quarta-feira, 16 de junho de 2010

6 - O INÍCIO DA MINHA PAIXÃO POR DANCETERIAS E PELAS MÚSICAS

Minha vida começou a tomar outro rumo. Comecei a fazer coisas que antes nunca tinha feito. Foi aí que um dia em Jaguapitã, no norte do Paraná, uns primos me convidaram para ir com eles a uma danceteria. Eu resolvi ir para acompanhá-los e ver como era uma por dentro. Fiquei extasiado desde a primeira vez com aquele ambiente escuro com aquelas maravilhosas músicas, a galera se agitando e aquelas luzes coloridas e vivas no teto. Era uma casa bem pequena chamada Alkatraz. Até me lembrei de um filme legal chamado no Brasil de Alkatraz, Fuga Impossível. E a comparação até que teve tudo a ver na minha vida. Desde aquele dia jamais deixaria de freqüentar danceterias e curtir músicas eletrônicas. Outra paixão a primeira vista. Como a cidade era bem pequena e não tinha muitas opções de lazer, a garotada ia em massa no lugar, que não durou muito tempo. Fechou, mas felizmente aquele som continuou, desta vez no Country Club da cidade. É que, ao contrário daqui, lá o dono da casa e o das aparelhagens de som não eram os mesmos. Os que tocavam alugavam os lugares. O nome do conjunto eletrônico era Invasion. Jamais poderei esquecer dos que ajudaram a despertar em mim o gosto por este tipo de música. Tocavam Moder Talking, Bad Boys Blue, Pet Shop Boys, Man to Man e muitos outros. Comecei pela primeira vez a olhar para outras garotas desde que conheci a Vanessa. Ela não me dava valor mesmo, o que havia de errado nisso? Só que não tinha coragem de chegar nelas para trocar umas idéias. E alguns caras me diziam para chegar nas meninas. Teve um que disse que uma loirinha por quem me interessei estava namorando, alegando que eu não cheguei. Eu sentia isso como se fosse uma pressão da sociedade e comecei me revoltar mais uma vez. Se tem duas coisas que sempre detestei é ser pressionado e pessoas que não entendem nem querem entender a dificuldade da gente, a qual eu não tinha culpa de ter. Aí me ocorreu um pensamento que passei a divulgá-lo e a defendê-lo com unhas e dentes: porque é o homem quem tem que chegar na mulher? Não seria muito melhor se elas também chegassem, principalmente para os caras tímidos como eu? Não diziam que elas são sensíveis, românticas, compreensíveis? E hoje em dia inclusive elas dizem que querem direitos iguais não é mesmo? Ou são egoístas e só vêem os interesses delas? O que me irritava era quando me diziam para perder a timidez. Essa babaquice era tudo o que sabiam me dizer e ainda tem gente ignorante que pensa assim. Eu devo perder a vergonha? E elas?? Devem simplesmente ficar de braços cruzados e esperar o seu homem cair do céu??? Será que a parte interessada é só o rapaz? Onde estavam os direitos iguais afinal, onde? Mas voltando aos acontecimentos, resolvi conhecer as danceterias de Curitiba onde morava. A primeira daqui em que entrei foi o Stúdio 1250 no Bairro Cabral, muito falada na época e não muito longe de casa. Era lá que a garota que eu amava ia antes, quando o Stúdio Moustache funcionava no lugar. A Vanessa lembram? Cheguei a perguntar dela lá, mas ninguém a conhecia pelo nome. E ela tinha já parado de ir. Fui com dois daqueles quatro primos que tinham ido comigo na Danceteria Alkatraz de Jaguapitã. Não se interessaram muito, mas eu sim. Era bem maior que a outra e tocava Dance Music, que ainda não tocava no norte do estado. Lá era mais euro disco e outras. No entanto adorava os dois gêneros e as casas daqui e de lá. Depois do 1250 fui conhecer a Moustache Sound & Dance, que ficava no mesmo bairro. Também