quarta-feira, 30 de junho de 2010

14 - A “ERA” DO ORKUT

Acho que no meu diário talvez eu poderia dividir a minha vida em fases: o meu nascimento e a infância da qual não me lembro, a infância a partir da qual me lembro até entrar na escola, a entrada na escola até conhecer o primeiro amor da minha vida, a grande paixão e desgraça da minha vida e a fase das danceterias (que nunca se acabou até agora). Esta eu poderia dividir em outras fases menores como a que eu ia sozinho nas danceterias, depois a dos meus amigos de baladas que começou quando conheci o Fábio e sua família em conjunto com o começo da minha grande campanha para ser visto pelas mulheres. E finalmente o “surgimento” do Dance Boy com seu carro e bicicleta personalizados.

Mas tem outra da qual não posso deixar de falar e que sem dúvida está me ajudando muito. Logo depois de conhecer a minha amiga Andréia de São José dos Pinhais, ela me convidou para fazer parte do site de relacionamentos chamado Orkut. Já tinha ouvido falar dele mas não sabia direito como funcionava e era preciso ser convidado para poder participar. Logo aceitei o convite porque aí poderia divulgar minha imagem e as minhas idéias finalmente para muitas e muitas pessoas no país todo. Primeiro levei algum tempo para aprender a lidar com o sistema. Precisei digitalizar as fotografias e incluí-las e a descobrir comunidades para participar. Coloquei até a história da minha busca por uma garota e a minha jornada nas danceterias. Isso porque no perfil do usuário dá para colocar um link para a sua página da web. Eu coloquei um que traz o visitante para o blog que você está lendo agora.

Achei o Orkut uma poderosa ferramenta de propaganda e um meio de encontrar pessoas com gostos semelhantes aos nossos. Tanto que um cara chamado Fabiano, que estudou comigo na 6a série do ensino fundamental no tempo da Vanessa, me localizou depois de vários anos e dele ter se mudado para São Paulo. Outra coisa boa que me aconteceu foi descobrir que tinham sido feitas comunidades para me homenagear por causa da idéia do Dance Boy. Um pessoal do Rio de Janeiro também criou outra especialmente para me ajudar a ir no Programa do Jô.

Teve coisas das quais não gostei: criaram algumas para falar mal de mim, tive discussões acirradas em certas comunidades e desrespeito de pessoas sem caráter, que entravam na minha página de recados para me rebaixar (no Orkut não dá só gente confiável como se pretendia fazer). Mas a minha grande decepção mesmo foi que até agora em que estou postando esse capítulo, não consegui conhecer pessoalmente quase nenhum dos meus amigos virtuais. Os que eu conheço pessoalmente já os conhecia antes de um de nós começar a participar desse site.

Mas espero estar cara a cara com eles um dia. Pelo menos agora finalmente estou conseguindo ficar cada vez mais visto. E minhas imagens virtuais e tudo o que as acompanha podem ficar o tempo todo disponíveis para a galera ver, ininterruptamente. Uma coisa muito legal é que muitos podem me ver ao mesmo tempo e no país inteiro. Me dá um tipo de sensação de ser unipresente. Isso ampliou muito o meu “raio de ação”. Eu em pessoa não poderia ficar 24 horas por dia andando por aí nem estar em muitos lugares ao mesmo tempo. Desde que foi instalado o contador de acesso aos perfis dos orkutianos, o meu perfil foi acessado mais de trinta mil vezes! Nesse ponto posso dizer que levei sorte em viver na época da mídia, da internet e em especial do Orkut!

13 - COMEÇANDO A APARECER NA MÍDIA

1)UMA ENTREVISTA COMIGO PARA A INTERNET:

E aí galera? Recentemente fizeram uma entrevista comigo para colocar na internet. Gostei bastante porque o Alessandro Martins é bom nisso, fez as perguntas certas que me deram a deixa para falar muita coisa que estava entalada dentro de mim a muito tempo! Se quiserem dar uma olhada na matéria, o site é:


http://livroseafins.com/dance-boy-e-sua-tatica-exotica-para-conquistar-as-mulheres/a-tatica-exotica-para-conquistar-as-mulheres/


2)UMA ENTREVISTA COMIGO PARA O JORNAL GAZETA DO POVO: 


Eis aqui um dos meus sonhos realizados: sair na Gazeta do Povo, o jornal mais vendido de Curitiba e provavelmente do Paraná. Pena que as letras estão muito pequenas aqui. Já tinha sido matéria de outros jornais mas para mim este dia 12 de junho de 2007 foi uma conquista. Pena que não saí num domingo quando mais gente lê. Um dia quero ir em programas a nível nacional como o do Jô Soares. Só assim para aumentar minha chance de achar (ou ser achado) pelas garotas.
 

3) UM VÍDEO QUE UM PESSOAL DA UFPR FIZERAM SOBRE MINHA PESSOA:


















4) REPORTAGEM PARA O PROGRAMA BALANÇO GERAL DA RIC TV:



 


domingo, 20 de junho de 2010

12 - A DANCE BIKE

Foi então que resolvi criar também a Dance Bike, a minha bicicleta personalizada, o segundo meio de transporte do Dance Boy. Ela teria o mesmo anúncio luminoso do carro, conjunto de luzes e o som. Novamente foram muitos meses tentando superar as dificuldades técnicas para principalmente adaptar o conjunto de som nela. E achar um profissional que fizesse os vários tipos de serviços necessários. Que dificuldade gente! Mas depois de muita ansiedade, esquentação de cabeça e uma boa quantia de dinheiro gasta, finalmente a minha típica persistência de sempre venceu tudo. Agora a minha vida tinha se tornado assim: trabalhava de segunda à sexta das 08h30min às 17h30min, nas segundas e quartas ia com o Dance Móvel na entrada das aulas das escolas e colégios às 19 horas e depois rumava para a academia. Nas segundas e quartas praticava Musculação e nas terças e quintas Kung Fu. Na sexta se o tempo estivesse bom andava com a Dance Bike pelo bairro onde moro ou pelos bairros vizinhos. Se estivesse chuvoso e eu sem companhia ia a shopings. Às vezes podia contar com um amigo e então íamos a barzinhos ou lanchonetes muito freqüentados. Sempre em várias regiões da capital. Sábado à tarde era o meu grande dia de rodar com a minha bicicleta pelas ruas desta cidade e região, incluindo os parques, praças e locais bem freqüentados. Fazia questão de passar pelas vilas onde estavam garotas reunidas nas calçadas ou em frente de casa. Quando não dava para sair devido ao tempo chuvoso ia rodando a cidade de ônibus pelos terminais. E claro, no fim de tarde de domingo pegava o Dance Móvel e ia marcar presença e me divertir nas danceterias, os meus segundos lares no domingão, quase sempre em companhia do Fábio. Cada domingo ia a uma, variando sempre e fazendo toda a galera jovem saber da existência de Adial Júnior, o Dance Boy. Desta vez eu obrigava elas me verem. Eu fazia acontecer, ao contrário do que antes aconteceu comigo por acaso e nem sempre ao meu favor. Gostassem ou não eu passei a dedicar minha vida a este ideal. E não estava nem aí com o que os outros poderiam pensar. Sempre tive em mente que as pessoas que se assustassem com estas minhas atitudes eram as preconceituosas e atrasadas, as quais quero longe de mim. Poderia até não conseguir mulher, mas uma coisa conseguiria: ficar uma figura exótica famosa, assim como ficaram várias outras pessoas. E ir de encontro a esses tabus que tanto critico. Sou um excêntrico sim, e com muita satisfação e orgulho. Em primeiro lugar acho muito chato ser “normal” e levar aquela vida medíocre da maioria. Se aqueles personagens da vida real fossem iguais a todos não teriam chegado aonde chegaram. Seriam mais um na multidão. Para mim a vida sem um nobre objetivo não tem mérito nenhum. Além do mais “é o único jeito” de ser notado neste lugar. Antes era como que um homem invisível, ao qual nenhuma mulher dava valor. Por isso me identifico com aquele pensamento que se não me engano foi o cantor Raul Seixas quem disse: “Sou louco pelo simples fato de que o mundo não me deu nenhuma razão para eu ser normal”. Para quem achava que eu ia afastar mais as garotas, essa foi a fase em que consegui ficar com várias em danceterias. Às vezes o Fábio me ajudava, mas devo muito a um conhecido Dj e animador de uma danceteria em que vou, o fato de já ter ficado e dado uns bons beijos e abraços em umas oito gurias. Ele me chamava lá na cabine de som na presença de todos e alguma mulher que subisse lá e me beijasse. A mesma levaria cervejas de brinde pela participação. Isso me ajudou a ficar cada vez mais conhecido e a derrubar aquela idéia errada de muitas de que eu era sério demais, certinho, cdf ou coisa parecida. Depois ele me concedeu a oportunidade de participar de duas entrevistas na Rádio Comunitária do Boqueirão (RCB), onde trabalhava como locutor. Aí pude começar a dar uma idéia do drama pelo qual passo a todos da região. Conheci também na RCB outro radialista, o Adriano Bedin, um cara que considero muito e que começou a ler esta história no ar. Pena que ficou interrompida porque ele saiu da emissora. Através dele conheci outro amigo, o Júnior, que também curtia danceterias e me acompanha sempre que possível. Os últimos amigos que fiz foram o André e o Tatu de São José dos Pinhais através do mural de recados do site do Planeta Ibiza. Foi um achado encontrar gente que pensa igual a mim quanto a danceterias, músicas antigas e quanto a maneira de encarar a vida. Isso é muito difícil, como me disse o próprio André. Eles agora passaram a ir junto comigo nos domingos sempre que possível, e até quiseram conhecer lugares fora de Curitiba e do Estado do Paraná. Uma das últimas atitudes que tomei foi comprar um carro maior para personaliza-lo e ser o meu novo Dance Móvel, pois o fusca é muito pequeno para viajar com cinco pessoas e transportar suas bagagens e a minha bicicleta com seus acessórios. Decidi não me desfazer do carro mais pequeno, mas volta-lo na cor original que era. Assim poderia usar este quando quisesse andar como um cidadão comum e o outro todo personalizado quando andasse como o Dance Boy. Comprei um Del Rey Série Ouro ano 1984. Aproveitei um pouco do dinheiro da venda da casa e terreno dos meus pais, que se mudaram para morar perto de mim. Esse carro é confortável, econômico e tem um bom espaço, principalmente de porta-malas, além de ter sido um ícone dos anos oitenta. Serve também para ir de encontro ao preconceito que muitos tem quando dizem que é um carro de vovô. Para mim não existe isso, o que existe é o preconceito de umas mentes atrasadas contra certos carros. Se eu fosse rico o meu Dance Móvel seria um Cadillac 1957 ou 1958 "rabo de peixe". Ou pelo menos um Chevrolet Impala 1960. O meu negócio é carro antigo! Esses carros são muito mais bonitos que qualquer um desses modernos, chamam muito mais atenção, além de serem enormes, confortáveis, mais duráveis e terem marcado época. Mas voltando à mulherada: mesmo aventura é muito difícil de acontecer comigo em Curitiba e região. Não sei se por aqui existe a pessoa que procuro. O que não sossegarei enquanto não fazer é ir para fora do Paraná. Muitos me falaram que eu me daria bem em certas cidades de Santa Catarina. E recentemente descobri que em Joinville existe também uma danceteria para público jovem e adolescente, que funciona no domingo. Acho que me daria bem com as gaúchas, só que o Estado do Rio Grande do Sul é longe e lá não tenho nenhum conhecido. É, o jeito agora é tentar fora. Não boto fé neste povo de jeito nenhum. Acho que já tentei quase tudo. Como não rolou nada eu simplesmente desanimei das garotas deste lugar. Aqui faço a minha campanha mais para ficar conhecido. Talvez um dia possa trabalhar com propaganda de danceterias, já que tenho aparelhos de som no carro e na bicicleta. Quem sabe um dia posso sair num programa de televisão a nível nacional, para todas as mulheres brasileiras me verem. Resumindo em poucas palavras: o que quero é uma garota que faça o meu tipo físico, vá a danceterias no domingo, tenha a cabeça no lugar e que tome a iniciativa de chegar em mim!

