mezanino que tem até hoje. De vez em quando me pedia se eu tinha cigarro ou isqueiro. Ela aparentava uns 17 anos aproximadamente e tinha um jeitinho que me cativou. Mas como sempre, jamais chego em alguma mulher. Eu ficava só olhando-a de longe. Vez por outra ela ficava conversando com uns tipos de cabeça raspada, bonés virados para trás, brincos de argola e roupas largas, que se tornaram comuns principalmente nos bairros de periferia de Curitiba desde 98. Não me simpatizava muito com este tipo de gente, não tanto pelo vestuário, pois nesta época eu já usava calças meio soltas no corpo. O problema era a cabeça, as idéias desses caras e as atitudes abomináveis dos mesmos. E de muitas garotas também. Pensei que faltava aquela menina conhecer um cara certo, que a consideraria e poderia estar disposto até a levar algo sério com ela. Cheguei até a ficar com pena dela. Na maioria das vezes que ia a este lugar lá estava ela. No dia 24 de dezembro de 2000 eu estava no Terminal Guadalupe, pronto para pegar o ligeirinho Sítio Cercado para descer no Terminal do Carmo e ir de novo na Danceteria 360o, onde naquele dia iam sortear um fusca usado. De repente alguém me cutucou com o dedo nas costas, me deu oi, chamou-me de amiguinho e perguntou se eu me lembrava dela, da trezentos (era assim que muitos freqüentadores apelidavam nossa querida casa). Eu respondi e ela e uma amiga que estava junto pegaram o mesmo ônibus comigo e foram lá também. Imaginem como me senti. Era tão raro uma garota me dar atenção, ainda mais a que eu estava interessado! Parecia que eu estava rindo por dentro, que tinha acertado na loteria! Chegando lá fiquei imaginando que precisava mantê-las perto de mim, tinha que tentar conversar, beber algo junto. Finalmente alguém tinha chegado em mim. Elas me perguntaram se eu não bebia. Decidi comprar uma caipira para mantê-las comigo e ver se rolava algo. Perguntei o nome da que sempre me chamou a atenção. Aqui vou usar o nome fictício de Renata e sua amiga moreninha vou chamar de Karin. Nisso chegou um conhecido delas chamado Fábio (nome real). Era apelidado de bigode. Ele leu o anúncio que eu sempre trazia na camiseta: Quero conhecer gatinhas que curtam dance music e agitem no domingão. E disse que eu havia acabado de conhecer duas. Até perguntou longe delas qual me interessava e disse que para ele eu podia falar. Não dei muita atenção porque não o conhecia ainda. Fiquei horas naquele lugar, não ganhei o carro sorteado e ainda vi que a Renata parecia que estava ficando com outro. Aí de novo começou a me atacar uma crise de desânimo. O Fábio se encontrou comigo de novo perto da entrada e eu lhe falei da dificuldade minha com mulheres e que às vezes pensava que a morte seria melhor para mim. Ele disse que apresentaria umas amigas para mim, que todo domingo ia lá. Fiquei muito agradecido, mas estava me apegando à Renata. Desde a Paôla pensei que nunca mais me apaixonaria de novo. Descobri que havia me enganado. Então passei a freqüentar todo fim de semana aquele lugar. Um domingo fui com o meu carro e até comentei com ela que não podia ficar bebendo porque tinha que dirigir. Tudo de propósito, pois minha intenção era ver se podia dar carona a elas para me tornar mais íntimo. Ela me pediu carona, nem precisei oferecer. Levei também o Fábio, cuja casa ficava também no caminho das delas. Surgiu o assunto das garotas não me darem valor e então a Renata e a Karin me deram uns “conselhos segundo elas”, para eu conseguir gurias massa mesmo: tirar os óculos, usar calças largas, uns brincos de argola na orelha, raspar a cabeça e ser mais malandro. Assim chamaria mais atenção. Eu então falei que o bermudão que eu usava era largo e que a camiseta com os anúncios chamava atenção. A Karin concordou que chamava, mas que as mulheres ficavam meio assim... A Renata perguntou se eu já tinha ido a lugares country. Eu disse que sim, mas que não tinha gostado, que o meu estilo era dance music. E ela disse que nesses lugares davam mais mulheres, porque menininha... Ficou só nisso sua frase sem que eu pudesse entender o que ela quis dizer. Eu era ainda jovem e não era daqueles caras sérios que só querem “mulheres de verdade” segundo eles. Fiquei decepcionado ao ouvir tudo isso delas, ao mesmo tempo em que crescia em mim o meu costumeiro ódio de pessoas que condenam os meus ideais. Como essas mulheres se enganam a meu respeito achando que eu sou santinho, sério demais, cdf, ou seja lá o que for que elas pensam. Não sou de chegar nelas mesmo, isso é verdade. Mas se chegassem e me conhecessem realmente, aí iam ver que não sou bem o que elas estão pensando. Para começar nem na igreja eu ia mais, não acreditava muito em Deus e tinha atração por mulheres como qualquer homem normal. Era revoltado e tinha uma vida diferente da maioria desse povo medíocre da minha cidade. Além de viver em danceterias no domingo como elas. Num domingo depois o Fábio disse que elas estavam me procurando e depois apareceu com as duas no mezanino onde eu estava sentado. Fiz cara amarrada e nem dei atenção. Então a Renata perguntou se eu tinha ficado de cara com o que elas tinham me falado naquele dia. Eu disse que só tinha que