tinha um fascinante conjunto de luzes e som e o ambiente escuro e aconchegante, cheio de gatinhas e de gente jovem a animada. Uma vez fui nesta danceteria com minha prima que era uma das pessoas que foi comigo na primeira vez lá no norte. Mas na maioria das vezes eu era um solitário, ia e voltava sozinho mesmo destes lugares. E de ônibus na maioria das vezes! Conheci grande parte das discos de Curitiba e região dos anos noventa: a famosa Danceteria Sistema X de Santa Felicidade, o Stúdio PB2 de Pinhais (atual Millenium Disco Club), a Crocodilo de Colombo, a By Dancing House (apelidada de Bonato) e o Clube Show, ambos em Santa Cândida, a Number One (depois chamada de Sunset Dance Music) e a Roda Viva, ambas no centro da cidade, a Yellow Danceteria no Xaxim, a Sociedade Recreativa Campo Comprido, apelidada na época de campão e hoje com o nome de Apotheose, a Zoom Make to Dance e a Danceteria 360 graus no Boqueirão. Esta última é a atual Planeta Ibiza Night Club, que ainda freqüento de vez em quando. Fui também em outras que não curti muito e só as visitei uma ou poucas vezes. Isso nas matinês de domingo, que sempre foi o meu dia e hora de curtir dance music. Quando ia nestes lugares sempre achei que como a moçada ia para se divertir e conhecer alguém, um dia chegaria a minha vez. Quando estava em Curitiba ia nas daqui e quando ia para Jaguapitã ou outras cidadezinhas da região, ia nas de lá. No interior chamavam de clubes estes locais. Bons tempos eram aqueles! Naquela época (anos 90) ainda havia gurias que mexiam comigo, ainda que fosse de vez em quando. No entanto ainda era muito tímido, mesmo nessas ocasiões. Uma vez estava saindo da By Dancing House (Bonato), quando duas gurias numa rua que saia na que eu estava falaram oi para mim e perguntaram mexendo comigo onde que eu ia. Eu olhei para o lado delas e as mesmas sacudiram o braço. Embora adorasse o que estava acontecendo não sabia o que falar nem o que fazer. Deu-me um branco na cabeça e fiquei sem ação. A única coisa que fiz foi continuar andando. Infelizmente não tinha nenhum colega mais extrovertido comigo que pudesse me ajudar. Por dias fiquei me lamentando por não ter tido coragem e até hoje (depois de anos) quando lembro, sinto que é uma das mágoas que tenho carregado a vida inteira, sem poder voltar para reparar o que não fiz. E o pior é que não foi a única vez, como vou contar agora. Outro dia no Stúdio 1250, estava com um outro primo e duas gatas me deram bola. Tinha uma escada que eu estava começando a descer e elas subiam. Quando cruzaram comigo sorriram me olhando e uma delas pegou em meu cinto e se apoiou para subir. Tinham os cabelos longos e lisos do jeito que eu gosto. A cor dos da que pegou em mim era castanha. Por azar meu primo tinha se afastado um instante e novamente fiquei sem ação. Falei delas para ele assim que voltou, mas não as achamos. Isso foi no ano de 1994. No ano seguinte, na Moustache Sound & Dance houve uma daquelas festas do terror em agosto, com aqueles túneis com monstros e outras coisas mais. Eu não perdia nunca essas festas, que ocorriam em várias danceterias de Curitiba. Lá num corredor perto da pista eu estava passando sozinho e uma garotinha de uns catorze ou quinze anos, baixinha, me disse oi. Eu respondi e ela perguntou tudo bom. Eu confirmei e continuei andando, pois estava indo ao banheiro. Lá eu pensei: desta vez tenho que puxar algum assunto e continuar com a conversa. Preciso conhecê-la e desta vez foi ela quem tomou a iniciativa de falar primeiro. E assim decidido fui procurá-la, porém em vão. Ouvi o dj dizer