Dance Boy com sua Dance Bike

Com a Dance Bike à noite. Só não dá para mostrar o pisca-pisca do strobo embaixo do quadro e obviamente o som. Esta foto foi tirada em São José dos Pinhais no dia 08 de março de 2008, sábado.

E agora o meu primeiro vídeo com a Dance Bike:

11 - O "SURGIMENTO" DO DANCE BOY COM SEU TRAJE PERSONALIZADO

Comecei também a pensar em um verdadeiro traje personalizado, oficial do Dance Boy. Tinha a camiseta rosa e blusa de moletom com o anúncio e o logotipo que lembrava o globo das danceterias, mas queria algo mais chamativo, com cores vibrantes e um tipo de jogo de luzes que lembrasse os das danceterias. A palavra de ordem do meu personagem seria sempre tudo extremamente chamativo e nada discreto! Só assim eu seria visto por todas as mulheres e isso ajudaria a fazê-las lembrar e comentar sobre a minha pessoa. Se eu não tivesse esse traje oficial seria notado só com o carro. Mas e quando estivesse sem ele? O carro ficaria conhecido e não eu, o que obviamente não faria sentido algum. Novamente tive bastante trabalho, tanto para planejar como para conseguir os panos no tipo e nas cores que escolhi. Minhas roupas seriam metade cor de rosa metade azul, que tem tudo a ver com o meu pensamento sobre os direitos iguais entre homens e mulheres e a minha crítica ao preconceito contra certas cores: com isso queria dizer que não tenho tabus com cores e uso tanto azul como rosa. Cores sempre vivas, vibrantes, para chamar sempre a atenção e chocar esse povo que quase só usa cores mortas. O azul seria turquesa, que é o meu tipo de azul predileto. Quanto ao cor de rosa seria a tonalidade dos brinquedos da barbie ou rosa grampola. Gosto de tonalidades vivas, isso parece que levanta o meu ânimo e me coloca em evidência. Quanto ao conjunto de luzes encomendei a um eletricista que fizesse um fio com uma seqüência de leds, pois esse tipo de lâmpada consumia muito pouca pilha. Uma caixinha com um circuito integrado e uma pilha de nove volts eu carregava num pequeno bolso, já planejado para isso, sendo um conjunto para cada perna. Paguei R$ 170,00 por este trabalho. No pescoço experimentei usar um objeto que vi à venda na praia de Ipanema, aqui no Paraná. Era um tipo de mamona de silicone com leds dentro, que emitia luzes coloridas e intensas. Lembrava o globo giratório dos tetos das danceterias. Comprei e passei a usar todo este conjunto, chamando bastante a atenção no ambiente escuro das danceterias. No entanto, infelizmente o do pescoço durava pouco (umas duas horas) ao contrário das luzes das pernas, onde só depois de semanas de uso eu tinha que trocar as pilhas. Novamente esta dificuldade não me fez desistir nem me contentar só com as luzes das pernas. Resolvi comprar um daqueles sinalizadores que se coloca atrás do banco das bicicletas, que também alguns tem leds de várias cores que acendem e apagam em seqüência, além de outras maneiras. Fiz furos atrás e adaptei em uma corrente para dependurá-lo em torno do pescoço. Durava semanas usando todo domingo nas danceterias e dentro do Dance Móvel na entrada das escolas e colégios. Criei um verdadeiro personagem exótico e único, tudo para ser visto pelas mulheres e pela mídia. Inspirei-me um pouco em algumas figuras conhecidas em Curitiba. Como elas eu tinha que causar impacto, além de andar divulgando o meu anúncio, slogan e crítica às mulheres pelas ruas, parques, praças, colégios e danceterias de Curitiba, principalmente onde tivesse a galera jovem. Mas tinha é claro, que divulgar o som eletrônico também, principalmente a dance music. O carro divulgava, mas tinha várias desvantagens e limitações: gasta gasolina, não entra em muitos lugares como um parque, por exemplo, e, além disso, encobre muito o meu corpo com suas luzes nas pernas e a maior parte das minhas roupas. Na verdade sou eu quem tem que ficar bem em evidência para todas as garotas verem. Se eu andasse a pé pela cidade com um walkman tocando gastaria muito tempo para percorrer todos os lugares. E eu só dispunha de sexta à noite, sábado a maior parte do dia e domingo só até a metade da tarde. E quando houvesse feriados.
Eu com meu amigo José David (ele ao lado com camiseta amarela) dentro da danceteria Estação Via Show

E abaixo um vídeo meu com minha divulgação na praia:

10 - AMIGOS PARA SAIR FINALMENTE. SURGE O DANCE MÓVEL

O Fábio se tornou o meu companheiro de todo o domingo para ir em sons. Freqüentador fiel desde 1994, o que fez me identificar com esse cara. Graças a ele finalmente consegui ficar com duas garotas, uma na 360 mesmo e outra na Millenium de Pinhais. Conheci depois a família dele, que era do Estado do Ceará. Peguei amizade com quase todos e passei a freqüentar aquela casa também. Ao mesmo tempo deixei de sair com ele quando estava com os seus camaradas de vila. Com eles eu não me acertei: a maioria só queria saber de encher a cara de tubão, muitos furavam tubo de biarticulado, criavam confusão e eram daqueles malacos de mente vazia que tem aquelas calças caídas deixando aparecer a cueca. Garanto que só fazem isso porque a maioria dos vileiros fazem. Só sabem fazer igual, não são nem um pouco criativos e acham que estão apavorando. E infelizmente são esses que a maioria dessas gurias de periferia querem. Antes as garotas de danceteria gostavam de caras com carro, o que já era babaquice. E agora é pior: querem malacos muitas vezes até sem higiene! Dizem que tem gosto para tudo neste mundo. Isso parece ser verdade, mas como não aparece uma que goste do Adial Júnior também? Esse é o mistério que um dia quero desvendar. Bom, conhecer a galera amiga do Fábio não me ajudou com garotas. Mas o meu temperamento rebelde, teimoso, persistente e indomável, não me deixaria desistir nunca. Foi aí que comecei a tomar umas atitudes super radicais, chocantes, estranhas e nada discretas; totalmente o oposto daquilo que a maioria quer que sigamos. E muito mais visíveis e polêmicas do que tudo que tinha feito até então. Vi muitos táxis com um tipo de prisma em cima, contendo anúncios de empresas, que à noite eram luminosos. Aí me ocorreu uma idéia: e se eu mandar fazer um com o meu anúncio da camiseta e incluir também a minha foto para todos verem? E corri para concretizar esse plano. Não foi muito fácil conseguir um profissional que confeccionasse um, mas após semanas consegui. Agora onde fosse faria a propaganda de mim às mulheres e ficaria cada vez mais conhecido, fosse em Curitiba ou fora dela. Usava muito o carro para ir ao trabalho e às danceterias. Além do meio de transporte seria um meio de propaganda da minha pessoa. Usei algum tempo, mas sofri mais outro acidente com o carro. Saí inteiro, mas além do prejuízo que tive que arcar injustamente por não ser o culpado, o meu fusca ficou meses parado para os reparos na lataria e pintura. E neste período um primo meu me deu outra idéia para tornar mais chamativa e chocante esta minha campanha: pintar o meu carro de cor-de-rosa, pois eu já adorava a cor e a minha camiseta já era assim. Eu achei excelente a sugestão, assim jamais passaria despercebido. Seria agora a palavra final segundo ele mesmo disse. O funileiro disse que como teria que trocar até a lateral do carro e não estava conseguindo acertar a tonalidade do branco que cobria a lata do carro, seria uma excelente oportunidade para trocar de cor. E foi o que mandei fazer. Quando o carro estava pronto, coloquei de volta o prisma em cima com os anúncios e na lataria mandei colocar vários adesivos contendo o meu logotipo, o nome do carro, que ficou sendo Dance Móvel, o meu slogan e nas portas a minha crítica a falta de iniciativa das mulheres. Tracei também todo um planejamento para a minha divulgação: sempre pegar caminhos diversos, abastecer em postos diferentes, fazer compras em vários supermercados, ir a praias, shoppings, pontos turísticos e nas danceterias como já fazia, lembrando sempre de estacionar bem perto da entrada ou onde tivesse mais movimento de gente. Uma coisa que decidi foi ir na entrada ou saída das aulas dos colégios públicos de Curitiba e municípios vizinhos. Em pouco tempo um jornal me contatou para fazer uma reportagem. Saí numa foto colorida com o Dance Móvel na primeira página e em destaque. Não gostei muito da foto: minha cara não saiu bem nítida e estava sem a minha camiseta com o anúncio. Também saí em duas emissoras de televisão, uma de rádio e mais outro jornal escrito, os quais guardei de lembrança. Nas matérias estavam o número de meu telefone celular e meu e-mail. Mensagens ou ligações de Curitiba e região eu recebi pouquíssimos, como já era de se esperar de um povo como esse. É pena que só saí em nível estadual.
Eu e o meu antigo Dance Móvel (agora é outro carro) na frente de uma das danceterias onde ia (hoje só vou de vez em quando). Nas laterais e no prisma luminoso os mesmos recados, crítica e o meu lema que trago nos meus panos. Além do meu logotipo (a bola maluca das danceterias).