ficar mesmo e ela me pediu desculpas. O Fábio me disse que ela sempre perguntava de mim quando eu não aparecia na 360 graus e até quando se encontravam por acaso em terminais de ônibus. Isso me deu uma esperança: será que ela sentia alguma coisa por mim também? De quando em quando me pedia bebida ou um real para entrar na casa. Só que muitas vezes ficava com outros caras. Peguei amizade com o Fábio e ele me convidou para um dia ir conhecer sua vila e sua galera. Fiquei muito feliz e esperançoso com isso porque por anos eu ia e voltava sozinho de todos os lugares, sem um amigo que me ajudasse a conhecer outras pessoas. Por meses eu vinha no Alto Boqueirão onde ele morava e saía com eles. Conheci mais algumas pessoas, infelizmente homens na maioria. Como sempre! Um dia um cara me contou que a Renata curtia fumar maconha de quando em quando e que saiu e saía com vários caras. Além de outras coisas. Fiquei muito chocado e triste ao ouvir isso e procurei saber a verdade. Outros caras me confirmaram, inclusive o Fábio. Um dia me lembro de que ela me pegou pela mão e saiu andando comigo na pista da 360 graus me dizendo que ia me apresentar umas amigas. Mas na passagem de uma pista para outra estava um cara que lhe chamou. Ela me pediu para esperar um pouco e em pouco tempo estava se beijando de língua com ele. Ó vida injusta: porque tenho que me apaixonar sempre pela pessoa errada?? Até o Fábio pensava que a Renata gostava um pouquinho de mim pelo menos por amizade. Quando eu não ia naquela danceteria sempre perguntava de mim. Só que a meu ver, mesmo amizade é diferente do que ela fazia. Só me procurava para pedir carona, dinheiro ou bebida. Que tipo de amiga era essa? Uma vez eu saía de carro com o Fábio e outro colega. Vieram a Renata, a Karin e mais duas amigas e me pediram carona. Eu resolvi dar, superlotei o carro e quando fui ligá-lo, vi que a gasolina tinha acabado e que eu tinha que ir buscar. Então elas imediatamente saíram e pediram carona a outro conhecido que lhes deu. Grande amiga que abandona um amigo numa hora dessas em vez de ajudá-lo! Um dia não agüentei mais e me desabafei de uma vez por todas. Odeio agüentar tudo calado uma coisa dessas. Eu escrevi uma carta contando que nunca tive coragem de lhe contar, mas que sempre fui a fim dela. No entanto falei que como sempre, me interessei pela pessoa errada, que não éramos nem amigos e que o negócio dela eram malacos que só sabem se aproveitar dela e depois caírem fora. Que ela infelizmente era como grande parte dessas garotas de periferia que infelizmente infestam como pragas as danceterias, entre outros lugares. Que não tem nada na cabeça e só vêem o lado delas. Egoístas como, aliás, é a maioria das mulheres curitibanas, que para mim não estão com nada. Não medi muito as palavras, até contei que me falaram que ela e sua amiguinha Karin eram vagabundas da pior qualidade. E pedi para sumirem do meu caminho. Estava revoltadíssimo novamente, mas como sempre não era a toa. Dias depois me disseram que ela comentou que não esperava isso de mim. O Fábio por sua vez me disse que ela ficou de cara pelo fato de eu saber o seu nome completo e detalhes da sua vida torta. Um dia ela ficou lendo a crítica que fiz as mulheres nas costas da minha camiseta, mas eu sempre fingia que não a via ou saía de perto dela. Como não dava em nada, resolvi esquecer a Renata. Já tinha passado um inferno anos antes e desta vez era um pouco mais vivido. Não foi nada fácil, mas consegui superar. Seja como for ela nunca mais chegou em mim nem mandou ninguém me pedir coisas. Depois de algum tempo parou de ir a trezentos, como é a maioria desse povo medíocre que só porque está com uma certa idade se acomoda dentro de casa. Fã fiel mesmo da dance music e das danceterias é só eu, o Fábio e uns poucos. Sem nenhuma mulher para variar, o que confirma minha conclusão de que elas são paradas demais. Soube que ela estava grávida (como era de se esperar) e se ajuntou com um cara. O último que vi com ela não tinha a cabeça raspada como me sugeriu fazer. Estranho: ela mesma se contradizendo! Depois finalmente me contaram que ela foi à danceteria escondida do marido e levou um tapa na cara dele. Bem feito: devia era ter levado um tiro na cara e deixar o mundo livre de tal praga! Comigo é assim: ou a mulher toma a iniciativa ou não dá em nada! E se for para ela chegar para me sugar é melhor que nem chegue. Aprendi duas lições que aqui quero passar a todos os leitores: 1a) É pura perda de tempo ficar sofrendo e alimentando esperanças por uma pessoa que não gosta da gente. Devemos tentar, mas quando está claro que não dará em nada temos que esquecer e partir para outra. 2a) Quando estiver em uma danceteria e uma garota chegar para te pedir dinheiro ou para comprar alguma coisa para ela, caia fora porque ela não quer ficar contigo. É uma vadia interesseira que te acha com cara de bobo e só quer te explorar. Quando é bonita e faz o meu tipo o que eu faço é surpreendê-la dizendo que só se ficar comigo. Assim ela vai ver que eu conheço a malandragem e não sou um ingênuo como acha. Um ex-colega me disse isso anos antes em Jaguapitã. Demorou, mas aprendi de uma vez por todas.