domingo, 20 de junho de 2010

9 - MINHA CAMPANHA PARA CONHECER GATINHAS E MAIS UMA PAIXÃO

No ano seguinte eu não estava estudando, mas me deram uma outra idéia para ajudar na minha interminável busca de uma companheira: e se eu escrevesse um anúncio em minha própria camiseta, com o número do meu celular? Falaram-me isso por brincadeira, mas não é que levei a sério mesmo? No começo usava camisetas brancas com letras pretas e para o inverno preparei um moletom branco também com o anúncio na frente e nas costas. Nas danceterias só ia com este anúncio. Assim fiquei um pouco mais notado pelas garotas. Na 360 graus (hoje Planeta Ibiza), umas garotas até brincaram comigo uma vez por causa desta idéia. E finalmente um dia aconteceu algo inesperado: um Dj me chamou e perguntou se isto era sério mesmo. Eu disse que era e ele disse que ia me dar uma força então. Chamou-me lá na cabine de som e avisou a mulherada solteira sobre mim. Pediu para uma subir lá e ficar comigo. Veio uma e nos beijamos algum tempo na frente de toda a galera lá presente. Uns pensaram que eu era um Dj e que aquilo fazia parte da programação da casa para descontrair o pessoal. Seja lá como for, aquele dia fui visto por muita gente! Continuei atravessando a cidade para ir de quando em quando na 360. Um dia notei uma garota loira acastanhada que ficava num tipo de mezanino que tem até hoje. De vez em quando me pedia se eu tinha cigarro ou isqueiro. Ela aparentava uns 17 anos aproximadamente e tinha um jeitinho que me cativou. Mas como sempre, jamais chego em alguma mulher. Eu ficava só olhando-a de longe. Vez por outra ela ficava conversando com uns tipos de cabeça raspada, bonés virados para trás, brincos de argola e roupas largas, que se tornaram comuns principalmente nos bairros de periferia de Curitiba desde 98. Não me simpatizava muito com este tipo de gente, não tanto pelo vestuário, pois nesta época eu já usava calças meio soltas no corpo. O problema era a cabeça, as idéias desses caras e as atitudes abomináveis dos mesmos. E de muitas garotas também. Pensei que faltava aquela menina conhecer um cara certo, que a consideraria e poderia estar disposto até a levar algo sério com ela. Cheguei até a ficar com pena dela. Na maioria das vezes que ia a este lugar lá estava ela. No dia 24 de dezembro de 2000 eu estava no Terminal Guadalupe, pronto para pegar o ligeirinho Sítio Cercado para descer no Terminal do Carmo e ir de novo na Danceteria 360o, onde naquele dia iam sortear um fusca usado. De repente alguém me cutucou com o dedo nas costas, me deu oi, chamou-me de amiguinho e perguntou se eu me lembrava dela, da trezentos (era assim que muitos freqüentadores apelidavam nossa querida casa). Eu respondi e ela e uma amiga que estava junto pegaram o mesmo ônibus comigo e foram lá também. Imaginem como me senti. Era tão raro uma garota me dar atenção, ainda mais a que eu estava interessado! Parecia que eu estava rindo por dentro, que tinha acertado na loteria! Chegando lá fiquei imaginando que precisava mantê-las perto de mim, tinha que tentar conversar, beber algo junto. Finalmente alguém tinha chegado em mim. Elas me perguntaram se eu não bebia. Decidi comprar uma caipira para mantê-las comigo e ver se rolava algo. Perguntei o nome da que sempre me chamou a atenção. Aqui vou usar o nome fictício de Renata e sua amiga moreninha vou chamar de Karin. Nisso chegou um conhecido delas chamado Fábio (nome real). Era apelidado de bigode. Ele leu o anúncio que eu sempre trazia na camiseta: Quero conhecer gatinhas que curtam dance music e agitem no domingão. E disse que eu havia acabado de conhecer duas. Até perguntou longe delas qual me interessava e disse que para ele eu podia falar. Não dei muita atenção porque não o conhecia ainda. Fiquei horas naquele lugar, não ganhei o carro sorteado e ainda vi que a Renata parecia que estava ficando com outro. Aí de novo começou a me atacar uma crise