Eis aqui um vídeo que um pessoal da UFPR produziu comigo e no qual aparece o primeiro Dance Móvel

9 - MINHA CAMPANHA PARA CONHECER GATINHAS E MAIS UMA PAIXÃO

No ano seguinte eu não estava estudando, mas me deram uma outra idéia para ajudar na minha interminável busca de uma companheira: e se eu escrevesse um anúncio em minha própria camiseta, com o número do meu celular? Falaram-me isso por brincadeira, mas não é que levei a sério mesmo? No começo usava camisetas brancas com letras pretas e para o inverno preparei um moletom branco também com o anúncio na frente e nas costas. Nas danceterias só ia com este anúncio. Assim fiquei um pouco mais notado pelas garotas. Na 360 graus (hoje Planeta Ibiza), umas garotas até brincaram comigo uma vez por causa desta idéia. E finalmente um dia aconteceu algo inesperado: um Dj me chamou e perguntou se isto era sério mesmo. Eu disse que era e ele disse que ia me dar uma força então. Chamou-me lá na cabine de som e avisou a mulherada solteira sobre mim. Pediu para uma subir lá e ficar comigo. Veio uma e nos beijamos algum tempo na frente de toda a galera lá presente. Uns pensaram que eu era um Dj e que aquilo fazia parte da programação da casa para descontrair o pessoal. Seja lá como for, aquele dia fui visto por muita gente! Continuei atravessando a cidade para ir de quando em quando na 360. Um dia notei uma garota loira acastanhada que ficava num tipo de mezanino que tem até hoje. De vez em quando me pedia se eu tinha cigarro ou isqueiro. Ela aparentava uns 17 anos aproximadamente e tinha um jeitinho que me cativou. Mas como sempre, jamais chego em alguma mulher. Eu ficava só olhando-a de longe. Vez por outra ela ficava conversando com uns tipos de cabeça raspada, bonés virados para trás, brincos de argola e roupas largas, que se tornaram comuns principalmente nos bairros de periferia de Curitiba desde 98. Não me simpatizava muito com este tipo de gente, não tanto pelo vestuário, pois nesta época eu já usava calças meio soltas no corpo. O problema era a cabeça, as idéias desses caras e as atitudes abomináveis dos mesmos. E de muitas garotas também. Pensei que faltava aquela menina conhecer um cara certo, que a consideraria e poderia estar disposto até a levar algo sério com ela. Cheguei até a ficar com pena dela. Na maioria das vezes que ia a este lugar lá estava ela. No dia 24 de dezembro de 2000 eu estava no Terminal Guadalupe, pronto para pegar o ligeirinho Sítio Cercado para descer no Terminal do Carmo e ir de novo na Danceteria 360o, onde naquele dia iam sortear um fusca usado. De repente alguém me cutucou com o dedo nas costas, me deu oi, chamou-me de amiguinho e perguntou se eu me lembrava dela, da trezentos (era assim que muitos freqüentadores apelidavam nossa querida casa). Eu respondi e ela e uma amiga que estava junto pegaram o mesmo ônibus comigo e foram lá também. Imaginem como me senti. Era tão raro uma garota me dar atenção, ainda mais a que eu estava interessado! Parecia que eu estava rindo por dentro, que tinha acertado na loteria! Chegando lá fiquei imaginando que precisava mantê-las perto de mim, tinha que tentar conversar, beber algo junto. Finalmente alguém tinha chegado em mim. Elas me perguntaram se eu não bebia. Decidi comprar uma caipira para mantê-las comigo e ver se rolava algo. Perguntei o nome da que sempre me chamou a atenção. Aqui vou usar o nome fictício de Renata e sua amiga moreninha vou chamar de Karin. Nisso chegou um conhecido delas chamado Fábio (nome real). Era apelidado de bigode. Ele leu o anúncio que eu sempre trazia na camiseta: Quero conhecer gatinhas que curtam dance music e agitem no domingão. E disse que eu havia acabado de conhecer duas. Até perguntou longe delas qual me interessava e disse que para ele eu podia falar. Não dei muita atenção porque não o conhecia ainda. Fiquei horas naquele lugar, não ganhei o carro sorteado e ainda vi que a Renata parecia que estava ficando com outro. Aí de novo começou a me atacar uma crise de desânimo. O Fábio se encontrou comigo de novo perto da entrada e eu lhe falei da dificuldade minha com mulheres e que às vezes pensava que a morte seria melhor para mim. Ele disse que apresentaria umas amigas para mim, que todo domingo ia lá. Fiquei muito agradecido, mas estava me apegando à Renata. Desde a Paôla pensei que nunca mais me apaixonaria de novo. Descobri que havia me enganado. Então passei a freqüentar todo fim de semana aquele lugar. Um domingo fui com o meu carro e até comentei com ela que não podia ficar bebendo porque tinha que dirigir. Tudo de propósito, pois minha intenção era ver se podia dar carona a elas para me tornar mais íntimo. Ela me pediu carona, nem precisei oferecer. Levei também o Fábio, cuja casa ficava também no caminho das delas. Surgiu o assunto das garotas não me darem valor e então a Renata e a Karin me deram uns “conselhos segundo elas”, para eu conseguir gurias massa mesmo: tirar os óculos, usar calças largas, uns brincos de argola na orelha, raspar a cabeça e ser mais malandro. Assim chamaria mais atenção. Eu então falei que o bermudão que eu usava era largo e que a camiseta com os anúncios chamava atenção. A Karin concordou que chamava, mas que as mulheres ficavam meio assim... A Renata perguntou se eu já tinha ido a lugares country. Eu disse que sim, mas que não tinha gostado, que o meu estilo era dance music. E ela disse que nesses lugares davam mais mulheres, porque menininha... Ficou só nisso sua frase sem que eu pudesse entender o que ela quis dizer. Eu era ainda jovem e não era daqueles caras sérios que só querem “mulheres de verdade” segundo eles. Fiquei decepcionado ao ouvir tudo isso delas, ao mesmo tempo em que crescia em mim o meu costumeiro ódio de pessoas que condenam os meus ideais. Como essas mulheres se enganam a meu respeito achando que eu sou santinho, sério demais, cdf, ou seja lá o que for que elas pensam. Não sou de chegar nelas mesmo, isso é verdade. Mas se chegassem e me conhecessem realmente, aí iam ver que não sou bem o que elas estão pensando. Para começar nem na igreja eu ia mais, não acreditava muito em Deus e tinha atração por mulheres como qualquer homem normal. Era revoltado e tinha uma vida diferente da maioria desse povo medíocre da minha cidade. Além de viver em danceterias no domingo como elas. Num domingo depois o Fábio disse que elas estavam me procurando e depois apareceu com as duas no mezanino onde eu estava sentado. Fiz cara amarrada e nem dei atenção. Então a Renata perguntou se eu tinha ficado de cara com o que elas tinham me falado naquele dia. Eu disse que só tinha que ficar mesmo e ela me pediu desculpas. O Fábio me disse que ela sempre perguntava de mim quando eu não aparecia na 360 graus e até quando se encontravam por acaso em terminais de ônibus. Isso me deu uma esperança: será que ela sentia alguma coisa por mim também? De quando em quando me pedia bebida ou um real para entrar na casa. Só que muitas vezes ficava com outros caras. Peguei amizade com o Fábio e ele me convidou para um dia ir conhecer sua vila e sua galera. Fiquei muito feliz e esperançoso com isso porque por anos eu ia e voltava sozinho de todos os lugares, sem um amigo que me ajudasse a conhecer outras pessoas. Por meses eu vinha no Alto Boqueirão onde ele morava e saía com eles. Conheci mais algumas pessoas, infelizmente homens na maioria. Como sempre! Um dia um cara me contou que a Renata curtia fumar maconha de quando em quando e que saiu e saía com vários caras. Além de outras coisas. Fiquei muito chocado e triste ao ouvir isso e procurei saber a verdade. Outros caras me confirmaram, inclusive o Fábio. Um dia me lembro de que ela me pegou pela mão e saiu andando comigo na pista da 360 graus me dizendo que ia me apresentar umas amigas. Mas na passagem de uma pista para outra estava um cara que lhe chamou. Ela me pediu para esperar um pouco e em pouco tempo estava se beijando de língua com ele. Ó vida injusta: porque tenho que me apaixonar sempre pela pessoa errada?? Até o Fábio pensava que a Renata gostava um pouquinho de mim pelo menos por amizade. Quando eu não ia naquela danceteria sempre perguntava de mim. Só que a meu ver, mesmo amizade é diferente do que ela fazia. Só me procurava para pedir carona, dinheiro ou bebida. Que tipo de amiga era essa? Uma vez eu saía de carro com o Fábio e outro colega. Vieram a Renata, a Karin e mais duas amigas e me pediram carona. Eu resolvi dar, superlotei o carro e quando fui ligá-lo, vi que a gasolina tinha acabado e que eu tinha que ir buscar. Então elas imediatamente saíram e pediram carona a outro conhecido que lhes deu. Grande amiga que abandona um amigo numa hora dessas em vez de ajudá-lo! Um dia não agüentei mais e me desabafei de uma vez por todas. Odeio agüentar tudo calado uma coisa dessas. Eu escrevi uma carta contando que nunca tive coragem de lhe contar, mas que sempre fui a fim dela. No entanto falei que como sempre, me interessei pela pessoa errada, que não éramos nem amigos e que o negócio dela eram malacos que só sabem se aproveitar dela e depois caírem fora. Que ela infelizmente era como grande parte dessas garotas de periferia que infelizmente infestam como pragas as danceterias, entre outros lugares. Que não tem nada na cabeça e só vêem o lado delas. Egoístas como, aliás, é a maioria das mulheres curitibanas, que para mim não estão com nada. Não medi muito as palavras, até contei que me falaram que ela e sua amiguinha Karin eram vagabundas da pior qualidade. E pedi para sumirem do meu caminho. Estava revoltadíssimo novamente, mas como sempre não era a toa. Dias depois me disseram que ela comentou que não esperava isso de mim. O Fábio por sua vez me disse que ela ficou de cara pelo fato de eu saber o seu nome completo e detalhes da sua vida torta. Um dia ela ficou lendo a crítica que fiz as mulheres nas costas da minha camiseta, mas eu sempre fingia que não a via ou saía de perto dela. Como não dava em nada, resolvi esquecer a Renata. Já tinha passado um inferno anos antes e desta vez era um pouco mais vivido. Não foi nada fácil, mas consegui superar. Seja como for ela nunca mais chegou em mim nem mandou ninguém me pedir coisas. Depois de algum tempo parou de ir a trezentos, como é a maioria desse povo medíocre que só porque está com uma certa idade se acomoda dentro de casa. Fã fiel mesmo da dance music e das danceterias é só eu, o Fábio e uns poucos. Sem nenhuma mulher para variar, o que confirma minha conclusão de que elas são paradas demais. Soube que ela estava grávida (como era de se esperar) e se ajuntou com um cara. O último que vi com ela não tinha a cabeça raspada como me sugeriu fazer. Estranho: ela mesma se contradizendo! Depois finalmente me contaram que ela foi à danceteria escondida do marido e levou um tapa na cara dele. Bem feito: devia era ter levado um tiro na cara e deixar o mundo livre de tal praga! Comigo é assim: ou a mulher toma a iniciativa ou não dá em nada! E se for para ela chegar para me sugar é melhor que nem chegue. Aprendi duas lições que aqui quero passar a todos os leitores: 1a) É pura perda de tempo ficar sofrendo e alimentando esperanças por uma pessoa que não gosta da gente. Devemos tentar, mas quando está claro que não dará em nada temos que esquecer e partir para outra. 2a) Quando estiver em uma danceteria e uma garota chegar para te pedir dinheiro ou para comprar alguma coisa para ela, caia fora porque ela não quer ficar contigo. É uma vadia interesseira que te acha com cara de bobo e só quer te explorar. Quando é bonita e faz o meu tipo o que eu faço é surpreendê-la dizendo que só se ficar comigo. Assim ela vai ver que eu conheço a malandragem e não sou um ingênuo como acha. Um ex-colega me disse isso anos antes em Jaguapitã. Demorou, mas aprendi de uma vez por todas.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