que tinha mais de quatro mil pessoas lá dentro. Por alguns fins de semana seguidos eu fui lá na esperança de encontrá-la de novo. Nunca mais a vi. Neste ano me disseram que a Vanessa tinha se casado e tinha já uma criança pequena. Embora tenha tentado investigar para conferir, nunca pude verificar a veracidade desse fato. Decidi de vez me abrir para outras garotas até mesmo para aventuras, dar bola para qualquer uma por quem sentisse atração. Isso mesmo, em vez de sério decidi ser gandaieiro e sair com um monte. Pois não tinha adiantado nada querer algo sério. Além do mais queria desafiar a minha antiga religião que sempre condenou essas coisas. E também Deus, caso ele existisse mesmo. Pois confiei nele e me decepcionei, esse ser nunca moveu uma palha para me ajudar! Embora algumas vezes as mulheres tomassem a iniciativa de falar comigo, quero lembrar que eram momentos raros. Era mais comum antes, quando não ia a danceterias e só via a Paôla. E chegou o ano de 1996. Um dia resolvi ir à Sistema X, que eu já conhecia e curtia demais. Estava sozinho como sempre, na primeira pista após a bilheteria. E de repente se aproximou de mim uma menina de uns dezesseis ou dezessete anos e se não me engano me pediu um cigarro. E me chamou para sentar a mesa onde estavam ela e suas amigas. Eu quase explodi de alegria, embora não demonstrasse. Sempre tinha sonhado com um momento daqueles! Ela dizia que se chamava Jaqueline e me apresentou a Sandra, a Cláudia e umas duas ou três outras garotas. A Cláudia e a Sandra eram duas gatinhas, a primeira de cabelos lisos, compridos e pretos e a segunda também de cabelos lisos e longos, só que loiros meio acastanhados. Eu conversei mais com a Cláudia, que tinha me fascinado. Paguei até Pizza para elas naquele agradável mezanino que tinha no andar de baixo da segunda pista. Nunca tinha ficado sozinho comendo e bebendo com várias gatinhas ao meu lado. Era tão difícil acontecer aquilo que eu não podia deixar de aproveitar cada momento. Nos domingos que se seguiram eu ia só nesta danceteria. E sempre as via, com exceção da Cláudia que não sei porque não estava indo mais. Um dia a vi na Festa do Vinho em Santa Felicidade, mas ela passou por mim e nem me cumprimentou. Cheguei até levar um daqueles primos meus que me apresentaram uma danceteria pela primeira vez, para me ajudar com aquelas garotas. Mas ele assim como eu chegou a conclusão de que elas não queriam nada com nada e só ficavam comigo para eu ficar pagando bebidas para elas. Isso não pude negar e comecei a me decepcionar, pois toda hora elas me pediam para pagar coisas. Dei um tempo na Sistema X e comecei a ir em outras. Ainda mais porque não vi mais aquela que tinha me interessado. Nunca me esqueci delas, queria ser pelo menos um amigo, mas desse jeito não dava. Aliás, nunca deu certo mulher nenhuma comigo, mesmo quando (e era raro) eu conhecer alguma. Que tristeza, desilusão e revolta continuava a crescer em mim! Em 97 conheci outra garota na Sociedade Campo Comprido, quando ela me perguntou se eu tinha cigarro. Tomei uma bebida com ela e com suas amigas. Na hora da sessão de músicas lentas que eu esperava, ela começou a dançar com uma amiga e a outra disse que ela tinha vergonha. Não foi muito adiante esse relacionamento e como sempre, não deu em nada.

Alguns anos depois fiz de novo duas fotos na mesma pose como tinha feito naquele outro estúdio. Quero que as mulheres vejam e concluam. Eu era feio? Eu sou feio? Será que mudou o padrão de beleza para quase nenhuma me dar valor?

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