terça-feira, 8 de junho de 2010

3 - A PRIMEIRA PAIXÃO DA MINHA VIDA - OS DOIS PRIMEIROS ANOS

Aos doze anos, quando estava na sexta série do primeiro grau (hoje ensino fundamental), conheci uma menina da minha sala que aqui vou usar o nome fictício de Vanessa. Ela era representante ou monitora da turma e um dia quando estava na frente da sala falando a todos, eu a observei pela primeira vez. Olhei seu rosto, seus lábios, seus dentes brancos, limpos e bem cuidados e seus olhos lindos e com vivacidade. Seu sorriso e seus cabelos lisos, curtos e escuros. Pele clara e limpa, não notei nenhuma mancha ou enfermidade de pele. Ouvi sua voz encantadora. Trajava uma blusa amarela sem botões, e se não me engano usava calça jeans azul escuro. Estava de pé e eu sentado na carteira a alguns metros dela. Eu a olhei no rosto e senti um contentamento muito intenso tomando conta de mim. Até esbocei um sorriso. Estava fascinado por aquela garota. Pela primeira vez na vida eu estava completamente apaixonado. E foi praticamente um amor a primeira vista. Era ainda uma criança, mas desde a primeira vez que a vi e ouvi sua voz eu já fiquei gamadão nela. Sua beleza era incomparável, singular, sem igual. Sem dúvida nenhuma a menina mais linda que eu já vi! E como era a representante ficava sempre na frente da sala, próxima à lousa e à mesa do professor, olhando a turma quando a professora não estava. E adivinhem quem ficava admirando-a sem parar! Eu gostava muitíssimo daquele seu sorriso, que era muito bonito, o mais lindo que eu já havia contemplado. Aquele sorrisinho doce, fascinante, vivo e alegre. E os seus dentes como eram lindos. Bem brancos e conservados. Ela usava um aparelhinho para corrigir a posição dos mesmos. Devia ser de aço inoxidável. Quando sorria, eu podia notar uma parte do aparelho prateado em seus dentes. Eu ficava extasiado. A sua boca era tão bonita. Doce, meiga e fofa, bem vermelha. O lábio inferior era mais grosso que o superior, bem do tipo que eu gostava. Lembrava a boca de uma boneca. O seu rostinho tão lindo com aquele queixo arredondado e delicado. Aquele seu olhar firme e penetrante. Seu nariz arredondado e seus cabelos curtos e bem cuidados. Pele clara e linda, devia ser tão macia. A sua altura, um pouco mais baixa que eu, e o seu modo de andar, firme e decidido. Seu corpo também era bonito. Era doce escutar aquela voz agradável. Sempre que ela ficava na frente da sala eu a ficava observando, fascinado pela sua imponência e beleza fora do comum. Inclusive eu ouvia a maioria dos alunos e até alunas da minha turma dizerem ser Vanessa a guria mais bonita da sala. E eles estavam certos. Certíssimos na minha opinião. Ela era imponente, radiante!

Só que infelizmente tinha um temperamento difícil: irritava-se fácil, era orgulhosa e meio prepotente. Desconfiada demais de tudo, como se todo admirador seu tivesse más intenções. Isso intimidava ainda mais um menino acanhado como eu era. Eu morria de vergonha só de pensar que ela, a turma e os professores soubessem o que eu estava sentindo. E dos seus pais então tinha pavor, mesmo sem nunca tê-los visto. Eu pensava naquela mulher todos os dias: no recreio, no caminho de volta para casa e ao dormir.

Um dia na sala eu conversava com um colega e tive uma surpresa: a Vanessa ficou me olhando sem parar e falou o meu nome de um modo romântico, que demonstrava que sentia algo por mim também. O meu colega também achou isso. Imaginem o impacto que isso me causou! Já era uma pessoa sentimental, estava apaixonado por ela... Aquele dia inteiro eu fiquei pensando nela, feliz da vida com a importantíssima descoberta. A esse pequeno fato se seguiram diversos outros, confirmando o que eu tinha descoberto. No entanto grande parte da turma achava que eu era meio maluco devido a certas brincadeiras e palhaçadas que fazia na sala. Ela também pensava e isso a afastava devido ao seu temperamento. Sempre fui desajustado com a sociedade, só que naquela época também... Também eu era uma criança.

Naquele ano eu reprovei a sexta série em Matemática. Minha primeira reprovação. Acho que não levei muito a sério, brincava demais na sala de aula. Ela passou, era uma garota estudiosa e responsável nesse ponto. No ano seguinte fui para o turno da tarde. Nós estudávamos de manhã. E a Vanessa continuou de manhã. Continuei sonhando com ela naquele ano inteiro. Uma coisa boa aconteceu: conheci um amigo de confiança, o Daniel (este é seu nome verdadeiro), que também apreciava filmes de terror antigos. Passei a confidenciar a ele o que acontecia em relação a mim e a menina que eu tanto amava. Ele quis conhecê-la e me ajudar no que fosse possível. Mas eu só a vi umas duas vezes naquele ano. Em uma delas nos encontramos, ela me cumprimentou e perguntou se eu não me lembrava mais dela. Eu e o Daniel decidimos estudar de manhã no próximo ano. E assim fizemos. Desta vez não reprovei.

Cena do filme "O Túmulo do Vampiro" (Grave of the vampire), um dos que mais marcaram minha infância. Foi lançado em 1972. Se alguém quiser ver a primeira parte acessem http://www.youtube.com/watch?v=l5Ah5Gvqjv8

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