terça-feira, 14 de setembro de 2010

18 - A MULHER TAMBÉM PODE TOMAR A INICIATIVA NA VIDA AMOROSA

Após anos de dificuldades e tentativas frustradas em conseguir me relacionar com garotas devido à minha timidez, comecei a refletir sobre as causas e também sobre os métodos a usar. Foi num desses momentos que me ocorreu um questionamento repentino: “afinal por que o homem é quem tem que se aproximar e iniciar a conversa com uma mulher? Ela também pode tomar iniciativas e há alguns anos luta para ter direitos iguais. E se o indivíduo é muito desajeitado, envergonhado ou tem qualquer outra dificuldade ou bloqueio? Por que só ele tem que lutar para superar isso se os direitos são iguais? Onde está a compreensão e sensibilidade feminina que tanta gente procurava incutir em nossa mente?” A partir disso busco analisar a situação.

Durante milênios a mulher foi considerada um ser inferior, frágil e que devia ser protegida pelo homem. A ela cabia as tarefas domésticas e criar os filhos. O homem se ocupava da caça, da guerra e de trazer o sustento para o lar. Houve uma divisão de trabalho, de papéis. Isso foi bom e prático? Se refletirmos um pouco poderemos concluir que em determinados momentos sim. Um exemplo disso, seria durante a gestação e amamentação, em que é mais proveitoso a mulher ficar em casa se ocupando de atividades mais leves. No entanto essa contínua separação de atividades entre os sexos provavelmente criou a dependência e submissão feminina. E também o preconceito entre serviços “masculinos” e “femininos”. Se por natureza elas são mais fracas fisicamente, com essa cultura ficaram ainda mais vulneráveis, pois não exercitaram seus músculos com serviços mais pesados, não aprenderam a manejar armas nem a defesa pessoal em grande parte das culturas. Alguns irão objetar dizendo que o corpo feminino não foi feito para isso. Ao que respondo que se elas exercessem essas atividades ao menos dentro de suas possibilidades, estariam em melhores condições do que não as praticando. Na China antiga houve uma monja de Shaolin que se destacou por criar um estilo de Kung Fu chamado posteriormente de Wing Chun, de aprendizado mais fácil e rápido e excelente como defesa pessoal. Diz a história que uma discípula sua derrotou um lutador masculino com um único soco. Na Europa houve o caso de Joana d’Arc, que lutou na guerra em defesa da França disfarçada de homem. Fatos como estes mostram que as mulheres não precisam ficar naquela condição de só saber fazer serviços domésticos.



Por outro lado, o homem seria mais versátil se soubesse cozinhar, lavar roupas, ajudasse a criar e educar os filhos e outras tarefas tidas como femininas. Entendo que tudo começou e prosseguiu errado desde o princípio dos tempos.


No Século XX as mulheres se emanciparam mais, conquistando o direito ao voto, a cursar uma faculdade e a atuar em profissões tradicionalmente masculinas como polícia, motorista de ônibus e caminhões, medicina, engenharia, detetive, cargos de chefia e outras. Há até as que praticam fisiculturismo ou musculação, que é ainda um grande alvo de preconceitos tanto de homens quanto de outras mulheres. E surgiram certas correntes de pensamento feministas. Algumas pessoas são exageradas, pensando que elas são mais sensíveis, mais compreensivas, mais caprichosas e superiores em certas coisas. Idéia que se for aplicada indiscriminadamente não corresponde à realidade, pois existem os românticos, sensíveis e compreensivos. E nem todas elas são assim.


Essas conquistas femininas são justas, no entanto há um ponto crucial onde ainda o velho machismo perdura: a moça que toma a iniciativa na conquista de um rapaz é muitas vezes tida como de vida fácil, não tem estima própria, é muito atirada, está desesperada, além de alguns adjetivos chulos por parte de ambos os sexos. A velha e antiquada educação nos ensinava que as meninas tinham que ser mais comportadas, mais reservadas e se manterem virgens e puras até o casamento. Já aos rapazes era bem mais aceitável que tivessem experiências sexuais antes do matrimônio. Embora houvesse o aspecto positivo da garota valorizar o seu corpo, a própria educação era discriminatória e preconceituosa. Quem nunca ouviu falar que menina brinca com boneca e menino brinca com carrinho? Que garoto que gosta de boneca é mariquinha? As gerações mais antigas sabem bem sobre isso. Outro exemplo desta contradição da sociedade é a idéia de que a cor rosa é para as garotas e o azul é para os garotos. Se eles usam roupas cor de rosa são taxados de gays, no entanto se elas usarem azul ninguém as chama de lésbicas. Difícil de entender, não?