8 - O CARA JÁ FORMADO NO ENSINO MÉDIO QUE VOLTOU PARA O COLÉGIO

Um dia fiz algo no mínimo estranho. Como as garotas que iam a danceterias no domingão na maioria eram de 15 a 18 anos, eu precisava arranjar um jeito de conviver próximo a elas. Várias eram estudantes de escolas ou colégios e ao ver tantas turmas visitarem onde eu trabalho, senti muita saudade daqueles tempos que não soube aproveitar por estar iludido com a Vanessa lembram-se? Aí me lembrei de uma vez quando estava no primeiro ano do segundo grau e conheci um aluno que me disseram que ele estava lá, mas já era formado. Estudava lá porque gostava de colégio. Veio-me uma espécie de clique, uma idéia repentina: e se eu também voltasse a estudar? Já tinha me formado no segundo grau, mas mostraria o meu histórico do primeiro ano dizendo que parei e queria terminar! E foi exatamente isso que fiz. Tinha que aproveitar a oportunidade porque ainda era jovem também. Até escolhi o bairro do Abranches por causa das lindas loiras que via no sarau da Sociedade Cultural Abranches. Matriculei-me no Colégio Estadual Santa Gemma Galgani e lá estudei um semestre. Experimentei uma sensação diferente: era como se fosse uma volta ao passado. Ao mesmo tempo me sentia um tipo de intruso ou clandestino dentro daquele colégio.


De segunda a sexta eu saia do trampo às 17 horas, pegava dois ônibus para chegar a aula, saia de lá às 22h30min mais ou menos, pegava mais dois ônibus para chegar em minha casa para trabalhar no outro dia cedo. Na vila onde morava não tinha ensino médio. O Santa Gemma ficava a oito quilômetros da nossa casa. Puxado não acham? Ainda bem que não trabalhava no sábado nem tinha aulas neste dia. Divertia-me com aquela turma. Como já tinha visto toda aquela matéria procurava tirar notas sempre boas. E conseguia! Tinha esperanças de que as gatinhas ao verem que sabia todo o conteúdo me pediriam ajuda e isso me aproximaria delas. Tinha alguns rapazes com quem conversava e algumas garotas. Quatro delas sempre sentavam na frente e uma delas era muito conhecida da turma e dos professores. Brincavam comigo de vez em quando com esta minha procura por garotas e obsessão com loiras de cabelos lisos. Dois desses alunos e as duas alunas com quem eu mais conversava souberam que eu era um cara já formado que voltei a estudar. Fui um tanto ingênuo ao deixar aquelas quatro da frente da sala saberem também, pois uma delas não me entendeu e fez comentários de que eu era louco. Uma outra delas um dia me falou que eu devia ser uma pessoa mais madura e acabei brigando com todas. Depois me arrependi e pedi desculpas a uma delas.

Como não tinha rolado nada com nenhuma das garotas da minha sala nem das outras, resolvi pedir transferência para outro colégio um pouco mais perto de casa, que dava para ir com um ônibus só. Deixei terminar o semestre e fiz isso. Decidi não contar a ninguém que eu já era formado e havia voltado para o segundo grau. Porém neste colégio não fui feliz. Não me desentendi com ninguém, mas o pessoal não era tão legal como o outro, que era pequeno. Notei que em estabelecimentos grandes as turmas se dispersam mais. Parece que nos pequenos a galera se conhece melhor e é mais unida. Não agüentei nem terminar o segundo semestre e parei de estudar. Queria dar um tempo, quem sabe no outro ano voltaria, só que em outro colégio.