de desânimo. O Fábio se encontrou comigo de novo perto da entrada e eu lhe falei da dificuldade minha com mulheres e que às vezes pensava que a morte seria melhor para mim. Ele disse que apresentaria umas amigas para mim, que todo domingo ia lá. Fiquei muito agradecido, mas estava me apegando à Renata. Desde a Paôla pensei que nunca mais me apaixonaria de novo. Descobri que havia me enganado. Então passei a freqüentar todo fim de semana aquele lugar. Um domingo fui com o meu carro e até comentei com ela que não podia ficar bebendo porque tinha que dirigir. Tudo de propósito, pois minha intenção era ver se podia dar carona a elas para me tornar mais íntimo. Ela me pediu carona, nem precisei oferecer. Levei também o Fábio, cuja casa ficava também no caminho das delas. Surgiu o assunto das garotas não me darem valor e então a Renata e a Karin me deram uns “conselhos segundo elas”, para eu conseguir gurias massa mesmo: tirar os óculos, usar calças largas, uns brincos de argola na orelha, raspar a cabeça e ser mais malandro. Assim chamaria mais atenção. Eu então falei que o bermudão que eu usava era largo e que a camiseta com os anúncios chamava atenção. A Karin concordou que chamava, mas que as mulheres ficavam meio assim... A Renata perguntou se eu já tinha ido a lugares country. Eu disse que sim, mas que não tinha gostado, que o meu estilo era dance music. E ela disse que nesses lugares davam mais mulheres, porque menininha... Ficou só nisso sua frase sem que eu pudesse entender o que ela quis dizer. Eu era ainda jovem e não era daqueles caras sérios que só querem “mulheres de verdade” segundo eles. Fiquei decepcionado ao ouvir tudo isso delas, ao mesmo tempo em que crescia em mim o meu costumeiro ódio de pessoas que condenam os meus ideais. Como essas mulheres se enganam a meu respeito achando que eu sou santinho, sério demais, cdf, ou seja lá o que for que elas pensam. Não sou de chegar nelas mesmo, isso é verdade. Mas se chegassem e me conhecessem realmente, aí iam ver que não sou bem o que elas estão pensando. Para começar nem na igreja eu ia mais, não acreditava muito em Deus e tinha atração por mulheres como qualquer homem normal. Era revoltado e tinha uma vida diferente da maioria desse povo medíocre da minha cidade. Além de viver em danceterias no domingo como elas. Num domingo depois o Fábio disse que elas estavam me procurando e depois apareceu com as duas no mezanino onde eu estava sentado. Fiz cara amarrada e nem dei atenção. Então a Renata perguntou se eu tinha ficado de cara com o que elas tinham me falado naquele dia. Eu disse que só tinha que ficar mesmo e ela me pediu desculpas. O Fábio me disse que ela sempre perguntava de mim quando eu não aparecia na 360 graus e até quando se encontravam por acaso em terminais de ônibus. Isso me deu uma esperança: será que ela sentia alguma coisa por mim também? De quando em quando me pedia bebida ou um real para entrar na casa. Só que muitas vezes ficava com outros caras. Peguei amizade com o Fábio e ele me convidou para um dia ir conhecer sua vila e sua galera. Fiquei muito feliz e esperançoso com isso porque por anos eu ia e voltava sozinho de todos os lugares, sem um amigo que me ajudasse a conhecer outras pessoas. Por meses eu vinha no Alto Boqueirão onde ele morava e saía com eles. Conheci mais algumas pessoas, infelizmente homens na maioria. Como sempre! Um dia um cara me contou que a Renata curtia fumar maconha de quando em quando e que saiu e saía com vários caras. Além de outras coisas. Fiquei muito chocado e triste ao ouvir isso e procurei saber a verdade. Outros caras me confirmaram, inclusive o Fábio. Um dia me lembro de que ela me pegou pela mão e saiu andando comigo na pista da 360 graus me dizendo que ia me apresentar umas amigas. Mas na passagem de uma pista para outra estava um cara que lhe chamou. Ela me pediu para esperar um pouco e em pouco tempo estava se beijando de