domingo, 20 de junho de 2010

12 - A DANCE BIKE

Foi então que resolvi criar também a Dance Bike, a minha bicicleta personalizada, o segundo meio de transporte do Dance Boy. Ela teria o mesmo anúncio luminoso do carro, conjunto de luzes e o som. Novamente foram muitos meses tentando superar as dificuldades técnicas para principalmente adaptar o conjunto de som nela. E achar um profissional que fizesse os vários tipos de serviços necessários. Que dificuldade gente! Mas depois de muita ansiedade, esquentação de cabeça e uma boa quantia de dinheiro gasta, finalmente a minha típica persistência de sempre venceu tudo. Agora a minha vida tinha se tornado assim: trabalhava de segunda à sexta das 08h30min às 17h30min, nas segundas e quartas ia com o Dance Móvel na entrada das aulas das escolas e colégios às 19 horas e depois rumava para a academia. Nas segundas e quartas praticava Musculação e nas terças e quintas Kung Fu. Na sexta se o tempo estivesse bom andava com a Dance Bike pelo bairro onde moro ou pelos bairros vizinhos. Se estivesse chuvoso e eu sem companhia ia a shopings. Às vezes podia contar com um amigo e então íamos a barzinhos ou lanchonetes muito freqüentados. Sempre em várias regiões da capital. Sábado à tarde era o meu grande dia de rodar com a minha bicicleta pelas ruas desta cidade e região, incluindo os parques, praças e locais bem freqüentados. Fazia questão de passar pelas vilas onde estavam garotas reunidas nas calçadas ou em frente de casa. Quando não dava para sair devido ao tempo chuvoso ia rodando a cidade de ônibus pelos terminais. E claro, no fim de tarde de domingo pegava o Dance Móvel e ia marcar presença e me divertir nas danceterias, os meus segundos lares no domingão, quase sempre em companhia do Fábio. Cada domingo ia a uma, variando sempre e fazendo toda a galera jovem saber da existência de Adial Júnior, o Dance Boy. Desta vez eu obrigava elas me verem. Eu fazia acontecer, ao contrário do que antes aconteceu comigo por acaso e nem sempre ao meu favor. Gostassem ou não eu passei a dedicar minha vida a este ideal. E não estava nem aí com o que os outros poderiam pensar. Sempre tive em mente que as pessoas que se assustassem com estas minhas atitudes eram as preconceituosas e atrasadas, as quais quero longe de mim. Poderia até não conseguir mulher, mas uma coisa conseguiria: ficar uma figura exótica famosa, assim como ficaram várias outras pessoas. E ir de encontro a esses tabus que tanto critico. Sou um excêntrico sim, e com muita satisfação e orgulho. Em primeiro lugar acho muito chato ser “normal” e levar aquela vida medíocre da maioria. Se aqueles personagens da vida real fossem iguais a todos não teriam chegado aonde chegaram. Seriam mais um na multidão. Para mim a vida sem um nobre objetivo não tem mérito nenhum. Além do mais “é o único jeito” de ser notado neste lugar. Antes era como que um homem invisível, ao qual nenhuma mulher dava valor. Por isso me identifico com aquele pensamento que se não me engano foi o cantor Raul Seixas quem disse: “Sou louco pelo simples fato de que o mundo não me deu nenhuma razão para eu ser normal”. Para quem achava que eu ia afastar mais as garotas, essa foi a fase em que consegui ficar com várias em danceterias. Às vezes o Fábio me ajudava, mas devo muito a um conhecido Dj e animador de uma danceteria em que vou, o fato de já ter ficado e dado uns bons beijos e abraços em umas oito gurias. Ele me chamava lá na cabine de som na presença de todos e alguma mulher que subisse lá e me beijasse. A mesma levaria cervejas de brinde pela participação. Isso me ajudou a ficar cada vez mais conhecido e a derrubar aquela idéia errada de muitas de que eu era sério demais, certinho, cdf ou coisa parecida. Depois