7 - TENTANDO DE TUDO PARA CONSEGUIR UMA GAROTA

No entanto neste ano aconteceu uma coisa boa: conheci um cara que também tinha um azar tremendo com as mulheres, segundo ele até pior do que o meu: o Marcos. Várias idéias e gostos ele tinha que eram semelhantes aos meus, inclusive o gosto por cinema e filmes antigos. Era nostálgico também, mas não curtia ir a danceterias. Disse que desistiu ao ver que nesses lugares quase todos se davam bem e ele não. O que me diferenciava dele era que ele parece que se conformou com a situação, e eu ao contrário era e sou o exemplo da rebeldia e do inconformismo diante das injustiças da vida. Além de gurias, algo que sempre procurava era amigos, pois tive muito, muito poucos. Por ser uma pessoa diferente não entrava em sintonia com qualquer pessoa. Para mim a amizade com o Marcos foi muito valiosa. No entanto em sons eu continuava a ir sozinho e voltar sozinho. Não só nestes lugares, mas em quase todos. Eu era tímido e pensava diferente da maioria, mas com o tempo fui vendo uma das razões da minha solidão, que me revoltou outra vez. Além das minhas dificuldades eu simplesmente vivia em Curitiba. Quem veio de lugares como o Nordeste, Norte e outras regiões do Brasil provavelmente já entenderam o que eu quis dizer. O povo daqui simplesmente é fechado, desconfiado demais, “faz panelinhas”, não é unido e hospitaleiro como o nordestino, não se abrem para conhecer novas pessoas e muitos não conhecem nem cumprimentam os próprios vizinhos! É frio nos relacionamentos, falta aquele calor humano que eu tanto admiro. E querem saber mais? Recentemente guardei uma reportagem de jornal sobre jovens que vieram de fora para estudar aqui. Entre eles estavam pessoas de outras cidades grandes, até mesmo de São Paulo e que reclamavam da frieza da galera daqui. Não é, portanto por ser uma cidade grande que as pessoas são fechadas. Senão os paulistanos e cariocas seriam caipiras como os curitibanos e o que vi pessoalmente nessas metrópoles foi o contrário. De acordo com uma dessas pessoas entrevistadas é fácil reconhecer quem é daqui e quem é de fora: o curitibano não tem o hábito de cumprimentar no elevador, e se você esbarrar em alguém na rua e essa pessoa te olhar de cara amarrada mesmo você pedindo desculpas, pode saber que esse alguém é daqui. Se fosse de fora no mínimo seria simpática e abriria um sorriso. Segundo outro jovem muitas vezes o problema não é que o curitibano te trata mal: ele simplesmente não te trata! Não é a toa que o meu amigo Marcos se sente um homem invisível nesta cidade. Agora me digam: em um povo com uma mentalidade dessas como é que poderia encontrar uma mulher super extrovertida que chegasse em mim e tomasse toda a iniciativa como sempre sonhei?? Com as mulheres daqui são ainda mais difíceis os relacionamentos: a curitibana é devagar demais para o meu gosto, não toma iniciativa nem para cumprimentar a gente, muitas são orgulhosas ou sérias demais e grande parte das garotas de periferia mais novas não tem a cabeça no lugar e só querem saber de malacos. Além de outras coisas que criticarei depois. Comecei a tentar de tudo: anúncios em revistas, em jornais, na internet, bate-papo on line, agência de namoro... Até no vidro do nosso carro eu coloquei um folheto com uma foto minha e um anúncio. Não me conformava em não conseguir garota nenhuma e todos a minha volta terem namoradas ou conseguirem pelo menos ficar. Mas mesmo assim nada dava certo. Só me escreviam pessoas de longe e eu queria alguém daqui, para ver todo fim de semana. E que fosse uma guria que fizesse o meu tipo físico, extrovertida e gente fina, fanática por danceterias e pela música dance como eu. Disso eu não abria mão por mais que me criticassem. Discuti com muita gente, até com parentes. E ninguém conseguiu mudar minha cabeça. Na agencia de namoro passavam o meu telefone e as garotas me ligavam. Sempre foram elas que me ligaram, nunca tive coragem de pedir um telefone e eu mesmo ligar. E quando telefonavam tinha outro problema: ficava sem saber o que falar, simplesmente sem assunto e parece que com elas acontecia a mesma coisa. A que disse que gostou do meu papo eu mesmo decidi que não ia dar certo porque ela não ia a danceterias. Pelo menos todo fim de semana como eu. Em todo caso eu lhe pedi desculpas ao expor isso a ela. Houve uma que disse que gostava de dançar, mas não tinha um papo legal como a outra, até notei uma certa incompreensão e arrogância de sua parte, típica das mulheres daqui. Para ter uma idéia da sua falta de educação na nossa conversa eu pedi desculpas dizendo que era meio sem jeito para falar no telefone e ela simplesmente me disse: - é, concordo com você! Pois é gente, depois eu que sou revoltado. Sou sim, assumo mesmo e não é sem motivo. Depois vem uns babacas me dizer que a mulher é mais sensível, é compreensiva, é um anjo, sofre mais no amor e outras tolices. Pode ser até que tenha uma, mas como eu, é uma exceção. A experiência de vida que tive até hoje me mostrou isso. E sou taxativo em dizer que grande parte dessas perdiam de mim em sinceridade, sensibilidade, romantismo e principalmente em sofrer de paixão. Até poderia desafiá-las. As de hoje então, desafio quase todas em qualquer uma dessas áreas, mesmo nos tradicionais serviços domésticos. Essas minhas tentativas fracassaram e um dia eu vi na televisão uma reportagem sobre garotas que queriam ser modelos fotográficos e sobre cursos e agências de manequins e modelos. E fiquei pensando: tem rapazes nesta profissão e deve ser muito legal, ficam famosos e perto da mulherada bonita, além de muitos ganharem muito dinheiro. Muitas pessoas antes diziam que eu tinha uma boa aparência e um outro dia vi um anúncio sobre um curso de manequim e modelo fotográfico. Pensando em tudo isso resolvi me matricular e fazer o curso. E fiz. Foi na segunda metade do ano de 1998. Até desfilamos para receber o certificado. Procurei algumas agências e deixei meu book e currículo. Sabia que era uma carreira difícil, mas valia a pena tentar. Se não desse certo pelo menos eu tentei, não ficaria me arrependendo quando fosse velho por não ter tentado. Logo depois resolvi fazer oficinas de interpretação para a tv e pequenos cursos de teatro. Também era uma boa tentativa de ganhar dinheiro e ficar famoso. Me recordo de uma vez quando era religioso e teve uma peça na igreja. Todos gostaram da minha interpretação nos ensaios mas depois desisti de apresentar por causa da minha timidez. Preferi fazer um papel secundário, de figurante em que eu não precisava falar. Minha mãe, um tio meu e outros acharam uma pena porque segundo eles eu tinha me saído o melhor de todos. Eu também fiquei decepcionado comigo mesmo. Mas me sentia mal falando em público, até gaguejava se tivesse que falar na frente da sala de aula para todos. Uma vez fiquei com dor no estômago até no dia seguinte por causa disso. Participei de algumas peças e segundo conhecidos me saía bem. Meu amigo Marcos que é cinéfilo também gostou, achou que eu levava jeito. Disse que eu tinha que investir na fama, ser conhecido mesmo. A última peça em que participei fiz questão de levar minha mãe para assistir. Dessa vez dei conta do recado e não fugi: o público era até maior do que aquele da igreja se não me engano. O teatro para mim foi uma terapia: finalmente quase venci o meu embaraço em falar em público. Pelo menos melhorei muito. Ainda não saberia dar uma aula, mas fazer um personagem num palco eu conseguia e me realizava com isso. Gostava do desafio de memorizar um texto e interpretá-lo, dando vida à história e aos seus personagens. Finalmente tinha descoberto uma carreira para a qual eu tinha vocação e adorava. Deve ser fascinante você ganhar muito dinheiro com aquilo que ama e além disso ser conhecido e notado pela mulherada. Meu sonho era (e é) ser ator ou pelo menos um garoto propaganda. Gravamos em vídeo a simulação de um comercial de cerveja uma vez e foi engraçada a idéia que me deram. Eu queria até escrever peças com críticas sociais ou de terror e apresentá-la em colégios, mas infelizmente teatro não é valorizado pela população. Dinheiro você só ganha aqui se já for famoso, só assim terá público em suas peças. E para ser famoso entre o povo só aparecendo na tevê! Mais uma vez Curitiba me prejudicava. Aqui é mais difícil você conseguir uma carreira dessas do que em São Paulo e no Rio de Janeiro. Tentei até deixar currículos no Rio e São Paulo quando fui para estes lugares com o Marcos no começo do ano 2000. Mas morando no Paraná seria mais difícil ainda. E eu não me adaptei com estas cidades. Os moradores sem dúvida eram melhores de se lidar do que os curitibanos, mas nunca gostei de uma cidade em que não há um bairro tranquilo e com áreas de mata, parques, praças arborizadas. Em São Paulo principalmente parece que tudo é centro de cidade. Outra coisa de que não gostei foi do trânsito dessas cidades. Se for pelo lugar gosto mais de Curitiba, mas mesmo assim nos bairros. Pago para não morar no centro da cidade, com aquela poluição tanto sonora quanto atmosférica e aquele inferno de não ter como estacionar perto de onde vou, do trânsito lento e cheio de sinaleiros que te atrasam, além do maior perigo para andar à noite. Não sei porque as redes de televisão e o cinema se concentram só no Rio e São Paulo! Bem que poderia ter aqui também! Bem leitores, até isso eu tentei para conseguir mulher. Mas gostei tanto que trabalharia com isso mesmo que já tivesse uma. Pena nunca ter conseguido trabalhar no que realmente gosto de fazer. Realização profissional não é para todos pelo que vejo. Infelizmente!
O último book que fizeram de mim