Igualmente a esses velhos tabus, vem de tempos remotos esse ensinamento de que a função da mulher é apenas atrair e ao homem cabe a iniciativa de cortejá-la. Mas e quando o rapaz fosse tímido? Era ensinado a superar a timidez e advertido de que criasse coragem, como se fosse uma coisa tão fácil e simples de ser resolvida em todo e qualquer caso. Novamente uma educacação contraditória, pois se era incutido que a mulher é sensível e compreensiva então ela deveria levar em consideração as dificuldades do seu pretendente e também partir para o “ataque”. Injusta e discriminatória por só dar a vez a elas quando o tema é conquista amorosa. Por que só os homens têm que se empenhar nisso e elas ficarem de “braços cruzados”? Será que a moça que chega no seu pretendente é realmente uma pessoa que não se valoriza e tem vida fácil ou é o velho machismo que nos leva a fazer generalizações sem fundamentos como a das cores rosa e azul e do fato da garota ser romântica e o rapaz ser mais rude? Se pensarmos um pouco e deixarmos o preconceito de lado veremos que elas podem vir puxar conversa e até jogar uma cantada, sem no entanto, serem vulgares como muitos julgam. Comigo mesmo já aconteceu isso algumas vezes, embora sejam raros esses momentos maravilhosos. Óbvio é que elas tem que tomar as devidas precauções quanto ao tipo de pessoa que irão abordar.


Me impressionei muito quando ouvi falar que em certos países europeus como Inglaterra, certas mulheres tomam a iniciativa quando se interessam por um homem. Até mesmo para uma aventura amorosa de uma noite apenas elas convidam o indivíduo com a maior naturalidade ou conforme o dizer popular: “com a maior cara de pau”. Infelizmente, a maioria dos brasileiros ainda estão muito atrasados mesmo em pleno século XXI, por isso muitos estranhariam este comportamento. Principalmente na cidade onde vivo, Curitiba, onde as pessoas são em geral muito fechadas e conservadoras, sendo que coisas novas, estilos ou idéias não convencionais as deixam escandalizadas, sem nem ao menos haver uma análise e tentativa de entendimento por parte delas. Típico comportamento curitibano.


Mas, se hoje elas querem ter o direito de trabalhar fora de casa, estudarem, entrarem na política, liderarem uma empresa e terem salários iguais então por que não estão dispostas também aos deveres do homem? Tenho observado que várias delas evitam levantar e carregar caixas e outros objetos pesados, mesmo quando não é um peso tão grande que coloque em risco a integridade física. Outra ocasião é quando se trata de pagar uma conta numa lanchonete por exemplo. E, principalmente, quando se trata de tomar a iniciativa no namoro ou mesmo só para ficar aí a maioria delas acham que esse é o papel do homem. Então querem direitos iguais só quando é vantajoso ou mais fácil para elas? Vantagens de forma unilateral é direito igual? Os termos comodismo e egoísmo são mais coerentes às que tem esse pensamento. Não querem arregaçar as mangas e lutarem pelo que querem como os homens fazem? Realmente não consigo entender como em pleno século XXI, com todo esse liberalismo e sexualidade que se vê na televisão, na música, no carnaval e no comportamento dos jovens, ainda se conserve tanto um tabu típico de outras gerações! Mais uma vez a própria sociedade mostra ser a contradição dela mesma.


