quinta-feira, 17 de junho de 2010

7 - TENTANDO DE TUDO PARA CONSEGUIR UMA GAROTA

No entanto neste ano aconteceu uma coisa boa: conheci um cara que também tinha um azar tremendo com as mulheres, segundo ele até pior do que o meu: o Marcos. Várias idéias e gostos ele tinha que eram semelhantes aos meus, inclusive o gosto por cinema e filmes antigos. Era nostálgico também, mas não curtia ir a danceterias. Disse que desistiu ao ver que nesses lugares quase todos se davam bem e ele não. O que me diferenciava dele era que ele parece que se conformou com a situação, e eu ao contrário era e sou o exemplo da rebeldia e do inconformismo diante das injustiças da vida. Além de gurias, algo que sempre procurava era amigos, pois tive muito, muito poucos. Por ser uma pessoa diferente não entrava em sintonia com qualquer pessoa. Para mim a amizade com o Marcos foi muito valiosa. No entanto em sons eu continuava a ir sozinho e voltar sozinho. Não só nestes lugares, mas em quase todos. Eu era tímido e pensava diferente da maioria, mas com o tempo fui vendo uma das razões da minha solidão, que me revoltou outra vez. Além das minhas dificuldades eu simplesmente vivia em Curitiba. Quem veio de lugares como o Nordeste, Norte e outras regiões do Brasil provavelmente já entenderam o que eu quis dizer. O povo daqui simplesmente é fechado, desconfiado demais, “faz panelinhas”, não é unido e hospitaleiro como o nordestino, não se abrem para conhecer novas pessoas e muitos não conhecem nem cumprimentam os próprios vizinhos! É frio nos relacionamentos, falta aquele calor humano que eu tanto admiro. E querem saber mais? Recentemente guardei uma reportagem de jornal sobre jovens que vieram de fora para estudar aqui. Entre eles estavam pessoas de outras cidades grandes, até mesmo de São Paulo e que reclamavam da frieza da galera daqui. Não é, portanto por ser uma cidade grande que as pessoas são fechadas. Senão os paulistanos e cariocas seriam caipiras como os curitibanos e o que vi pessoalmente nessas metrópoles foi o contrário. De acordo com uma dessas pessoas entrevistadas é fácil reconhecer quem é daqui e quem é de fora: o curitibano não tem o hábito de cumprimentar no elevador, e se você esbarrar em alguém na rua e essa pessoa te olhar de cara amarrada mesmo você pedindo desculpas, pode saber que esse alguém é daqui. Se fosse de fora no mínimo seria simpática e abriria um sorriso. Segundo outro jovem muitas vezes o problema não é que o curitibano te trata mal: ele simplesmente não te trata! Não é a toa que o meu amigo Marcos se sente um homem invisível nesta cidade. Agora me digam: em um povo com uma mentalidade dessas como é que poderia encontrar uma mulher super extrovertida que chegasse em mim e tomasse toda a iniciativa como sempre sonhei?? Com as mulheres daqui são ainda mais difíceis os relacionamentos: a curitibana é devagar demais para o meu gosto, não toma iniciativa nem para cumprimentar a gente, muitas são orgulhosas ou sérias demais e grande parte das garotas de periferia mais novas não tem a cabeça no lugar e só querem saber de malacos. Além de outras coisas que criticarei depois. Comecei a tentar de tudo: anúncios em revistas, em jornais, na internet, bate-papo on line, agência de namoro... Até no vidro do nosso carro eu coloquei um folheto com uma foto minha e um anúncio. Não me conformava em não conseguir garota nenhuma e todos a minha volta terem namoradas ou conseguirem pelo menos ficar. Mas mesmo assim nada dava certo. Só me escreviam pessoas de longe e eu queria alguém daqui, para ver todo fim de semana. E que fosse uma guria que fizesse o meu tipo físico, extrovertida e gente fina, fanática por danceterias e pela música dance como eu. Disso eu não abria mão por mais que me criticassem. Discuti com muita gente, até com parentes. E ninguém conseguiu mudar minha cabeça. Na agencia de namoro passavam o meu telefone e as garotas me ligavam. Sempre foram elas que me ligaram, nunca tive coragem de pedir um telefone e eu mesmo ligar. E quando telefonavam tinha outro problema: ficava sem saber o que falar, simplesmente sem assunto e parece que com elas acontecia a mesma coisa. A que disse que gostou do meu papo eu mesmo decidi que não ia dar certo porque ela não ia a danceterias. Pelo menos todo fim de semana como eu. Em todo caso eu lhe pedi desculpas ao expor isso a ela. Houve uma que disse que gostava de dançar, mas não tinha um papo legal como a outra, até notei uma certa incompreensão e arrogância de sua parte, típica das mulheres daqui. Para ter uma idéia da sua falta de educação na nossa conversa eu pedi desculpas dizendo que era meio sem jeito para falar no telefone e ela simplesmente me disse: - é, concordo com você! Pois é gente, depois eu que sou revoltado. Sou sim, assumo mesmo e não é sem motivo. Depois vem uns babacas me dizer que a mulher é mais sensível, é