quarta-feira, 16 de junho de 2010

6 - O INÍCIO DA MINHA PAIXÃO POR DANCETERIAS E PELAS MÚSICAS

Minha vida começou a tomar outro rumo. Comecei a fazer coisas que antes nunca tinha feito. Foi aí que um dia em Jaguapitã, no norte do Paraná, uns primos me convidaram para ir com eles a uma danceteria. Eu resolvi ir para acompanhá-los e ver como era uma por dentro. Fiquei extasiado desde a primeira vez com aquele ambiente escuro com aquelas maravilhosas músicas, a galera se agitando e aquelas luzes coloridas e vivas no teto. Era uma casa bem pequena chamada Alkatraz. Até me lembrei de um filme legal chamado no Brasil de Alkatraz, Fuga Impossível. E a comparação até que teve tudo a ver na minha vida. Desde aquele dia jamais deixaria de freqüentar danceterias e curtir músicas eletrônicas. Outra paixão a primeira vista. Como a cidade era bem pequena e não tinha muitas opções de lazer, a garotada ia em massa no lugar, que não durou muito tempo. Fechou, mas felizmente aquele som continuou, desta vez no Country Club da cidade. É que, ao contrário daqui, lá o dono da casa e o das aparelhagens de som não eram os mesmos. Os que tocavam alugavam os lugares. O nome do conjunto eletrônico era Invasion. Jamais poderei esquecer dos que ajudaram a despertar em mim o gosto por este tipo de música. Tocavam Moder Talking, Bad Boys Blue, Pet Shop Boys, Man to Man e muitos outros. Comecei pela primeira vez a olhar para outras garotas desde que conheci a Vanessa. Ela não me dava valor mesmo, o que havia de errado nisso? Só que não tinha coragem de chegar nelas para trocar umas idéias. E alguns caras me diziam para chegar nas meninas. Teve um que disse que uma loirinha por quem me interessei estava namorando, alegando que eu não cheguei. Eu sentia isso como se fosse uma pressão da sociedade e comecei me revoltar mais uma vez. Se tem duas coisas que sempre detestei é ser pressionado e pessoas que não entendem nem querem entender a dificuldade da gente, a qual eu não tinha culpa de ter. Aí me ocorreu um pensamento que passei a divulgá-lo e a defendê-lo com unhas e dentes: porque é o homem quem tem que chegar na mulher? Não seria muito melhor se elas também chegassem, principalmente para os caras tímidos como eu? Não diziam que elas são sensíveis, românticas, compreensíveis? E hoje em dia inclusive elas dizem que querem direitos iguais não é mesmo? Ou são egoístas e só vêem os interesses delas? O que me irritava era quando me diziam para perder a timidez. Essa babaquice era tudo o que sabiam me dizer e ainda tem gente ignorante que pensa assim. Eu devo perder a vergonha? E elas?? Devem simplesmente ficar de braços cruzados e esperar o seu homem cair do céu??? Será que a parte interessada é só o rapaz? Onde estavam os direitos iguais afinal, onde? Mas voltando aos acontecimentos, resolvi conhecer as danceterias de Curitiba onde morava. A primeira daqui em que entrei foi o Stúdio 1250 no Bairro Cabral, muito falada na época e não muito longe de casa. Era lá que a garota que eu amava ia antes, quando o Stúdio Moustache funcionava no lugar. A Vanessa lembram? Cheguei a perguntar dela lá, mas ninguém a conhecia pelo nome. E ela tinha já parado de ir. Fui com dois daqueles quatro primos que tinham ido comigo na Danceteria Alkatraz de Jaguapitã. Não se interessaram muito, mas eu sim. Era bem maior que a outra e tocava Dance Music, que ainda não tocava no norte do estado. Lá era mais euro disco e outras. No entanto adorava os dois gêneros e as casas daqui e de lá. Depois do 1250 fui conhecer a Moustache Sound & Dance, que ficava no mesmo bairro. Também tinha um fascinante conjunto de luzes e som e o ambiente escuro e aconchegante, cheio de gatinhas e de gente jovem a animada. Uma vez fui nesta danceteria com minha prima que era uma das pessoas que foi comigo na primeira vez lá no norte. Mas na maioria das vezes eu era um solitário, ia e voltava sozinho mesmo destes lugares. E de ônibus na maioria das vezes! Conheci grande parte das discos de Curitiba e região dos anos noventa: a famosa Danceteria Sistema X de Santa Felicidade, o Stúdio PB2 de Pinhais (atual Millenium Disco Club), a Crocodilo de Colombo, a By Dancing House (apelidada de Bonato) e o Clube Show, ambos em Santa Cândida, a Number One (depois chamada de Sunset Dance Music) e a Roda Viva, ambas no centro da cidade, a Yellow Danceteria no Xaxim, a Sociedade Recreativa Campo Comprido, apelidada na época de campão e hoje com o nome de Apotheose, a Zoom Make to Dance e a Danceteria 360 graus no Boqueirão. Esta última é a atual Planeta Ibiza Night Club, que ainda freqüento de vez em quando. Fui também em outras que não curti muito e só as visitei uma ou poucas vezes. Isso nas matinês de domingo, que sempre foi o meu dia e hora de curtir dance music. Quando ia nestes lugares sempre achei que como a moçada ia para se divertir e conhecer alguém, um dia chegaria a minha vez. Quando estava em Curitiba ia nas daqui e quando ia para Jaguapitã ou outras cidadezinhas da região, ia nas de lá. No interior chamavam de clubes estes locais. Bons tempos eram aqueles! Naquela época (anos 90) ainda havia gurias que mexiam comigo, ainda que fosse de vez em quando. No entanto ainda era muito tímido, mesmo nessas ocasiões. Uma vez estava saindo da By Dancing House (Bonato), quando duas gurias numa rua que saia na que eu estava falaram oi para mim e perguntaram mexendo comigo onde que eu ia. Eu olhei para o lado delas e as mesmas sacudiram o braço. Embora adorasse o que estava acontecendo não sabia o que falar nem o que fazer. Deu-me um branco na cabeça e fiquei sem ação. A única coisa que fiz foi continuar andando. Infelizmente não tinha nenhum colega mais extrovertido comigo que pudesse me ajudar. Por dias fiquei me lamentando por não ter tido coragem e até hoje (depois de anos) quando lembro, sinto que é uma das mágoas que tenho carregado a vida inteira, sem poder voltar para reparar o que não fiz. E o pior é que não foi a única vez, como vou contar agora. Outro dia no Stúdio 1250, estava com um outro primo e duas gatas me deram bola. Tinha uma escada que eu estava começando a descer e elas subiam. Quando cruzaram comigo sorriram me olhando e uma delas pegou em meu cinto e se apoiou para subir. Tinham os cabelos longos e lisos do jeito que eu gosto. A cor dos da que pegou em mim era castanha. Por azar meu primo tinha se afastado um instante e novamente fiquei sem ação. Falei delas para ele assim que voltou, mas não as achamos. Isso foi no ano de 1994. No ano seguinte, na Moustache Sound & Dance houve uma daquelas festas do terror em agosto, com aqueles túneis com monstros e outras coisas mais. Eu não perdia nunca essas festas, que ocorriam em várias danceterias de Curitiba. Lá num corredor perto da pista eu estava passando sozinho e uma garotinha de uns catorze ou quinze anos, baixinha, me disse oi. Eu respondi e ela perguntou tudo bom. Eu confirmei e continuei andando, pois estava indo ao banheiro. Lá eu pensei: desta vez tenho que puxar algum assunto e continuar com a conversa. Preciso conhecê-la e desta vez foi ela quem tomou a iniciativa de falar primeiro. E assim decidido fui procurá-la, porém em vão. Ouvi o dj dizer que tinha mais de quatro mil pessoas lá dentro. Por alguns fins de semana seguidos eu fui lá na esperança de encontrá-la de novo. Nunca mais a vi. Neste ano me disseram que a Vanessa tinha se casado e tinha já uma criança pequena. Embora tenha tentado investigar para conferir, nunca pude verificar a veracidade desse fato. Decidi de vez me abrir para outras garotas até mesmo para aventuras, dar bola para qualquer uma por quem sentisse atração. Isso mesmo, em vez de sério decidi ser gandaieiro e sair com um monte. Pois não tinha adiantado nada querer algo sério. Além do mais queria desafiar a minha antiga religião que sempre condenou essas coisas. E também Deus, caso ele existisse mesmo. Pois confiei nele e me decepcionei, esse ser nunca moveu uma palha para me ajudar! Embora algumas vezes as mulheres tomassem a iniciativa de falar comigo, quero lembrar que eram momentos raros. Era mais comum antes, quando não ia a danceterias e só via a Paôla. E chegou o ano de 1996. Um dia resolvi ir à Sistema X, que eu já conhecia e curtia demais. Estava sozinho como sempre, na primeira pista após a bilheteria. E de repente se aproximou de mim uma menina de uns dezesseis ou dezessete anos e se não me engano me pediu um cigarro. E me chamou para sentar a mesa onde estavam ela e suas amigas. Eu quase explodi de alegria, embora não demonstrasse. Sempre tinha sonhado com um momento daqueles! Ela dizia que se chamava Jaqueline e me apresentou a Sandra, a Cláudia e umas duas ou três outras garotas. A Cláudia e a Sandra eram duas gatinhas, a primeira de cabelos lisos, compridos e pretos e a segunda também de cabelos lisos e longos, só que loiros meio acastanhados. Eu conversei mais com a Cláudia, que tinha me fascinado. Paguei até Pizza para elas naquele agradável mezanino que tinha no andar de baixo da segunda pista. Nunca tinha ficado sozinho comendo e bebendo com várias gatinhas ao meu lado. Era tão difícil acontecer aquilo que eu não podia deixar de aproveitar cada momento. Nos domingos que se seguiram eu ia só nesta danceteria. E sempre as via, com exceção da Cláudia que não sei porque não estava indo mais. Um dia a vi na Festa do Vinho em Santa Felicidade, mas ela passou por mim e nem me cumprimentou. Cheguei até levar um daqueles primos meus que me apresentaram uma danceteria pela primeira vez, para me ajudar com aquelas garotas. Mas ele assim como eu chegou a conclusão de que elas não queriam nada com nada e só ficavam comigo para eu ficar pagando bebidas para elas. Isso não pude negar e comecei a me decepcionar, pois toda hora elas me pediam para pagar coisas. Dei um tempo na Sistema X e comecei a ir em outras. Ainda mais porque não vi mais aquela que tinha me interessado. Nunca me esqueci delas, queria ser pelo menos um amigo, mas desse jeito não dava. Aliás, nunca deu certo mulher nenhuma comigo, mesmo quando (e era raro) eu conhecer alguma. Que tristeza, desilusão e revolta continuava a crescer em mim! Em 97 conheci outra garota na Sociedade Campo Comprido, quando ela me perguntou se eu tinha cigarro. Tomei uma bebida com ela e com suas amigas. Na hora da sessão de músicas lentas que eu esperava, ela começou a dançar com uma amiga e a outra disse que ela tinha vergonha. Não foi muito adiante esse relacionamento e como sempre, não deu em nada.

Alguns anos depois fiz de novo duas fotos na mesma pose como tinha feito naquele outro estúdio. Quero que as mulheres vejam e concluam. Eu era feio? Eu sou feio? Será que mudou o padrão de beleza para quase nenhuma me dar valor?

terça-feira, 15 de junho de 2010

5 - NO ANO SEGUINTE EM OUTRO COLÉGIO...

Mas no ano seguinte tive uma surpresa: ela não estudava lá, pelo menos no turno da tarde em que eu estudava. Tentei me informar onde estava com um aluno da minha sala que a conhecia. Ele tinha um irmão que a conhecia melhor e que disse tê-la visto na Escola Técnica, que era como chamavam o Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná (CEFET-PR) naquela época. Então decidi estudar lá também e falei com os meus pais. Era preciso fazer um curso preparatório e comecei a fazer. Saía a tarde do Colégio Estadual e ia à noite para lá. Sempre tentando localizá-la.

Um dia encontrei um aluno que havia estudado no mesmo colégio que nós no ano anterior e que a encontrava no ônibus de vez em quando. Pedi para ele perguntar onde ela estudava e acabei descobrindo que era num colégio particular no centro também. Mas sofri de novo com o que ele me contou: que ficou brava quando soube que era eu quem perguntou e disse que aquele tarado (que era eu) queria agarrá-la. Fiquei decepcionado: como podia pensar isso de mim? Não sabia que eu era apaixonadíssimo por ela? Nunca lhe desejei mal algum! Vanessa foi muito injusta comigo!! Decidi então não entrar mais no CEFET, já que ela não estudava lá. Minha mãe não entendeu isso, mas nunca tive coragem de lhe contar o real motivo. Fui infeliz naquele ano: não a vi mais e ainda por cima morreu um tio meu, nosso vizinho e irmão do meu pai.

Vivia um inferno: não conseguia me esquecer daquela mulher! Fui um dia no colégio onde estudava e perguntei o número do seu telefone dizendo que era um conhecido, e que uns parentes dela do norte do Paraná a estavam procurando. Inventei tudo e consegui o número. Não tive coragem de ligar e o Daniel tentou me ajudar. Ela e sua família eram iguais: grosseiros e desconfiados. Tanto a Vanessa como sua irmã eram de bater o telefone na cara da pessoa. Cheguei também a conhecer finalmente sua mãe ao descobrir que a mesma trabalhava numa loja. Fui lá só para saber quem era. Até pela cara se via que era uma senhora muito séria, do tipo que ri pouco e está quase sempre de cara amarrada. Tentei também mandar outra carta relembrando o que sentia por ela e esta a pegou, mas ficou brava até com o cara que a entregou. Não surtiu efeito algum.

Naquela época eu seguia a religião dos meus pais. Minha mãe sempre disse que conseguiu o homem que tinha pedido para Deus, que era inclusive da mesma igreja que ela. Eu acreditava que era a Vanessa que era para ser a minha futura esposa, pois desde que nasci só havia me apaixonado por ela e esse sentimento não morria. Só que também nunca deu certo o nosso relacionamento.

Sempre desejei ter pelo menos uma foto dela, daquele monumento à beleza. Alguns conhecidos meus pediram sem contar que era para mim. Um deles era o meu ex-professor de Educação Física Mauro Rodinski. Ela nunca deixou. O que tinha de bonita tinha também de orgulhosa, metida, se irritava fácil e era desconfiada de tudo e de todos. E morava numa capital em pleno século vinte e não no sertão no século dezenove! Nunca consegui entender o porquê desse mau gênio que tinha. Várias pessoas que a conheceram falavam isso também, inclusive aqueles alunos que haviam estudado conosco.

Uma ocasião fiquei sabendo que ela estava namorando. Entrei mais ainda em tristeza. Era como se o mundo tivesse desabando em mim. Até mandei uns colegas que a conheciam ir ao seu bairro para investigar se isto era mesmo verdade. E infelizmente eles confirmaram que era. O que eu mais temia e detestava aconteceu. Desejei a morte várias vezes.

Tempos depois soube que ela havia separado do seu namorado, porque o mesmo deu bola para outras no Stúdio Moustache, que era uma danceteria aonde ela ia na época. Lá eu poderia revê-la, mesmo que fosse meio de longe. Só que devido ao fato de ser protestante eu não entrava nestes lugares, por haverem me ensinado que freqüentar esses locais e dançar era ir para o mau caminho.