Obviamente existem exceções, onde foram elas que chegaram nos namorados ou ficantes. Eu próprio testemunhei isso acontecendo comigo mesmo. Percebo essa situação ocorrer com bem mais facilidade fora da região onde vivo. Algum tempo atrás fui a Joinville-SC, e uma garota atendente de uma lanchonete me disse não entender o porquê das curitibanas não se interessarem pela minha pessoa, pois eu era um rapaz bonito. Em janeiro de 2009 fui a Cornélio Procópio especificamente para conhecer uma danceteria da cidade e verificar a diferença entre as garotas de Curitiba e as do Norte do Paraná. E aconteceu algo que é extremamente difícil e raro acontecer comigo por aqui: uma garota de uns dezoito ou dezenove anos se sentou ao meu lado e puxou conversa. Logo antes uma amiga dela também tinha falado comigo. Ela até colocou o braço atrás dos meus ombros, apoiado no banco. Disse que estava a fim de ficar comigo. E tudo sem ser vulgar, nem nas palavras, nem nos gestos e nem nas suas roupas (estava de blusa de mangas compridas e calça se não me engano). Esse é um exemplo claro de que a mulher pode muito bem tomar a iniciativa sem ser apelativa nem se desvalorizar.


Isso sem contar as outras garotas que me jogaram cantadas na rua, em danceterias e em colégios algumas vezes, infelizmente raras. Meninas que superaram esse machismo.


Concluindo: infelizmente ainda são minoria as pessoas que ampliaram seus horizontes a ponto de entender isso. Alguns me colocaram que elas foram educadas dessa forma. Na verdade foram, concordo. Assim como também foram ensinadas por muito tempo a só servirem para serem mães e para o lar. Um dia tomaram novos rumos não é verdade? Na minha mente também tentaram colocar que cor de rosa é uma cor feminina, que o homem tem que ser mais rude, que só meninas podem brincar de casinha, que o homem é mais relaxado com a caligrafia e com a higiene pessoal, que são elas que demoram para se arrumar para sair e outros resquícios de uma sociedade atrasada. E nem por isso eu me conformei a viver dessa forma! Já está na hora das pessoas abandonarem essa visão obtusa da realidade. Estamos num novo milênio. Mulheres de iniciativa continuem assim sempre! Homens tímidos ou inconformados com esse sistema protestem e exijam que os direitos sejam realmente iguais! Sem, no entanto, exagerar achando que toda e qualquer garota tem a obrigação de chegar em vocês. Devemos entender que existem as tímidas que ainda precisam ou preferem que os homens as conquistem. O que não devemos admitir é o preconceito e a intolerância vigente até agora. O mundo sempre foi assim? Pode ter sido, assim como sempre houve injustiça, só que isso não significa que esteja correto. Já que começou e prosseguiu errado até agora, devemos então procurar corrigi-lo nem que seja paulatinamente e não sermos conformistas. O ideal seria uma sociedade mais unissex onde não houvesse essa absurda “guerra dos sexos”. Onde tanto homens quanto mulheres se respeitassem e cada um procurasse compreender as particularidades do outro. Onde a mulher tímida teria o extrovertido que tomasse a iniciativa e o homem tímido e sem jeito teria a pretendente realmente compreensiva, sensível e que tomasse toda a iniciativa possível. Só assim, haveria realmente igualdade de direitos.

Um comentário:

  1. Acho que hoje em dia não tem nada a ver essa mania de achar que só os homens devem chegar, acho que isso tanto faz, não existe uma regra que obrigue só os homens chegarem na mulher ou vice e versa, depende de cada pessoa... Pois assim como existe homens tímidos, tem mulheres tímidas também...
    Mas cada um tem o seu jeitinho na hora da conquista, seja por mensagem, um olhar, um sorriso ou através de algum amigo(a)...
    Tem aquelas pessoas que preferem fazer amizade antes de partir para o ataque, acho que vc deve ficar de olho nisso também amigo... Tem mulheres que gostam de fazer amigos, porém as vezes acontece da amizade virar amor, isso não é tão incomum...
    Acho que ainda existem mulheres que tem medo ou insegurança de chegar no homem, por causa do machismo e para não parecerem muito oferecidas, talvez por terem sido criadas dessa maneira e pela própria cultura mesmo... Mas isso é irrelevante, pois a nova geração de mulheres esta muito mais evoluída quanto a isso...
    Minha opinião é: Se a mulher estiver mesmo a fim, ela vai dar um jeito de chegar ou pelo menos mandar um sinal de que esta interessada... Isso é mais difícil de acontecer entre as curitibanas pelo fato delas serem muito exigentes, então acho que o ponto negativo começa por aí, não é?

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