compreensiva, é um anjo, sofre mais no amor e outras tolices. Pode ser até que tenha uma, mas como eu, é uma exceção. A experiência de vida que tive até hoje me mostrou isso. E sou taxativo em dizer que grande parte dessas perdiam de mim em sinceridade, sensibilidade, romantismo e principalmente em sofrer de paixão. Até poderia desafiá-las. As de hoje então, desafio quase todas em qualquer uma dessas áreas, mesmo nos tradicionais serviços domésticos. Essas minhas tentativas fracassaram e um dia eu vi na televisão uma reportagem sobre garotas que queriam ser modelos fotográficos e sobre cursos e agências de manequins e modelos. E fiquei pensando: tem rapazes nesta profissão e deve ser muito legal, ficam famosos e perto da mulherada bonita, além de muitos ganharem muito dinheiro. Muitas pessoas antes diziam que eu tinha uma boa aparência e um outro dia vi um anúncio sobre um curso de manequim e modelo fotográfico. Pensando em tudo isso resolvi me matricular e fazer o curso. E fiz. Foi na segunda metade do ano de 1998. Até desfilamos para receber o certificado. Procurei algumas agências e deixei meu book e currículo. Sabia que era uma carreira difícil, mas valia a pena tentar. Se não desse certo pelo menos eu tentei, não ficaria me arrependendo quando fosse velho por não ter tentado. Logo depois resolvi fazer oficinas de interpretação para a tv e pequenos cursos de teatro. Também era uma boa tentativa de ganhar dinheiro e ficar famoso. Me recordo de uma vez quando era religioso e teve uma peça na igreja. Todos gostaram da minha interpretação nos ensaios mas depois desisti de apresentar por causa da minha timidez. Preferi fazer um papel secundário, de figurante em que eu não precisava falar. Minha mãe, um tio meu e outros acharam uma pena porque segundo eles eu tinha me saído o melhor de todos. Eu também fiquei decepcionado comigo mesmo. Mas me sentia mal falando em público, até gaguejava se tivesse que falar na frente da sala de aula para todos. Uma vez fiquei com dor no estômago até no dia seguinte por causa disso. Participei de algumas peças e segundo conhecidos me saía bem. Meu amigo Marcos que é cinéfilo também gostou, achou que eu levava jeito. Disse que eu tinha que investir na fama, ser conhecido mesmo. A última peça em que participei fiz questão de levar minha mãe para assistir. Dessa vez dei conta do recado e não fugi: o público era até maior do que aquele da igreja se não me engano. O teatro para mim foi uma terapia: finalmente quase venci o meu embaraço em falar em público. Pelo menos melhorei muito. Ainda não saberia dar uma aula, mas fazer um personagem num palco eu conseguia e me realizava com isso. Gostava do desafio de memorizar um texto e interpretá-lo, dando vida à história e aos seus personagens. Finalmente tinha descoberto uma carreira para a qual eu tinha vocação e adorava. Deve ser fascinante você ganhar muito dinheiro com aquilo que ama e além disso ser conhecido e notado pela mulherada. Meu sonho era (e é) ser ator ou pelo menos um garoto propaganda. Gravamos em vídeo a simulação de um comercial de cerveja uma vez e foi engraçada a idéia que me deram. Eu queria até escrever peças com críticas sociais ou de terror e apresentá-la em colégios, mas infelizmente teatro não é valorizado pela população. Dinheiro você só ganha aqui se já for famoso, só assim terá público em suas peças. E para ser famoso entre o povo só aparecendo na tevê! Mais uma vez Curitiba me prejudicava. Aqui é mais difícil você conseguir uma carreira dessas do que em São Paulo e no Rio de Janeiro. Tentei até deixar currículos no Rio e São Paulo quando fui para estes lugares com o Marcos no começo do ano 2000. Mas morando no Paraná seria mais difícil ainda. E eu não me adaptei com estas cidades. Os moradores sem dúvida eram melhores de se lidar do que os curitibanos, mas nunca gostei de uma cidade em que não há um bairro tranquilo e com áreas de mata, parques, praças arborizadas. Em São Paulo principalmente parece que tudo é centro de cidade. Outra coisa de que não gostei foi do trânsito dessas cidades. Se for pelo lugar gosto mais de Curitiba, mas mesmo assim nos bairros. Pago para não morar no centro da cidade, com aquela poluição tanto sonora quanto atmosférica e aquele inferno de não ter como estacionar perto de onde vou, do trânsito lento e cheio de sinaleiros que te atrasam, além do maior perigo para andar à noite. Não sei porque as redes de televisão e o cinema se concentram só no Rio e São Paulo! Bem que poderia ter aqui também! Bem leitores, até isso eu tentei para conseguir mulher. Mas gostei tanto que trabalharia com isso mesmo que já tivesse uma. Pena nunca ter conseguido trabalhar no que realmente gosto de fazer. Realização profissional não é para todos pelo que vejo. Infelizmente!
O último book que fizeram de mim

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