língua com ele. Ó vida injusta: porque tenho que me apaixonar sempre pela pessoa errada?? Até o Fábio pensava que a Renata gostava um pouquinho de mim pelo menos por amizade. Quando eu não ia naquela danceteria sempre perguntava de mim. Só que a meu ver, mesmo amizade é diferente do que ela fazia. Só me procurava para pedir carona, dinheiro ou bebida. Que tipo de amiga era essa? Uma vez eu saía de carro com o Fábio e outro colega. Vieram a Renata, a Karin e mais duas amigas e me pediram carona. Eu resolvi dar, superlotei o carro e quando fui ligá-lo, vi que a gasolina tinha acabado e que eu tinha que ir buscar. Então elas imediatamente saíram e pediram carona a outro conhecido que lhes deu. Grande amiga que abandona um amigo numa hora dessas em vez de ajudá-lo! Um dia não agüentei mais e me desabafei de uma vez por todas. Odeio agüentar tudo calado uma coisa dessas. Eu escrevi uma carta contando que nunca tive coragem de lhe contar, mas que sempre fui a fim dela. No entanto falei que como sempre, me interessei pela pessoa errada, que não éramos nem amigos e que o negócio dela eram malacos que só sabem se aproveitar dela e depois caírem fora. Que ela infelizmente era como grande parte dessas garotas de periferia que infelizmente infestam como pragas as danceterias, entre outros lugares. Que não tem nada na cabeça e só vêem o lado delas. Egoístas como, aliás, é a maioria das mulheres curitibanas, que para mim não estão com nada. Não medi muito as palavras, até contei que me falaram que ela e sua amiguinha Karin eram vagabundas da pior qualidade. E pedi para sumirem do meu caminho. Estava revoltadíssimo novamente, mas como sempre não era a toa. Dias depois me disseram que ela comentou que não esperava isso de mim. O Fábio por sua vez me disse que ela ficou de cara pelo fato de eu saber o seu nome completo e detalhes da sua vida torta. Um dia ela ficou lendo a crítica que fiz as mulheres nas costas da minha camiseta, mas eu sempre fingia que não a via ou saía de perto dela. Como não dava em nada, resolvi esquecer a Renata. Já tinha passado um inferno anos antes e desta vez era um pouco mais vivido. Não foi nada fácil, mas consegui superar. Seja como for ela nunca mais chegou em mim nem mandou ninguém me pedir coisas. Depois de algum tempo parou de ir a trezentos, como é a maioria desse povo medíocre que só porque está com uma certa idade se acomoda dentro de casa. Fã fiel mesmo da dance music e das danceterias é só eu, o Fábio e uns poucos. Sem nenhuma mulher para variar, o que confirma minha conclusão de que elas são paradas demais. Soube que ela estava grávida (como era de se esperar) e se ajuntou com um cara. O último que vi com ela não tinha a cabeça raspada como me sugeriu fazer. Estranho: ela mesma se contradizendo! Depois finalmente me contaram que ela foi à danceteria escondida do marido e levou um tapa na cara dele. Bem feito: devia era ter levado um tiro na cara e deixar o mundo livre de tal praga! Comigo é assim: ou a mulher toma a iniciativa ou não dá em nada! E se for para ela chegar para me sugar é melhor que nem chegue. Aprendi duas lições que aqui quero passar a todos os leitores: 1a) É pura perda de tempo ficar sofrendo e alimentando esperanças por uma pessoa que não gosta da gente. Devemos tentar, mas quando está claro que não dará em nada temos que esquecer e partir para outra. 2a) Quando estiver em uma danceteria e uma garota chegar para te pedir dinheiro ou para comprar alguma coisa para ela, caia fora porque ela não quer ficar contigo. É uma vadia interesseira que te acha com cara de bobo e só quer te explorar. Quando é bonita e faz o meu tipo o que eu faço é surpreendê-la dizendo que só se ficar comigo. Assim ela vai ver que eu conheço a malandragem e não sou um ingênuo como acha. Um ex-colega me disse isso anos antes em Jaguapitã. Demorou, mas aprendi de uma vez por todas.

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