Procurei muitas vezes ajuda na minha religião e nas orações. Só um milagre me salvaria daquela desgraça. Contei a meus pais e a muitos outros que tinha um problema que me tirou a paz. Um dia minha mãe perguntou ao me ver muito triste se eu estava gostando de uma menina e eu menti que não. Pedia a Deus que ou me desse a Vanessa ou pusesse uma outra mulher na minha vida. Ou pelo menos curasse essa obsessão que eu tinha por ela. Mas nunca fui atendido. Comecei a duvidar da existência de Deus e fui abandonando aos poucos as igrejas aonde eu sempre ia desde que havia nascido. A revolta foi crescendo cada vez mais dentro de mim e a paixão que eu sentia por Vanessa começou a se transformar em ódio. O que adiantou eu ser religioso, viver dentro do templo e a minha vida ser só fracasso e infelicidade? Onde estava o castigo daquela maldita que me deu esperanças e depois destruiu a minha vida? Porque Deus me permitiu conhecê-la? Milagres para mim se existiam, só aconteciam na vida dos outros mesmo. E olha que antes eu tinha fé! Onde estavam as promessas da Bíblia de que me falavam, que se tivéssemos fé conseguiríamos determinada coisa. Conversa fiada! Tudo blá, blá, blá!



Aqui já era adolescente. Esta é uma das melhores fotos já tiradas de mim.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

4 - TERCEIRO ANO DE SONHOS E PAIXÃO

Deu sorte de estudarmos até na mesma sala. Gostei da turma, me dei bem com o Professor Mauro de Educação Física e com a Professora Miriam de Português. Ela achava que eu tinha talento para escrever e até me deu um livro de romance. Esses professores souberam da minha paixão por Vanessa, que continuava intensa como a dois anos atrás. O meu amor eu podia ver na hora do recreio e mostrei quem era para o Daniel. Ela tinha deixado crescer aqueles cabelos lisos, que davam no seu ombro já. Ele disse que eu devia criar coragem e me declarar para a minha amada. Lembrou-me que ela já estava na oitava série e no próximo ano iria para outro colégio. É que aquela era uma escola e não tinha segundo grau (hoje ensino médio).

Depois de uns dois meses e dela já ter falado comigo com suas amigas, resolvi contar o que eu sentia desde que a conheci. Como não tinha coragem de falar resolvi lhe escrever e pedi para um colega entregar. Era primo do Daniel. Na carta disse que se quisesse falar comigo sobre este assunto que viesse sozinha. Num recreio a Vanessa pediu licença para meus colegas e veio conversar. Perguntou porque eu tinha mandado aquela carta e eu lhe respondi. Sentia-me tenso e nervoso. Ela falou que diziam os outros que não ia dar certo isso e que eu não gostava dela não, era imaginação minha. Eu respondi que não era não. Por fim ela me disse que queria ser minha amiga, que me ajudava que quando precisasse. Sem saber o que falar eu respondi que tava bom então. Em casa naquela noite no banheiro eu chorei, mas baixo para meu pai e minha irmã não ouvirem. Minha mãe ainda não tinha chegado do trabalho. No dia seguinte eu decidi me conformar, mas lá estava no recreio, sempre sentado perto do lugar em que a minha paixão ficava com suas amigas. Aí uma delas chegou perto de mim e me disse: -Adial, a Vanessa te ama. Eu perguntei quem tinha mandado dizer e ela disse que foi a própria. Minha felicidade havia voltado.

No entanto mesmo que gostasse de mim, aquela garota parecia ter receio de algo sério comigo. E eu não tinha coragem de tomar mais iniciativa. Algumas vezes lhe mandei outros recados escritos. Uma vez lembro que ela me pediu um caderno em que eu fazia uns desenhos para vê-lo. Depois do recreio uma menina da minha sala me entregou, dizendo que ela me mandou um beijo.

E logo após começou um dos maiores dramas de toda a minha vida. Um dia o meu amor me procurou, mas estava com a cara muito séria e eu fiquei com medo. Escondi-me dentro do banheiro masculino e por um descuido meu, acabou me vendo e veio me chamar do lado de fora. Eu rapidamente entrei numa daquelas divisões onde tem o vaso e fechei a porta. Ela gritou para eu largar de ser idiota e ficou me chamando. Um outro dia depois a Vanessa me surpreendeu no recreio e disse para eu deixar de ser bôbo de ficar mandando cartinhas, porque não gostava de mim. Mas as suas amigas disseram que gostava sim.

Fiquei muito triste! Chorava bastante. Eu a via em todos os lugares: numa música, num filme emotivo, enfim: vivia obcecado pela Vanessa! Mas não contava a meus pais com medo deles me censurarem, ainda mais por ela ser de outra religião. Eles eram evangélicos e são até hoje. Minha mãe queria que eu me casasse com uma mulher evangélica. Só que eu não me interessava pelas meninas da igreja, elas não faziam meu tipo. E as que faziam não se interessavam por mim. E mesmo que se interessassem, na minha cabeça só existia a minha querida Vanessa. Quem é ou já foi apaixonado sabe muito bem o que digo.

Depois disso até lhe mandei uns recados pedindo desculpas e dizendo que eu não era uma má pessoa, nem o bobo que ela pensava que era. Um dia a Vanessa me olhou bastante do corredor para dentro da sala em que eu estava. Mas nunca tive coragem de chegar nela. Eram dois sentimentos opostos dentro de mim: de um lado uma paixão muito intensa e de outro a minha terrível timidez. Alguns me julgavam dizendo que eu era bobo. Julgar precipitadamente. É o que até hoje fazem muitas pessoas. Só que eu não tinha culpa de ser tímido e ainda era meio criança.

Aquele ano foi terminando. Minha mãe quis me transferir para o Colégio Estadual do Paraná porque era um colégio bom. E como toda boa mãe, queria que seu filho tivesse futuro. Eu aceitei porque achava que a Vanessa iria para lá também. Afinal era estudiosa e muita gente falava neste colégio. Era muito procurado.


Em memória do nosso grande Professor Mauro Rodinski (11/03/1944 a 30/04/2005)

As duas fotos a seguir são do Professor Mauro de Educação Física, no tempo em que dava aula na Escola Estadual Maria Montessori. Ele era uma pessoa muito legal, carismático, que sabia tratar bem os alunos e cativar a simpatia dos outros. De bem com a vida, animado, brincalhão e alegre. Conquistou minha admiração ao lado da Professora Miriam de Português. Tinha paciência com a minha dificuldade em aprender jogos de bola, o que não era todo professor que tinha. De vez em quando me perguntava como iam os filmes de terror que eu gostava. Era até um tipo de confidente, para ele eu contava a paixão que tinha pela Vanessa. Ele até dava carona para seus alunos naquele seu opala azulão. Uma alma nobre. No ano seguinte quando eu estudava em outro colégio ele me encontrou no ônibus, me cumprimentou e puxou conversa. Eu até fui aquela escola e bati estas duas fotos dele e daquela professora. Fui de vez em quando lá e depois perdi o contato. Anos se passaram. Recentemente eu tentei localizá-lo pela internet mas infelizmente ele tinha deixado nosso convívio.
Grande Professor Mauro, mestre e amigo que fez parte da história da minha vida, cujo carisma conquistou a tantos! Jamais me esquecerei do senhor enquanto viver. Se pudesse voltar no tempo... Mas pelo menos poderei contar para a posteridade sobre essa pessoa especial com quem tive o prazer de conviver um dia!

terça-feira, 8 de junho de 2010

3 - A PRIMEIRA PAIXÃO DA MINHA VIDA - OS DOIS PRIMEIROS ANOS

Aos doze anos, quando estava na sexta série do primeiro grau (hoje ensino fundamental), conheci uma menina da minha sala que aqui vou usar o nome fictício de Vanessa. Ela era representante ou monitora da turma e um dia quando estava na frente da sala falando a todos, eu a observei pela primeira vez. Olhei seu rosto, seus lábios, seus dentes brancos, limpos e bem cuidados e seus olhos lindos e com vivacidade. Seu sorriso e seus cabelos lisos, curtos e escuros. Pele clara e limpa, não notei nenhuma mancha ou enfermidade de pele. Ouvi sua voz encantadora. Trajava uma blusa amarela sem botões, e se não me engano usava calça jeans azul escuro. Estava de pé e eu sentado na carteira a alguns metros dela. Eu a olhei no rosto e senti um contentamento muito intenso tomando conta de mim. Até esbocei um sorriso. Estava fascinado por aquela garota. Pela primeira vez na vida eu estava completamente apaixonado. E foi praticamente um amor a primeira vista. Era ainda uma criança, mas desde a primeira vez que a vi e ouvi sua voz eu já fiquei gamadão nela. Sua beleza era incomparável, singular, sem igual. Sem dúvida nenhuma a menina mais linda que eu já vi! E como era a representante ficava sempre na frente da sala, próxima à lousa e à mesa do professor, olhando a turma quando a professora não estava. E adivinhem quem ficava admirando-a sem parar! Eu gostava muitíssimo daquele seu sorriso, que era muito bonito, o mais lindo que eu já havia contemplado. Aquele sorrisinho doce, fascinante, vivo e alegre. E os seus dentes como eram lindos. Bem brancos e conservados. Ela usava um aparelhinho para corrigir a posição dos mesmos. Devia ser de aço inoxidável. Quando sorria, eu podia notar uma parte do aparelho prateado em seus dentes. Eu ficava extasiado. A sua boca era tão bonita. Doce, meiga e fofa, bem vermelha. O lábio inferior era mais grosso que o superior, bem do tipo que eu gostava. Lembrava a boca de uma boneca. O seu rostinho tão lindo com aquele queixo arredondado e delicado. Aquele seu olhar firme e penetrante. Seu nariz arredondado e seus cabelos curtos e bem cuidados. Pele clara e linda, devia ser tão macia. A sua altura, um pouco mais baixa que eu, e o seu modo de andar, firme e decidido. Seu corpo também era bonito. Era doce escutar aquela voz agradável. Sempre que ela ficava na frente da sala eu a ficava observando, fascinado pela sua imponência e beleza fora do comum. Inclusive eu ouvia a maioria dos alunos e até alunas da minha turma dizerem ser Vanessa a guria mais bonita da sala. E eles estavam certos. Certíssimos na minha opinião. Ela era imponente, radiante!

Só que infelizmente tinha um temperamento difícil: irritava-se fácil, era orgulhosa e meio prepotente. Desconfiada demais de tudo, como se todo admirador seu tivesse más intenções. Isso intimidava ainda mais um menino acanhado como eu era. Eu morria de vergonha só de pensar que ela, a turma e os professores soubessem o que eu estava sentindo. E dos seus pais então tinha pavor, mesmo sem nunca tê-los visto. Eu pensava naquela mulher todos os dias: no recreio, no caminho de volta para casa e ao dormir.

