terça-feira, 15 de junho de 2010

5 - NO ANO SEGUINTE EM OUTRO COLÉGIO...

Mas no ano seguinte tive uma surpresa: ela não estudava lá, pelo menos no turno da tarde em que eu estudava. Tentei me informar onde estava com um aluno da minha sala que a conhecia. Ele tinha um irmão que a conhecia melhor e que disse tê-la visto na Escola Técnica, que era como chamavam o Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná (CEFET-PR) naquela época. Então decidi estudar lá também e falei com os meus pais. Era preciso fazer um curso preparatório e comecei a fazer. Saía a tarde do Colégio Estadual e ia à noite para lá. Sempre tentando localizá-la.

Um dia encontrei um aluno que havia estudado no mesmo colégio que nós no ano anterior e que a encontrava no ônibus de vez em quando. Pedi para ele perguntar onde ela estudava e acabei descobrindo que era num colégio particular no centro também. Mas sofri de novo com o que ele me contou: que ficou brava quando soube que era eu quem perguntou e disse que aquele tarado (que era eu) queria agarrá-la. Fiquei decepcionado: como podia pensar isso de mim? Não sabia que eu era apaixonadíssimo por ela? Nunca lhe desejei mal algum! Vanessa foi muito injusta comigo!! Decidi então não entrar mais no CEFET, já que ela não estudava lá. Minha mãe não entendeu isso, mas nunca tive coragem de lhe contar o real motivo. Fui infeliz naquele ano: não a vi mais e ainda por cima morreu um tio meu, nosso vizinho e irmão do meu pai.

Vivia um inferno: não conseguia me esquecer daquela mulher! Fui um dia no colégio onde estudava e perguntei o número do seu telefone dizendo que era um conhecido, e que uns parentes dela do norte do Paraná a estavam procurando. Inventei tudo e consegui o número. Não tive coragem de ligar e o Daniel tentou me ajudar. Ela e sua família eram iguais: grosseiros e desconfiados. Tanto a Vanessa como sua irmã eram de bater o telefone na cara da pessoa. Cheguei também a conhecer finalmente sua mãe ao descobrir que a mesma trabalhava numa loja. Fui lá só para saber quem era. Até pela cara se via que era uma senhora muito séria, do tipo que ri pouco e está quase sempre de cara amarrada. Tentei também mandar outra carta relembrando o que sentia por ela e esta a pegou, mas ficou brava até com o cara que a entregou. Não surtiu efeito algum.

Naquela época eu seguia a religião dos meus pais. Minha mãe sempre disse que conseguiu o homem que tinha pedido para Deus, que era inclusive da mesma igreja que ela. Eu acreditava que era a Vanessa que era para ser a minha futura esposa, pois desde que nasci só havia me apaixonado por ela e esse sentimento não morria. Só que também nunca deu certo o nosso relacionamento.

Sempre desejei ter pelo menos uma foto dela, daquele monumento à beleza. Alguns conhecidos meus pediram sem contar que era para mim. Um deles era o meu ex-professor de Educação Física Mauro Rodinski. Ela nunca deixou. O que tinha de bonita tinha também de orgulhosa, metida, se irritava fácil e era desconfiada de tudo e de todos. E morava numa capital em pleno século vinte e não no sertão no século dezenove! Nunca consegui entender o porquê desse mau gênio que tinha. Várias pessoas que a conheceram falavam isso também, inclusive aqueles alunos que haviam estudado conosco.

Uma ocasião fiquei sabendo que ela estava namorando. Entrei mais ainda em tristeza. Era como se o mundo tivesse desabando em mim. Até mandei uns colegas que a conheciam ir ao seu bairro para investigar se isto era mesmo verdade. E infelizmente eles confirmaram que era. O que eu mais temia e detestava aconteceu. Desejei a morte várias vezes.

Tempos depois soube que ela havia separado do seu namorado, porque o mesmo deu bola para outras no Stúdio Moustache, que era uma danceteria aonde ela ia na época. Lá eu poderia revê-la, mesmo que fosse meio de longe. Só que devido ao fato de ser protestante eu não entrava nestes lugares, por haverem me ensinado que freqüentar esses locais e dançar era ir para o mau caminho.

Procurei muitas vezes ajuda na minha religião e nas orações. Só um milagre me salvaria daquela desgraça. Contei a meus pais e a muitos outros que tinha um problema que me tirou a paz. Um dia minha mãe perguntou ao me ver muito triste se eu estava gostando de uma menina e eu menti que não. Pedia a Deus que ou me desse a Vanessa ou pusesse uma outra mulher na minha vida. Ou pelo menos curasse essa obsessão que eu tinha por ela. Mas nunca fui atendido. Comecei a duvidar da existência de Deus e fui abandonando aos poucos as igrejas aonde eu sempre ia desde que havia nascido. A revolta foi crescendo cada vez mais dentro de mim e a paixão que eu sentia por Vanessa começou a se transformar em ódio. O que adiantou eu ser religioso, viver dentro do templo e a minha vida ser só fracasso e infelicidade? Onde estava o castigo daquela maldita que me deu esperanças e depois destruiu a minha vida? Porque Deus me permitiu conhecê-la? Milagres para mim se existiam, só aconteciam na vida dos outros mesmo. E olha que antes eu tinha fé! Onde estavam as promessas da Bíblia de que me falavam, que se tivéssemos fé conseguiríamos determinada coisa. Conversa fiada! Tudo blá, blá, blá!



Aqui já era adolescente. Esta é uma das melhores fotos já tiradas de mim.

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