ele me concedeu a oportunidade de participar de duas entrevistas na Rádio Comunitária do Boqueirão (RCB), onde trabalhava como locutor. Aí pude começar a dar uma idéia do drama pelo qual passo a todos da região. Conheci também na RCB outro radialista, o Adriano Bedin, um cara que considero muito e que começou a ler esta história no ar. Pena que ficou interrompida porque ele saiu da emissora. Através dele conheci outro amigo, o Júnior, que também curtia danceterias e me acompanha sempre que possível. Os últimos amigos que fiz foram o André e o Tatu de São José dos Pinhais através do mural de recados do site do Planeta Ibiza. Foi um achado encontrar gente que pensa igual a mim quanto a danceterias, músicas antigas e quanto a maneira de encarar a vida. Isso é muito difícil, como me disse o próprio André. Eles agora passaram a ir junto comigo nos domingos sempre que possível, e até quiseram conhecer lugares fora de Curitiba e do Estado do Paraná. Uma das últimas atitudes que tomei foi comprar um carro maior para personaliza-lo e ser o meu novo Dance Móvel, pois o fusca é muito pequeno para viajar com cinco pessoas e transportar suas bagagens e a minha bicicleta com seus acessórios. Decidi não me desfazer do carro mais pequeno, mas volta-lo na cor original que era. Assim poderia usar este quando quisesse andar como um cidadão comum e o outro todo personalizado quando andasse como o Dance Boy. Comprei um Del Rey Série Ouro ano 1984. Aproveitei um pouco do dinheiro da venda da casa e terreno dos meus pais, que se mudaram para morar perto de mim. Esse carro é confortável, econômico e tem um bom espaço, principalmente de porta-malas, além de ter sido um ícone dos anos oitenta. Serve também para ir de encontro ao preconceito que muitos tem quando dizem que é um carro de vovô. Para mim não existe isso, o que existe é o preconceito de umas mentes atrasadas contra certos carros. Se eu fosse rico o meu Dance Móvel seria um Cadillac 1957 ou 1958 "rabo de peixe". Ou pelo menos um Chevrolet Impala 1960. O meu negócio é carro antigo! Esses carros são muito mais bonitos que qualquer um desses modernos, chamam muito mais atenção, além de serem enormes, confortáveis, mais duráveis e terem marcado época. Mas voltando à mulherada: mesmo aventura é muito difícil de acontecer comigo em Curitiba e região. Não sei se por aqui existe a pessoa que procuro. O que não sossegarei enquanto não fazer é ir para fora do Paraná. Muitos me falaram que eu me daria bem em certas cidades de Santa Catarina. E recentemente descobri que em Joinville existe também uma danceteria para público jovem e adolescente, que funciona no domingo. Acho que me daria bem com as gaúchas, só que o Estado do Rio Grande do Sul é longe e lá não tenho nenhum conhecido. É, o jeito agora é tentar fora. Não boto fé neste povo de jeito nenhum. Acho que já tentei quase tudo. Como não rolou nada eu simplesmente desanimei das garotas deste lugar. Aqui faço a minha campanha mais para ficar conhecido. Talvez um dia possa trabalhar com propaganda de danceterias, já que tenho aparelhos de som no carro e na bicicleta. Quem sabe um dia posso sair num programa de televisão a nível nacional, para todas as mulheres brasileiras me verem. Resumindo em poucas palavras: o que quero é uma garota que faça o meu tipo físico, vá a danceterias no domingo, tenha a cabeça no lugar e que tome a iniciativa de chegar em mim!

Dance Boy com sua Dance Bike

Com a Dance Bike à noite. Só não dá para mostrar o pisca-pisca do strobo embaixo do quadro e obviamente o som. Esta foto foi tirada em São José dos Pinhais no dia 08 de março de 2008, sábado.

E agora o meu primeiro vídeo com a Dance Bike:

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