Um dia na sala eu conversava com um colega e tive uma surpresa: a Vanessa ficou me olhando sem parar e falou o meu nome de um modo romântico, que demonstrava que sentia algo por mim também. O meu colega também achou isso. Imaginem o impacto que isso me causou! Já era uma pessoa sentimental, estava apaixonado por ela... Aquele dia inteiro eu fiquei pensando nela, feliz da vida com a importantíssima descoberta. A esse pequeno fato se seguiram diversos outros, confirmando o que eu tinha descoberto. No entanto grande parte da turma achava que eu era meio maluco devido a certas brincadeiras e palhaçadas que fazia na sala. Ela também pensava e isso a afastava devido ao seu temperamento. Sempre fui desajustado com a sociedade, só que naquela época também... Também eu era uma criança.

Naquele ano eu reprovei a sexta série em Matemática. Minha primeira reprovação. Acho que não levei muito a sério, brincava demais na sala de aula. Ela passou, era uma garota estudiosa e responsável nesse ponto. No ano seguinte fui para o turno da tarde. Nós estudávamos de manhã. E a Vanessa continuou de manhã. Continuei sonhando com ela naquele ano inteiro. Uma coisa boa aconteceu: conheci um amigo de confiança, o Daniel (este é seu nome verdadeiro), que também apreciava filmes de terror antigos. Passei a confidenciar a ele o que acontecia em relação a mim e a menina que eu tanto amava. Ele quis conhecê-la e me ajudar no que fosse possível. Mas eu só a vi umas duas vezes naquele ano. Em uma delas nos encontramos, ela me cumprimentou e perguntou se eu não me lembrava mais dela. Eu e o Daniel decidimos estudar de manhã no próximo ano. E assim fizemos. Desta vez não reprovei.

Cena do filme "O Túmulo do Vampiro" (Grave of the vampire), um dos que mais marcaram minha infância. Foi lançado em 1972. Se alguém quiser ver a primeira parte acessem http://www.youtube.com/watch?v=l5Ah5Gvqjv8

segunda-feira, 7 de junho de 2010

2 - MINHA INFÂNCIA - JÁ OBSERVAVA MULHERES

Desde bem criança sempre achei que um dia como todas as pessoas, arrumaria uma namorada e me casaria. Sempre ficava observando quando via uma mulher bonita e bem arrumada. Até comentei uma vez lá pelos meus sete anos quando passava por uma loja com a minha mãe: -mãe essa mulher parece uma bonequinha. E ela até pouco tempo atrás ainda se lembrava disso.

Até os cinco anos fui o único filho, criado mais entre adultos e sem contato constante com outras crianças. Eu era muito tímido e até me escondia no quarto quando chegavam estranhos ou parentes que via pouco. Pedia a minha mãe que queria uma irmã para brincar comigo e meus pais resolveram ter outra criança. Mas infelizmente devido a problemas de parto minha irmã nasceu com deficiência mental. Só fomos notar isso quando ela foi crescendo. Éramos mais pobres do que somos hoje e morávamos de aluguel. Logo após o nascimento da minha irmã mudamos para o nosso próprio imóvel já no município de Colombo. Fiquei ainda mais isolado de outras crianças da minha idade porque aquela região era mais isolada que a outra perto da Avenida Presidente Kennedy onde morávamos antes em Curitiba.

Aí chegou a época de entrar na escola. Como era de se esperar, tive uma enorme dificuldade de adaptação. No primeiro dia formamos fila no pátio e eu me lembro que se minha mãe não ficasse junto eu não ficava lá. Ela teve que até ir junto comigo na sala de aula. Muitos alunos curtiam com a minha cara e até comentavam que eu era bôbo. Tive problemas de comportamento na escola e dei várias preocupações a meus pais. Mas aconteceram coisas boas também: era um dos alunos mais estudiosos e adiantados e sempre gostaram dos meus desenhos e de como eu escrevia.

Naquela época minhas diversões eram viagens ao Norte do Paraná, idas às casas de parentes e em outros lugares. E a televisão, que naquele tempo era muito melhor do que é hoje em termos de programação. Uma das coisas de que mais gostava eram os filmes de terror antigos que passavam tarde da noite.



















Foto minha quando estava com uns oito ou dez anos de idade. Foi tirada na Escola Santa Cândida, hoje Colégio Estadual Santa Cândida, a primeira escola em que estudei.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

1 - INTRODUÇÃO

Antes de tudo quero agradecer a sua visita ao meu blog pessoal, boa leitura. Nele você vai encontrar também diversas fotos e vídeos.

Bom... para começar vou direto ao assunto quanto ao que quero com este blog e com meu personagem e campanha pessoal:

Primeiro - arrumar uma namorada ou pelo menos uma garota nem que seja para aventura ou ficar. Só que eu quero uma que tome a iniciativa, faça o meu tipo, curta dance music e que esteja disposta a ir em danceterias e festas flash back comigo. Ah, e que não seja interesseira e me aceite pelo que sou, não pelo que porventura tenha ou venha a ter um dia.

Segundo - quero divulgar e nunca deixar morrer as boas músicas (disco music dos anos 70, euro disco dos anos 80, pop dos anos 80 e 90, dance music da década de 90 e até as mais recentes desde que sejam boas e que marcam uma época). Inclusive meu sonho é montar uma danceteria ou pelo menos festas itinerantes onde seja sempre atual todo o encanto de cada uma destas épocas.

Terceiro - quero fazer um protesto contra a ideia atrasada de que é só o homem quem tem que tomar a iniciativa na vida amorosa, contra o preconceito contra cores vibrantes, visuais exóticos e contra o tabu de que a cor rosa é feminina. E também contra os que vivem em torno da moda e querem obrigar os outros a seguirem, seja em roupas, carros ou músicas e comportamentos.

Quarto - meu sonho é ganhar dinheiro, ser conhecido e não vou negar! Quem não é visto não é lembrado. Para quem é famoso as portas se abrem, seja para arrumar uma companhia ou para outras oportunidades. E para quem sonha em ser ator ou garoto propaganda e já fez até oficinas de teatro, pequenos cursos de vídeo e até de manequim e modelo tem tudo a ver uma divulgação pessoal. O brasileiro é muito preconceituoso quanto a isso infelizmente!

Sobre minha pessoa:

Meu nome é Adial Júnior. No dia a dia gosto que me chamem por este nome ou pelo meu apelido (Dance Boy). Sou um cara de pele clara, cabelos lisos, castanho escuros, 1,71 m e 80 kg mais ou menos bem distribuídos. Moro em Curitiba, Estado do Paraná, no Brasil. Vim nascer nesta cidade, embora minha mãe estivesse me esperando em Jaguapitã, no Norte do Paraná. Por isso me sinto um pouco jaguapitaense também. Criei um tipo de personagem (Dance Boy) e uma campanha pessoal para ser visto pelas gatinhas que curtem Dance Music e que frequentem danceterias no domingão (matinês). Espero um dia sair na mídia em rede nacional e num horário nobre, porque só assim para achar a garota que procuro e quem sabe conseguir reconhecimento.

Esta é a história de um dos homens mais azarados do mundo quanto ao relacionamento com mulheres. Um dos menos valorizados por elas e também um dos que mais tem dificuldades quanto a isso (sem exagero, na real mesmo). Conto agora embora resumidamente, a minha longa procura por uma companheira, todas as coisas que ja tentei, algumas bem estranhas. até finalmente a criação do Dance Boy, pois é o "único jeito" de ser notado nesta cidade de pessoas fechadas, que se chama Curitiba.

Como sempre me perguntam o porque do visual diferente e todo estilizado das minhas roupas, do meu carro e da minha bike aqui vou contar para todos, para não ter que repetir a mesma história sempre. Vejam e divulguem a todas as mulheres do mundo se possível!

Sei que meu estilo e minha maneira de pensar vai chocar certas pessoas de mente atrasada, conservadores, falsos moralistas, fanáticos religiosos, metidos a donos da verdade e invejosos que não cuidam da sua própria vida e vem se meter na dos outros. Se você é um desses e quer vir aqui criticar pode, desde que seja uma crítica que tenha fundamento e ao menos que seja homem ou mulher de verdade e se identifique para que eu possa te responder. Afinal tenho o direito de resposta. Não publicarei nem responderei provocações e brincadeiras de mal gosto ou anônimas. Vamos debater então mas assumindo o que fazemos, pois eu estou fazendo isso aqui.

Se você é mente aberta, sem preconceitos, que primeiro analisa bem uma coisa para depois julgar, sabe respeitar a opinião dos outros e o meu direito de ser diferente, é bem vindo aqui, poderemos conversar amigavelmente. Acho que devemos ser julgados pelo nosso caráter e não pela nossa aparência, estilo de roupas, cor, sexo, idade, condição sócio-econômica, nacionalidade ou mesmo pelo fato de ter ou não uma religião.


Críticas construtivas sim, essas serão bem vindas, dependendo é claro da maneira como me colocam essas observações.
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Lembrando que é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; (Constituição da República Federativa do Brasil, Título II, Capítulo I, Art. 5o, IV)
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Onde vivo: Curitiba-Paraná-Brasil
http://pt.wikipedia.org/wiki/Curitiba

Meu e-mail:
danceboy.adialjunior@yahoo.com.br

Meu celular:(41)9993-6774 (SÓ NÃO ATENDO A COBRAR)

Meu perfil no Facebook:
http://www.facebook.com/people/Adial-J%C3%BAnior/100002182694834

Meu perfil no Orkut: DANCE BOY (ADIAL JÚNIOR) ou
http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=4403775939394376136&rl=t

Meu perfil no Youtube:
http://www.youtube.com/user/DANCEBOYADIALJR

Meu perfil no Yahoo Respostas:
http://br.answers.yahoo.com/my/profile?show=0F584eovaa

Link para o blog Túnel do Tempo Disco Clube:
http://tuneldotempodiscoclube.blogspot.com/

Link para o blog do livro que estou escrevendo:
http://oquadrodamorte.blogspot.com/

Este sou eu em meu traje oficial. A fotografia foi feita num estúdio fotográfico no dia 22 de julho de 2010 de tarde. Será que eu sou feio para nenhuma mulher se interessar? Lembrando que eu também uso roupas "normais" para os padrões da socidade. Não ando sempre com esta personalização!